A cada rodada que passa, e ninguém desgarra na ponta, a impressão é de que desta vez, diferente dos anos anteriores, o campeonato será decidido nas duas últimas rodadas. Atlético-MG, Corinthians e Flamengo venceram na rodada, mas o Palmeiras empatou, Santos e Grêmio perderam.
Em todos estes seis primeiros há motivos para o torcedor acreditar na conquista do campeonato, no contrário também.
O Palmeiras continua líder, mas viu a Ponte Preta empatar duas vezes no 2x2 no Allianz Parque. O time que só vencia em casa, agora vem de maus resultados em casa e melhores fora. O equilíbrio para manter a média de dois pontos por rodada significa título - ainda mais neste campeonato-, não importa se empate em casa e vença fora, como nas duas últimas partidas. Porém o contrário é mais natural, e mais, o Fluminense longe do Allianz Parque não é mais fácil do que a Ponte em casa. O Palmeiras tem 40 pontos.
O Corinthians, movido a trancos e barrancos, a criticas e sem atacantes continua na ponta. Venceu o Vitória em Itaquera - jogo para vencer - e ocupa a terceira posição. Marlone resolveu o jogo de ontem fazendo o primeiro e participando do segundo gol. O sentimento da falta do bom atacante - goleador serve, não precisa ser centroavante - é gritante. Gustavo do Criciúma vem aí. O Timão soma 37 pontos.
O Atlético-MG é o clube mais próximo do líder, 38, vem fazendo bons jogos, sobretudo em casa e o trabalho ruim de Marcelo Oliveira nos primeiros jogos já mostra bons resultados. Robinho joga cada dia melhor e o ataque dos quatro atacantes é o maior dilema do time. Com eles o time ganha qualidade e Marcelo não arruma problema com nenhum medalhão, porém perde em poder defensivo. O ideal seria mesclar entre os dois.
O Flamengo foi um time que aos poucos foi chegando e agora está na quarta colocação com o mesmo número de pontos do Corinthians Os flamenguistas que foram ao Mané Garrincha no jogo contra o Grêmio queria ver a estreia de Diego. Viram e ele jogou bem, fez até o segundo gol na vitória por 2x1. Mas não viram só ele, viram Pará (quem diria?) e Leandro Damião (quem diria? Parte dois) saírem como os principais em campo. O rubro-negro tem mostrado força.
Na próxima rodada os olímpicos jogam, bom para o Palmeiras com Jesus diante do Fluminense, do Santos com Zeca, Thiago Maia e Gabigol contra o Figueira e do Grêmio com Wallace e Luan diante do Galo. Alviverde joga fora, Peixe e Tricolor em casa.
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Na parte de baixo da tabela o Cruzeiro venceu e fugiu do Z-4, agora com 23 pontos está na beira do descenso, junto com o Internacional - 23 também - há 13 jogos sem vencer. O Figueirense em 17° demitiu Argel Fucks.
"Sinto muito pelo resto do mundo, mas seremos imbatíveis por muito e muitos anos." Está frase é de Franz Beckenbauer, mas não foi dita depois do tetra em 2014, foi depois do tri em 1990, quando Franz era técnico.
Nos anos seguintes o mundo viu o contrário, uma Alemanha com futebol feio e com fracassos em Euros e Copas do Mundo. Em 1996 ganhou a Euro, por puro acaso do futebol, em 2002, quando disputou a final no Japão contra o Brasil, já se tinha a convicção de que era hora de mudar.
A Federação alemã e a Bundesliga investiram na base, nos estádios, atraíram os torcedores e mudaram os conceitos na seleção nacional.
Jovens jogadores surgiram - com características nunca antes vista entre os alemães, como Müller, Reus, Götze e Özil por exemplo -, a Bundesliga cresceu, o campeonato virou o de maior média de público no mundo e a seleção voltou a ser campeã. Jürgen Klinsmann abriu o pensamento e inciou a mudança, Löw, auxiliar de Jürgen, deu continuidade e o time bateu campeão do mundo em 2014.
Todo o processo de crescimento está detalhado no livro "Gol da Alemanha".
Um pouco antes da Copa de 2014 Parreira disse que o Brasil estava com "a mão na taça" e antes havia dito que a "CBF era o Brasil que dava certo". Menos de um mês depois os próprios alemães escancaram o equivoco do técnico campeão de 1994.
Os 7x1 mostraram que era hora de mudar, com Dunga não mudou e talvez agora, depois de outros dois resultados ruins em Copas Américas, a coisa mude.
Amanhã o Brasil enfrenta os alemães, no jogo entre quem eu sou (Brasil) contra quem eu quero ser (Alemanha).
A seleção brasileira, junto do futebol brasileiro, precisam passar pelo processo alemão de evolução. Não é questão de copiar, mas evoluir, modernizar.
Micale/Tite podem ser o Klinsmann da seleção brasileira, o Brasil olímpico pode ser a base de uma nova visão de futebol de olho no futuro. Só isso não vai resolver, a CBF e os clubes brasileiros - não temos uma liga no Brasil, o surgimento dela pode ser um começo - também precisam trabalhar para isso.
Amanhã, no Maracanã, o Brasil é favorito para o inédito ouro, a seleção C da Alemanha é inferior e eles vão trabalhar com isso - afirmaram em entrevista. O melhor da Alemanha sempre foi o time e não o craque, além de se preparar para anular cada adversário. Em 1974 foi assim contra a Holanda, em 1990 contra Maradona e agora na Euro contra a Itália atuando com três zagueiros.
Isso sempre foi característico alemão, como o talento e a habilidade foram da seleção brasileira. O ataque brasileiro ainda é bom neste quesito, Neymar, os Gabriés e Luan tem provado isso. Por outro lado, Bernard ter jogado no Mineirão é a prova de que analisar o adversário nunca foi prioridade por aqui. Mas pode ser.
A partida, mesmo não sendo uma revanche, tem um gosto diferente, os 7x1 ainda machucam. Zeca, em entrevista à Folha de SP, disse que após ver o avô dele chorando no 8 de julho disse que chegaria a seleção e daria o troco. Bem ao estilo Pelé, prometendo ao avô em 1950 que seria campeão do mundo.
O ouro recupera a auto estima dos brasileiros, mas só isso não colocará o Brasil de volta ao patamar de outros tempos. A evolução do futebol pede mais.
Brasil x Alemanha
Final Olimpíadas
Maracanã, Rio de Janeiro, 20/08/2016 às 17:30h
A Alemanha fez um jogo duro com a Nigéria, ao mesmo tempo, tranquilo.
Venceu por 2x0 e com o time C alemão - o time A é o da Euro, o B seria com todos os possíveis na olimpíada - vai disputar a medalha de ouro contra o Brasil.
O cenário é muito diferente do de 2014. Agora, na final, o Brasil é o favorito, dos jogadores não há um repetido, o mais próximo é Ginter banco da campeã do mundo em 2014, e Neymar machucado no Brasil. Copa do Mundo também tem um envolvimento muito maior do que o futebol olímpico.
De qualquer maneira, nunca mais o Brasil enfrentará a Alemanha do mesmo jeito, o fantasma do 7x1 vai permanecer no contexto de cada jogo.
Sábado o Brasil enfrenta a Alemanha, com a faca nos dentes em busca da inédita medalha de ouro - é a primeira final dos alemães unificados, a Alemanha Oriental já venceu a medalha dourada.
É um jogo difícil para os brasileiros, Ginter, Gnabry, Brandt e os irmãos Bender são jogadores para ficar de olho.
Vindo ou não o ouro, vai ser uma partida muito interessante por tudo que envolve a peleja final no Maracanã.
Em 14 segundos a ideia de jogo proposta por Jorge Luis Pinto, foi pelos ares. Neste tempo, Neymar pressionou a saída de bola hondurenha e abriu o placar dividindo com o goleiro.
Em menos de um minuto, o esquema de 5-4-1, era pouco significativo para os próximos 89 minutos, o Brasil não precisava mais pressionar os hondurenhos e dar espaços para o jogo reativo, estava vencendo.
No mesmo Bat-horário, no mesmo Bat-local de ontem na eliminação da seleção brasileira feminina, a masculina vencia com facilidade. O local é o Maracanã, a casa da seleção brasileira, onde o Brasil não jogava desde o 3x0 diante da Espanha na final da Copa das Confederações.
Em pouco tempo virou 2x0 e 3x0, ambos de Gabriel Jesus.
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Em amarelo o segundo gol, em verde o terceiro. Linha pontilhada caminho da bola, linha normal do jogador, bolinhas coloridas na área são de onde saíram os gols |
O time de Honduras, inspirado no da Costa Rica de 2014, dirigido pelo mesmo Jorge Luis Pinto era só porrada, mal via a cor da bola e criava poucas jogadas. Não podia ficar com nove atrás, tomou bola nas costas da última linha nos dois gols de Jesus, passe de Luan e Neymar.
O Gabriel palmeirense sofria muito o peso do gol, agora não sofre mais, fez dois gols na duas chances que teve.
Antes da partida até parecia um jogo difícil, contra um adversário que avançou no grupo com Portugal e Argentina. Em campo era fácil, simples.
Novamente com o esquema de Micale na primeira vitória da seleção, o 4-2-3-1, com cara de 4-2-4, que no momento defensivo vira 4-4-2, com os Gabriés marcando nas pontas. Neymar, livre para se movimentar no ataque sem ter de voltar para marcar, funciona muito melhor, parecido com o que fazia na Copa do Mundo de 2014.
O camisa 10 era o cara no ataque, participava da maioria das jogadas e sofria uma falta atrás do outra.
Depois das duas primeiras rodadas e as criticas, o Brasil ganhou casca, virou uma equipe mais competitiva e confiante.
O segundo tempo foi para cumprir tabela, descansar alguns jogadores e ampliar a vantagem.
Rodrigo Caio, Renato Augusto e Gabriel Jesus saíram; Luan (zagueiro), Felipe Anderson e Rafinha Alcântara entraram.
Wéverton fez umas defesas e ficou mais um jogo sem tomar gol. O Brasil aina não foi vazado.
Marquinhos fez o quarto, em escanteio, Luan, de contra-ataque, o quinto e Neymar o sexto, de pênalti. 6x0.
A exibição brasileira foi empolgante, esperada antes da competição, e não depois das duas primeiras partidas.
Sábado é a quarta final de olimpíadas do Brasil, agora é a seleção que mais vezes subiu no pódio olímpico - seis .
Tanto Alemanha quanto Nigéria vai ser difícil, ambos tem cara de revanche.
Mas em quase todos os sentido é mais complicado pegar a Alemanha, e ,por tudo o que envolve, será mais interessante.
Logo logo saberemos.