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Neymar falou algo relevante


Há tempos Neymar não dava uma entrevista tão interessante como a de ontem.

Quase sempre respondendo coisas protocolares, que não eram nada mais do que já se sabia e não levavam a lugar algum.

Ele respondeu algo relevante porque lhe foi perguntado algo relevante.


Neymar não gostou, porque está mal acostumado, mas a pergunta não foi maldosa, como sugeriu, nem ele foi e ,muito menos,"mitou" como diz o Ei - parem com isso, por favor.

Silvio Barsetti perguntou sobre as criticas depois da eliminação da Copa América, sobre baladas em momentos inadequados e o comprometimento em relação a seleção para um jogador que está longe de ser um menino, como ele mesmo diz, já fez 24 anos

Na vida dele há coisas diferentes de qualquer outra pessoa na idade dele, muitas coisas são compreensíveis.

Mesmo mal acostumado se saiu bem na resposta. O importante mesmo é a pergunta, independentemente da resposta.

Neymar não precisa ser o capitão da seleção - qualquer uma delas -, mas é a referência técnica e precisa ficar menos nervoso, levar menos cartões e ser tão importante como foi quando Felipão era o treinador - o melhor momento dele na seleção.

Na última temporada fez menos gols que na passada e deu menos assistências, não pode regredir, tem que no minimo manter o bom rendimento de 2015.

Ele ainda é uma pessoa muito vazia, mimado e com declarações fracas, até porque nem sempre perguntam o que se deve - fora de campo quem cuida é ele, isso ninguém deve se meter.

Ele ainda vai crescer, é necessário, tomará que fale coisas relevantes com mais frequência.

Gol da Alemanha: o porquê tomamos os gols


O nome é sugestivo, "Gol da Alemanha", remete logo ao 7x1, mas é mais sobre a seleção alemã do que propriamente do 8 de julho de 2014. 

No último sábado fui ao evento de apresentação do livro escrito pelo jornalista Axel Torres e por André Schön, seu professor. 

Os autores entram um discussão sobre o jogo alemão e passam a estudá-lo. De 1970 até hoje, com as mudanças feitas por Franz Beckenbauer, Jürguen Klisman e Pep Guardiola no futebol germânico - o nome original do livro, traduzido pela editora Grande Área, é "Franz, Jürgen e Pep" em referência aos treinadores.



No evento de lançamento do livro, realizado no Museu do futebol (Pacaembu, São Paulo), aconteceram duas rodas de conversa. 

Na primeira: Rodrigo Capelo – Jornalista da Revista Época e do blog Época Esporte Clube, João Paulo Medina – Presidente da Universidade do Futebol e Gustavo Vieira – Diretor Executivo do São Paulo FC. (vídeo 1)

Falaram bastante sobre gestão do esporte, sobretudo no Brasil.


Em um determinado momento (perto de 4:30 no primeiro vídeo), Paulo Medina falou do ranking dos 50 melhores do mundo de 1983 e de 2013, com 12 brasileiros na de 83 e apenas três na de 2013. É interessante, mas difícil saber de qual lista está falando.


Em 1983 a Word Soccer escolheu Zico como o melhor do ano, mas a lista só conta com 10 nomes - Falcão era o outro brasileiro que aprecia na lista em 3° -, a France Football só contabilizava jogadores atuando na Europa.

Em 2013 a lista da Word Soccer com 20 nomes tinha apenas Neymar (6°) como brasileiro. Na eleição da bola de ouro de 2013, entre os 23 melhores do mundo, apenas dois brasileiros apreciam na lista: Neymar e Thiago Silva. A lista da Four Four Two dos 100 melhores de 2013, colocou cinco brasileiros entre os 50.




Depois, na segunda rodada: André Kfouri – Jornalista do Lance e ESPN Brasil, Gerd Wenzel – Autor do prefacio do livro e Jornalista da ESPN Brasil , Leonardo Bertozzi – Jornalista da ESPN Brasil, seguiram o debate. (vídeo 2)
Nesta parte, com o livro mais em foco, o trabalho tático e técnico que a seleção alemã passou a usar e como foi implantado passou a ser o assunto em discussão. A ideia de que a Alemanha teve um novo começo com a chegada de Klinsmann, reabrindo os conceitos de jogo alemão. 
Os alemães detectaram que havia a necessidade de mudança no futebol jogado por ele, mesmo chegando na final da Copa de 2002 e vencendo a Euro de 1996 - foram circunstanciais, segundo os germânicos. A mudança começa com Klinsmann, na preparação para a Copa de 2006 na Alemanha e avança com Löw , tendo influencia de Pep Guardiola no Bayern.


Papo legal, leve, pra quem gosta de futebol e está a fim de conhecer mais sobre como as coisas acontecem no meio.

Após a palestra, e ser ignorado na hora das perguntas - no segundo vídeo, sou o de verde a direita das cadeiras, levanto a mão em todas as oportunidades, não falo nenhuma vez- consigo falar com Wenzel já na praça Chales Müller e ele, gentilmente, me esclarece a pergunta. 

Mas essa pergunta fica para outro texto.

Não tem mais provocação no futebol?

Esta é uma provocação rebatendo outra provocação
Um assunto tem gerado bastante discussão em torno do mundo do futebol. Dizem que não existe mais provocação no esporte e que ele ficou muito "chato".

Então me deparo com um domingo de futebol no Brasil, início de ano, estaduais, e olhando apenas para este final de semana (noticias de ontem) é possível ver várias provocações no noticiário. 

Sim, várias, veja os links abaixo.






Na primeira provocação Eurico Miranda, que adora menosprezar e vencer o Flamengo solta mais uma provocação em relação aos rivais. Faz uma desse tipo quase toda semana. Lembra da história do "respeito" ?

Na segunda Lucas Lima volta a usar as redes sociais para provocar o Palmeiras. Em outras oportunidades foi criticado e respondido por palmeirenses. A rivalidade entre estes times já rendeu muitas provocações no últimos meses. De ambos.

Na terceira é algo repugnante, falta de respeito e que prova também que nem toda provocação é saudável. Algumas não passam de falta de educação e é melhor que não existam.


Provocação de D'Alessandro contra o Grêmio
A quarta me chamou atenção pelo fato de usarem as redes sociais para isso. Por mais que a provocação seja valida, eu diria que poderia ser mais corajosa, serve também com a de Lucas Lima. 

O Juventude fez um gol contra o Grêmio e na comemoração o tradicional dedo para os céus e nada do "C" usado nas redes sociais. Caberia muito bem depois do gol, mas...

Foto de Antonio Carlos com os jogadores após o jogo postada em rede sociais

Nesse mundo de hoje muitas vezes se prefere recorrer a mensagens eletrônicas para tratar de algum assunto, podendo ele ser: discutir politica, conquistar uma mulher ou provocar alguém direta ou indiretamente. 

Não diria que as pessoas de hoje são menos corajosas, mas que preferem a acomodação de se esconder em redes sociais e mentir através delas - é sempre mais fácil mentir escrevendo do que falando.

Só uma coisa, é obvio que elas ajudam e muito as pessoas - eu também -, a questão não é essa, mas a substituição de algumas coisas pelo meio "mais fácil" nunca será a mesma coisa. Um exemplo simples, e até antigo, é a comparação de que jogo em casa pela TV nunca será como no estádio.


Hoje não temos caras como Paulo Nunes e Edilson, craques na provocação e corajosos ao extremo com elas. O segundo já iniciou uma briga que lhe custou até seleção. 


Alguns ainda fazem "brincadeiras", Tévez já fez o sinal de galinha por vezes, tanto pela Juventus quanto pelo Boca Juniors para provocar os rivais do River Plate. Rafael Silva fez o mesmo pelo o Cruzando provocando os torcedores do Galo e foi atacado por muita gente. Ele defendeu-se falando que o futebol perdeu a graça (leia aqui).

O próprio Dorival Jr não gosta de provocações (leia aqui).

Na questão da opinião, não dá para dizer que antes se aceitava melhor as "brincadeiras", mas com certeza hoje não se aceita quase nada. Vivemos em um Fla-Flu constante o tempo todo, com muito ódio, isso vale para tudo.



E ainda provando que as provocações existem, elas valem também para a mídia. O Globo Esporte brincou com o Corinthians em relação à Libertadores no 1° de abril ( antes da conquista alvinegra) e o Sportv fez mesmo para o Palmeiras este ano com o Mundial. 

As provocações ainda existem, fato. Só que como tudo no mundo muda - leia a coluna do Tostão de domingo, tem tudo a ver com isso (leia aqui).

No mundo em que emojis ganham lugar de sinais e abreviações de palavras é normal que os códigos sejam outros. Até na hora de uma provocação.

Entrevista com Mario Gonçalves

Com Rafael Sprengel



Mario Gonçalves é colecionador de camisas de futebol - tem mais de 730 camisas de times do mundo todo - mora em Atibaia e a paixão por futebol o fez virar fotógrafo do S.C.Atibaia. Aos 20 anos, sonha em ser jornalista e trabalhar na área que gosta, no esporte. Acima um vídeo com os melhores momentos da entrevista, abaixo a íntegra da entrevista escrita e depois ele conta a história de algumas camisas da coleção.



De onde veio a paixão pelas camisas, pelo futebol e quando começou a coleção?

Mario: Desde pequeno fui apaixonado por futebol, toda criança brinca com bonecos de super-heróis, carrinhos... E desde pequeno quis brincar de futebol de botão, de mini craque... Uma paixão que vem desde pequeno. Para colecionar, sério mesmo, lá pelos nove, dez anos de idade. E vem até hoje, está aí uns 10 anos. É um hobby que distrai muito e uma coisa que sou apaixonado.

Quanto o Esporte mexe com à emoção das pessoas?

Mario: Mexe muito, o esporte tem coisas que só ele traz isso [emoção] para a pessoa. eu sou um louco por futebol, fim de semana pra mim é ir ver jogo, não importa se é em Leme ou Santos, eu tenho que assistir algum jogo. E não é um só não, é o fim de semana inteiro fazendo agenda pra ver jogo, do sub-15 ao profissional.

Quanto vale um jogo visto de perto, do estádio?

Mario: Pra mim, um jogo no estádio vale mais que mil na TV. Assistir no estádio é uma coisa completamente diferente, porque você tá ali, sente a paixão, a torcida... Totalmente diferente de assistir na TV. É outra experiência do torcedor, é como se fosse uma droga, você não consegue largar, é incrível, uma coisa que motiva, o mundo inteiro é apaixonado por futebol.

Sobre o futuro no futebol

Mario: Eu tiro foto do S.C. Atibaia e acompanho desde 2011, desde que eu era pequeno - agora tenho 20 anos de idade - sempre acompanhei o time de tirar foto, porque ninguém tirava foto. O clube viu e gostou falou 'Poxa cara!', e é uma história que vai se perdendo se você não grava estes momentos. A partir daí, junto com o clube. eu ia aos jogos, os estádios e comecei a fotografar. Meu pensamento é fazer jornalismo esportivo, que é minha paixão. 

Qual a importância da imprensa no esporte?

Mario: É muito importante, tem um papel que tem de ser muito profissional nessa parte, muito profissional mesmo, um errinho você muda tudo, tem de ser muito competente e cuidadoso, é complicado. Mas a imprensa é muito importante, desde um clube da série A até um clube da 4ª divisão do paulista.

Futebol é arte?

Mario: O futebol é o profissional, mas se você fala do futebol arte... Da finta, das jogadas bonitas, sim, o legal do futebol é isso, a magia de driblar de um futebol alegre. O futebol brasileiro tinha muito disso, vamos ver se essa nova geração vai proporcionar isso pro futebol brasileiro.

Você se diverte com tudo isso?

Mario: É um hobby, é uma paixão, o futebol como o hobby de colecionar camisa é uma grande paixão, pra mim isso vai muito além de ser remunerado ou não, é uma grande satisfação estar indo em jogo tirar foto, é uma paixão muito legal.



Os olhos no lance


Mini-documentário sobre jornalismo esportivo, com pessoas da área explicando como é trabalhar com isto.

Gravado na semana em que o Palmeiras veio treinar em Atibaia antes de ser campeão da Copa do Brasil. 

Conta com entrevistas de José Renato Ambrosio (ESPN), Renato Peters (Globo), Léo Bianchi (Globo), Marco Carvalho (TV Palmeiras), Mario Gonçalves (colecionador e fotógrafo) e outros.

O blog junto com o grupo que aparece nos créditos realizamos o trabalho, espero que goste.

Brasileiro gosta de ganhar e de TV


No meio da semana aconteceu a final da Libertadores entre River Plate x Tigres. No Brasil se deu muito pouca importância ao jogo decisivo, que culminou no 3o título dos argentinos. Assim como na final da Copa América, a final da Libertadores não teve brasileiro envolvido, então não passou na TV aberta e não dêmos tanta importância.
Afinal, os jornais falam pouco de finais continentais sem brasileiros por que os torcedores não ligam pra isso, ou os torcedores não ligam por isso os jornais não falam muito disso? Isso vale para esportes como Vôlei, F1, UFC, Basquete, Handebol, Tênis… Que aparecem muito pouco, só quando somos campeões e em época de Olimpíada.
O torcedor brasileiro gosta de ver esportes, ou gosta de ganhar? A final da Libertadores e Copa América passou em TV fechada, assim como o Vôlei, UFC, Basquete, Futebol Americano, Beisebol e até Golf nesse mundo interativo da TV de hoje. Mas só damos importância quando ganhamos. Vôlei e UFC só passa a nata, a F1 teria importância se Felipe Massa e Nasr saíssem ao final deste ano?
Vale lembrar que a Libertadores que foi tão perseguida pelo Corinthians, pouco era lembrada nos anos 80. Só foi ganhar força em São Paulo depois que o São Paulo de Telê ganhou em 1992 e 93. Trazendo a rivalidade para os rivais. O Santos de Pelé não fez uma festa tão grande quando foi bi da Libertadores nos anos 60.
O contraponto de vencer e chamar púbico é a Liga dos Campeões. O campeonato há anos passa na TV aberta e é assistido por muitos, como se fosse uma série, mas claro, com toda a emoção do futebol. Ele chama atenção no Brasil pela excelência do jogo e faz com que quem não é tão fanático veja, pela qualidade. Assim, passa na TV aberta.
O mundo da TV aberta sempre foi o da discussão de bar, a pauta do dia seguinte, todo mundo tinha fidelidade com o que passava na televisão e no dia seguinte o assunto era muito sobre o que tinha passado nela no dia anterior. Seja novela, filmes, desenhos e esportes. Hoje isso ainda manda, o Pan que esteve longe da Globo passou desapercebido por muita gente, que via um link ou outro na internet, uma reportagem ou outra na TV e só.
Aos poucos cada um vai mais para o seu lado, vendo o que interessa e deixado de lado o que não o atrai. Dividindo a conversa do dia seguinte. Mesmo assim, ainda, mantêm-se as raízes da TV aberta que ainda, tem uma força muito grande e é o reflexo do que pensa o país, muitas vezes.
Matéria publicada no jornal Folha de Atibaia dia 08/08/2015

Seleção sem identidade e beleza


Sábado, último final de semana de junho com suas últimas festas juninas e no final da tarde Brasil x Paraguai em jogo decisivo pela Copa América. Pra quem gosta de futebol ver um jogo da seleção seria um deleite a mais para completar o sábado. Mas só se você visse um VT (videotape) de algum jogo do Brasil na internet ou em um empoeirado videocassete.

Porque essa atual seleção não te traz prazer em ver nem torcer, desanima até o mais Pacheco torcedor. Contra o Paraguai o Brasil abriu o placar com 15 minutos em uma jogada sazonalmente bem trabalhada e gol do Robinho. Depois se propôs a segurar o placar, que nem isso conseguiu e o pênalti bobo de Thiago Silva levou a decisão aos pênaltis. Onde foi eliminado.

O jogo do Brasil é ruim, horroroso, não tem nada que você possa tirar de interessante. Só tem algo quando Neymar joga. O Brasil depende, quase que exclusivamente, do talento nato dos jogadores. E não vai ser o tempo todo que teremos quatro ou cinco craques na seleção. Hoje só temos um.

Na CBF tudo é feito errado, mas não muito diferente da AFA (Asociación del Fútbol Argentino) que tem uma seleção bem melhor que a nossa. Com jogadores melhores e, sobretudo, uma tática melhor. O time da Argentina não é um bando de jogadores tentando jogar bola, completamente perdidos. Eles têm um jogo, que não é perfeito, mas funciona. Assim Messi pode jogar bem, mas sem depender dele.

O fato do Brasil não enfrentar a Argentina e todo mundo ver o hermanos ganharem por 6x1 dos paraguaios, que eliminaram a seleção, fez muita gente pensar que foi um alívio o Brasil não ter passado. Bom, o futebol não é matemático, um clássico Brasil x Argentina seria diferente do jogo contra o Paraguai. Mas Brasil x Alemanha também deveria ser, não é? Então torna uma mera atividade de imaginação, o que não deixa de constatar que a Argentina em situações semelhantes a do Brasil (com uma população bem menor) consegue ser melhor.

No Chile neste sábado os donos da casa farão a final da Copa América com os argentinos. O Chile nunca foi campeão da Copa América, a Argentina está na fila desde 1993. Isso faz lembrar a final do paulista de 1977, quando a Ponte Preta, nunca campeã, enfrentou o timão na fila. Aquele dia o Corinthians saiu da fila e o gol de Basílio, o do 1x0, é lembrado até hoje. A Ponte segue sem ser campeã.

Quem fizer o gol do título no final de semana será lembrado por muito tempo, para não dizer pra sempre. O Chile pode tremer na base com a pressão, a Argentina tem um time melhor, com mais peso no futebol e conta com Messi. Mesmo assim, qualquer campeão é perfeitamente possível.

Voltando a seleção brasileira. O time da CBF com toda sua corrupção e falta de respeito com o torcedor, tem sido cada vez mais deixada de lado. Afinal, ela perdeu a sua identidade e beleza, assim como a F1 vem perdendo com o passar do tempo.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense dia 04/07/2015


Futebol acontece


Noticiário esportivo não fica sem assunto, tem jogo quase todo dia (ainda mais agora com a Europa), tem sempre um técnico indo embora, um time que tá em crise e agora o “caso FIFA”.

Na Fifa seus cartolas, que se sentiam acima do bem e do mal, intocáveis no mundo do futebol., estão vendo que a coisa tá ficando feia. Marin (ex-presidente da CBF) está preso, na terça-feira Blatter renunciou a presidência da confederação. Isso tudo é uma grande revolução, o poderoso Chefão, o Al Capone da FIFA, vai deixa-la. Mas isso não que dizer que vai mudar tudo na Fifa, o esquema viciado precisa ser mudado, se não só vai mudar o nome de quem comanda. Esse efeito dominó começou, as mudanças vão acontecer aos poucos, veremos até onde ela vai.

Mudanças, como já estamos cansados de saber, acontecem a toda hora no futebol brasileiro, até cansa falar sobre isso. Todo final de rodada cai um técnico. Marcelo Oliveira, o bicampeão brasileiro e dos técnicos locais, o que há mais tempo dirigia uma equipe, caiu depois de alguns resultados negativos. Lembrando até o Muricy em 2009, quando foi demitido depois de ser tricampeão brasileiro. A culpa maior no Cruzeiro foi da diretoria em não saber remontar o elenco nesta temporada. Mas é sempre mais fácil colocar a culpa no técnico. Se Luxemburgo fizer um bom trabalho, fica tudo na conta de Marcelo, se não fizer, vem outro técnico.

Olhando pra tabela do campeonato brasileiro você vê o Atlético-PR liderando, Ponte Preta e Sport na parte de cima. Isso não quer dizer que esses times vão brigar por titulo, nem por Libertadores, só que os times que vão, realmente, ficar nesta faixa da tabela ainda estão muito verdes. Também não quer dizer que algum grande vai cair por causa disso, muito cedo para avaliações definitivas. Pode ter um desses três na Libertadores e um grande rebaixado também, porque não?

O noticiário esportivo viaja até Berlim no jogo que vale o título europeu e que tem os melhores craques da galáxia. No sábado o Barcelona tenta o quinto título da Liga dos Campeões contra a Juventus em busca do terceiro. Pelo time estrelado que tem, é normal o Barça parecer como favorito ao confronto e ser tarefa da Juve parar o rival, não o contrario. 

Messi, Neymar e Suárez participam de quase todos os lances de ataque do Barcelona, mas eles por si sós não fazem o time ser o que é. Basta lembrar o Flamengo de 1995, com Edmundo, Romário e Sávio. O "pior ataque do mundo" como ficou conhecido. O meio de campo e a sintonia do time faz com que o tridente seja tão forte. A Juventus precisa arrumar alguma maneira de segurar os sul-americanos do ataque catalão, para sair com a taça. Jogo imperdível pra que curte um bom jogo de bola.

Enquanto tudo isso acontece, meio que clandestino nos noticiários, a seleção brasileira (cada vez mais “time da CBF”) inicia os preparativos para a Copa América e faz amistoso no Allianz Parque contra o México no domingo. Com tudo isso acontecendo, ninguém está dando muita bola pra seleção no momento.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense 06/06/15

Dia da marmota


Devem ter muitos jornalistas esportivos e torcedores que se sentem como o repórter interpretado por Bill Murray no filme “feitiço no tempo”.  Quando o repórter de meteorologia fica “preso” sempre vivendo o mesmo dia, no caso, o “Dia da marmota”.

Quando não tem um jogo muito importante, um jogador contratado, um titulo de alguém... Surgem os questionamentos e as notícias de sempre.

Valdivia fica no Palmeiras?

O Ganso é craque?

Pato ainda tem jeito?

Rogério Ceni vai se aposentar.

O Brasil tem um campeonato nivelado por baixo?

Pontos corridos ou mata-mata?

Taça das bolinhas e Brasileiro de 1987.

O Flamengo vai contratar o fulano.

C Ronaldo e Messi vão pra tal time?

Os 7x1.

Cristiano Ronaldo (ou Maradona) x Messi.

Guerrero no Corinthians. Esse parece que agora foi.

São notícias que você vê pelo menos uma delas nos jornais, nas rádios ou TV por dia.

O fato de elas durarem bastante tem os seus porquês.

Alguns são fatos que dividem opiniões, outros são polêmicas, outros são inesquecíveis. Alguns até pedem uma reflexão, mas sendo várias vezes repetidos, ficam saturados, vira uma “disfunção narcotizante”. O excesso de informação faz com que ela fique desinteressante.

Às vezes é preciso um pouco de criatividade, para abrir pautas diferentes, novas. Os jornais e a Tv estão muito iguais, por culpa deles mesmos e do meio também.

Entrevista é quase que só coletiva, quando é exclusiva e pra todo mundo. Na segunda o jogador está em um canal, depois na terça esta em outro, na quarta em outro...

Isso se estende as outras áreas do jornalismo e faz com que algumas informações importantes fiquem perdidas no meio de longas repetições.

Um outro problema muito grande é quando a notícia é uma "barriga" (Matéria falsa ou errada, publicada com o estardalhaço de uma grande novidade, um furo as avessas).Você encontra uma dessas quase todo dia, principalmente em tempos de negociação no futebol brasileiro.

Vamos ver o que saiu no jornal hoje... 

Futebol brasileiro é paixão, europeu diversão.


Futebol no Brasil é tradição desde o começo do século passado. O jogo que veio da Inglaterra para o Brasil no final do século XIX, ganhou o gosto dos brasileiros e aos poucos foi fazendo parte da cultura dos mesmos. Foram formados times de Norte a Sul, no Maracanã: Zico, Garrincha, Roberto Dinamite, Didi, Rivellino e Pelé também. No Pacaembu, Morumbi , Palestra Itália e Vila Belmiro: Pelé, Ademir da Guia, Leônidas da Silva e Sócrates.

Esses e tantos outros nos estádios fizeram o brasileiro divertir-se na tarde de domingo e apaixonar-se pelos seus times. Uma paixão de torcedor, que tem frio na barriga em jogo decisivo, que tem manias para torcer, que reza para o seu santo ajudar o seu time, que chora quando ele perde... Coisa de maluco, paixão que é passado de pai pra filho, antes mesmo de saber o que significa torcer. O filho torcer pelo time do pai é questão de honra. Essas coisas que fazem parte de um torcedor.

Não se vai mais ao estádio hoje, por uma serie de razões. O nosso futebol perdeu bastante qualidade nesses anos. Aqui se vê os jogos pela paixão dos torcedores pelos seus times, pela rivalidade, por o jogo ser importante... Mas não é pelo jogo ser bom, porque ele vai divertir. Salvo raras exceções.

Hoje até mesmo na TV aberta você pode ver um jogo do futebol europeu. E quem vê esses jogos, os vê como alguém que vai ao cinema ver um filme, que vai ao um show ver uma banda. Quem assiste quer se divertir, não torcer como um torcedor apaixonado pelo seu time (salvo raras exceções). O Messi vira um Batman para um menino, mas isso não faz dele um torcedor apaixonado pelo Barcelona, muito menos por um time daqui. Se um menino vai ver na TV mesmo, tanto faz se o jogo é aqui ou na Europa.

Quem é fanático por futebol vê os jogos do Brasil e dá Europa, e se diverte muito mais pelos jogos do velho continente. Muito mais técnica, arte, categoria, jogo bonito. Mais futebol! Com jogadores brasileiros muitas vezes! No Brasil as pessoas não tão fanáticas por futebol só vem os jogadores importantes. E muitas vezes ficam decepcionadas com o futebol, como no último final de semana dos estaduais.

Um futebol não exclui o outro, queria ver times mais fortes de Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Vasco, São Paulo, Grêmio... Ainda gosto do nosso futebol, mas aos poucos vem perdendo sua essência.

Hoje jogamos algo parecido com o futebol. E pensar que achávamos que os alemães é que faziam isso.


Final do Paulista na Vila: O Palmeiras perdeu a chance de por as mãos na taça no último final de semana. Mais culpa de Dudu que do árbitro.O Santos vai buscar a virada com Robinho na Vila, tentando reverter a vantagem palmeirense e conquistar o seu 21º título e impedir o 23º rival.


Matéria publicada no jornal O Atibaense no dia 01/05/2015
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