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Ser técnico é entender o jogo e tornar a vitória mais plausível


Pep Guardiola ficou muito incomodado após perder por 4x0 para o Barcelona e escrevi neste espaço que até os gênios tem seus dias de estúpidos no futebol. Em duas semanas tudo mudou em Manchester.

Quem acompanha Pep minimamente, sabe o quanto o treinador é obstinado pela vitória e por superar seus desafios, não fosse provavelmente ainda seria técnico do Barcelona. Ele deve ter visto muitas vezes o tape do jogo no Camp Nou, rabiscado em seu caderninho as possibilidades de encontrar a maneira certa para derrotar o adversário.

Em busca de novidade não se contentou em passar um vídeo motivacional, dizer para ralar o traseiro no chão, comer grama ou usar os familiares chorando – isso por mais patético que possa parecer, muitas vezes funciona.  Ele mudou completamente a maneira do time jogar. Primeiro começou com Agüero de centroavante, De Bruyne jogou aberto pelo lado esquerdo no 4-1-4-1. Segundo, foi mais reativo, teve menos posse de bola (40% x 60%), roubou a bola no ataque, asfixiou a defesa do Barça com muita gente pressionando. Deixou de lado as preferencias dele, adaptou-se ao jogo, entendeu a superioridade técnica do rival e fez com que o trio MSN (Messi, Suárez e Neymar) participasse o mínimo do jogo. Venceu.

Técnico bom é aquele que entende a necessidade de cada jogo, que é capaz de encontrar alternativas, mudar a maneira de a equipe jogar para fazê-la jogar bem e vencer. Guardiola é isso, estuda e traz novidades as equipes, nem sempre consegue o resultado, mas quase sempre joga bem.

Marcelo Oliveira é, claramente, copeiro. Chega a sua quinta final de Copa do Brasil em seis anos, venceu a do ano passado e ainda dois Campeonato Brasileiros. Mas não diria que é um dos melhores técnicos brasileiros e não gostaria de tê-lo no meu time. Não o acho má pessoa, pelo contrário, até acredito que isso seja o diferencial dele, a maioria dos jogadores gosta dele, consegue pilhar o elenco em jogos grandes. Porém não encontra alternativas, não mostra evoluções táticas ou técnicas.

Ano passado virou o ano com o título da Copa do Brasil e a missão de fazer o time trabalharem melhorar a bola e jogar melhor. Não consegui, mostrou pouco repertório e foi parar no Galo. Lá trabalha com um elenco formidável, Robinho e Pratto colocaram o Atlético na final da Copa do Brasil, mas não encontra alternativas para compactar mais a equipe e faze-la tomar menos gols.

Já acompanhei alguns treinos do Marcelo Oliveira, era algo bem simples com um coletivo no final em que aparecia para dar instruções. Pedia para o time tocar mais a bola, mas não explicava exatamente como, nem passava exercício deste tipo, os treinos de Luxemburgo eram parecidos. Por nunca mudar a equipe não fechava os treinos, não precisava, adivinhar a escalação do Palmeiras era muito fácil, hoje é um pouco mais difícil porque o elenco do Galo tem “brigas” maiores por posição.

Isso tudo mostra que nem sempre o técnico que vence é o melhor, muitas vezes ele tá no lugar certo com o time certo. Outras vezes ele faz o time ser o certo. Esta é a diferença.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense em 05/11/2016

No futebol até os gênios tem dia de estúpidos


Todo o técnico tem as preferencias dele por jogadores, esquemas e ideias de jogo, uns são mais radicais, outros mais pragmáticos, alguns inventivos e por aí vai. Cabe a eles armarem uma escalação para cada jogo, com 11 jogadores, um esquema e uma ideia de jogo. Na noite de quarta-feira no Camp Nou, Guardiola foi mal em todos estes quesitos.

Visto como o melhor treinador do mundo – acho o mais diferente, talvez não seja o mais vitorioso, está entre os três melhores – viu sua preferencias e ideias caírem por terra e seu time tomar um sonoro 4x0 em Barcelona.

Pensou em: 4-1-4-1, De Bruyne de falso nove, Gündogan para melhorar o passe e ajudar Fernandinho na saída de bola, pressionar a defesa adversária com bastante amplitude no ataque e compactação na defesa.

Nos primeiros 16 minutos de jogo o Manchester City conseguia jogar, tinha a bola e tentava alguma coisa. Foi aí que Messi fez a diagonal da direita para o meio, Fernandinho (queridinho de Pep) caiu e deixou espaço para o argentino abrir o placar.

Ainda havia jogo, até Bravo errar uma saída de jogo e precisar botar a mão na bola fora da área e ser expulso. O goleiro que Guardiola trouxe e fez Hart ir para no Torino entregou de vez o jogo para o adversário. Messi fez o segundo, cortando e chutando e, depois de erro de passe de Gündogan na defesa, o argentino completou o hat-trick. Neymar ainda perdeu um pênalti e fechou o placar de 4x0.

Guardiola sempre arriscou e vai continuar arriscando, em alguns momentos dá muito errado como no Camp Nou e vira um estupido. No fim a verdade é que Messi ainda é a pedra no sapato de Pep pós Barcelona, ele acabou com a equipe dele duas vezes e os times que treinou sentem a falta de um craque para decidir o jogo a qualquer momento – De Bruyne pode ser um dia.

Já Celso Roth acertou em cheio contra o Santos no mesmo dia. Escalou o time reserva, atacou no inicio e fez 1x0, depois se fechou e no contra-ataque matou o jogo. Ninguém que conhece futebol prefere Roth a Guardiola, mas os acertos nas escolhas foram opostos.

Os craques ainda decidem e por vezes o gênio vira o estupido, o futebol é feito de escolhas e um dia você pode errar todas.


Conquistar um Brasil de cada vez

Como é difícil um time ganhar duas competições com fase de definição próximas no Brasil. É impressionante! Desde o Cruzeiro em 2003 nunca o campeão do Campeonato Brasileiro é o mesmo da Copa do Brasil.

Em 2003 a Raposa conseguiu vencer, mas com a Copa do Brasil acabando em junho e o Brasileiro em novembro. Desde que há a Copa do Brasil, 1989, há também apenas o Cruzeiro de 2014 que chegou a final - vice do Atlético-MG.
Este ano só acontecerá se o Galo disparar no BR-16 alcançar o Palmeiras, e, ainda, ir bem no mata-mata final da Copa do Brasil. Improvável.

Quando se fala de títulos importantes em sequencia se lembra do Flamengo de Zico em 1981, campeão Carioca, da Libertadores e Mundial em menos de um mês.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense em 22/10/2016

Champions com os mesmos favoritos


Começa a Liga dos Campeões amanhã, o maior torneio de clubes do mundo, com os melhores jogadores, maior publicidade, organização, cifras e tudo o que envolve grandes eventos.

Favoritos? Os de sempre: Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique. Estes são os últimos quatro campeões, que ganharam seis das últimas 10 ligas.

Na Champions Legue você pensa que o campeão será o trio ou um inglês, porque a última vez que não foi assim foi em 2010 com a Internazionale de Mourinho.

Na Libertadores é mais difícil apontar os favoritos, uma final como Atlético Nacional e Independente dell Vale a poucos meses, não estava nos prognósticos da maioria das pessoas, o que é bom.

Os favoritos serem sempre os mesmos ocorre porque os principais clubes do mundo não alteram tantos os elencos de temporada a temporada - além claro do poder monetário dos três. O Barcelona é o mesmo campeão de 2015, o Bayern  ainda tem oito dos titulares de 2013 e o Real é o mesmo do ano passado.

Apesar de mundo gente dizer que antigamente os jogadores ficavam 10 anos no time e hoje não ficam nem um, as grandes potencias europeias não perdem jogadores toda hora. Isso só vale para o Brasil

Pois afinal, poque diabos Messi sairia do Barcelona para jogar em outro time, onde ganharia tanto quanto ganha? Teria de ser algo muito bom, uma mudança de ares para tentar ganhar títulos em outros campeonatos como gosta de fazer Ibrahimovic.

Se para Messi não é uma boa mudar, imagine para jogadores como Daniel Alves. Ele só saiu da Espanha porque não o queriam mais lá.

Um jogador nestas três potencias só sai se não se adaptar ao clube – aí entra a questão técnica, tática e de ambiente – , se arrumar confusão com alguém ou for aventureiro. Caso contrário fica lá mesmo.

Como um cara que trabalha em uma das principais multinacionais e se dá bem por lá. Ele fica.



No passado os craques brasileiros ficavam mais tempo nos clubes, não vou nem falar de Pelé e Garrincha, mas de Ademir da Guia e Rivellino, craques da década de 70.

Como Ademir não ia para um Real Madrid da vida ele ficava no Palmeiras mesmo. Nenhum outro clube do país poderia oferecer um salário muito melhor, então, como gostava do alviverde, ficava por lá mesmo. Riva só saiu do Corinthians porque não o queriam mais.



Portanto é assim, amanhã começa outra Champions League, os favoritos são os três, correm por fora: Atlético de Madrid por sua defesa, a Juventus pela consistência e investimento, e o Manchester City por Guardiola.

A Champions tem este ponto negativo, mas vale lembrar que os trio nunca se enfrentou na final, portanto a chance de outro clube poder ficar com a taça no último dia pode continuar existindo.

Bauza é Bilardista


Nem Bielsa, Simeone, Sampaoli ou Pochettino.

O técnico da seleção argentina é Edgardo Bauza. Depois de Tatá Martino desistir da seleção após o revés da Copa América, a saída de Messi e vivendo um momento complicado politicamente, Patón assumiu o escrete de seu país - o São Paulo perdeu outro treinador para uma seleção em mais ou menos um ano.

Bauza mostrou no São Paulo, perto da gente, o que já havia feito na argentina com San Lorenzo e no Equador na LDU - venceu duas Libertadores. 

É um técnico pragmático, que prioriza a defesa, seus conceitos estão acima do que pensam imprensa e torcida, e como disse em entrevista após uma partida pelo São Paulo na Libertadores "quero vencer, não jogar bem".


Cara de quem já ganhou a Libertadores duas vezes e agora vai treinar a Argentina
Ele é mais do estilo Bilardista - como dizem os argentinos.

Na Argentina se divide em Menotista ( em referencia a Luis Menotti campeão de 1978) e Bilardista ( Carlos Bilardo campeão de 1986) por causa dos técnicos campeões com a seleção.

Quase como esquerda e direita, como capitalismo x socialismo, filosofias de jogo.

Em 1978 era um time que priorizava o toque de bola, posse de bola, o ataque, de uma equipe envolvente: o jogo "bonito". Em 1986 era um time mais defensivo, pragmático, com bola no Maradona e seja o que Dios quiser.

É interessante pensar que Tatá e Sabella também eram Bilardistas - Maradona como treinador não era nem um nem outro, faltou muito para Diego ser considerado um treinador com filosofia de jogo.

Portanto Messi nunca atuou no estilo Menotista, o mais parecido com o do Barcelona, onde cresceu e foi o melhor do mundo em cinco oportunidades.

Bauza pode ir bem na Argentina, se resgatar Messi e botar confiança no time como fez no São Paulo.

Histórias melhores que o futebol


Está Euro foi especial, não pelo futebol em si, por uma seleção que viesse com uma proposta de jogo revolucionária capaz de mudar com o futuro do esporte. Houve ideias táticas e técnicas sobre o futuro do futebol que não devemos desprezar, mas o que melhor aconteceu na competição foram suas histórias.

A principal delas, a mais evidente, o título inédito de Portugal.Os portugueses campeões pela primeira vez, fazem o que os gregos fizeram com eles em 2004, vencem os anfitriões na final é conquistam a taça inédita.

É legal vê-los vencendo porque o futebol é assim, cheio de histórias peculiares a serem contadas, todas diferentes, distante de prognósticos. Poucos imaginavam Portugal na final, campeã, com Ronaldo sofrendo lesão e vendo a sua seleção vencer os donos da casa na prorrogação... Muito menos


(Teve a bola caprichosa de Gignac que bateu na trave no final do tempo normal, seria gol do título francês)

Inimaginável, só no futebol mesmo. 



Mostrando um lado especial de C Ronaldo, do que se importa com sua seleção, assim como Messi mostrou. O sofrimento que humaniza estas estrelas, que agora são ainda mais respeitadas e amadas após este junho/julho de 2016. O futebol deles não existe para eles mesmos, é maior que isto.

Ronaldo venceu, como venceu a Champions - onda ainda foi artilheiro-, deverá ser o melhor do mundo em 2016. 


No futebol deles, não há nada de especial, pragmático mesmo, não têm uma das melhores seleções do mundo e não serão favoritas na próxima Copa do Mundo - por não ser das melhores, é tolerável que jogue assim. Mas agora isso pouco importa, os portugueses querem é comemorar. Um fator a mais para apimentar este roteiro original, muito melhor se os franceses tivessem vencido.

Uma jornada do herói.

Uma vitória do cacete!


A Euro que começou com brigas de Hooligans e terminou com confusões em fan zones, teve um lado especial para o islandeses.

A história do país com 330 mil habitantes, que chegaram as quartas de final eliminando a Inglaterra - patética, como sempre - é sensacional. Sua torcida, que apesar do tamanho, apareceu em peso e foi super participativa. Mostrando ao mundo um novo jeito de participar dos jogos e que já foi copiado por várias seleções nesta mesma Euro.


Houve o hit da competição para um reserva norte-irlandês que nem entrou em campo. Will Grigg virou versão de uma música italiana "Freed from Desire" que era cantada pelos norte-irlandeses por toda França. 


A Itália ressurgiu com seu jogo característico de força e contra-ataque, Conte em pleno coração na beira do campo e o choro de Buffon, despedindo-se da Euro, também são imagens marcantes.

A despedida foi para a Alemanha, que pela primeira vez eliminou a Itália em uma competição oficial, mas que perdeu por erros técnicos e por não ter um centroavante na hora H. Mantém seu estilo de jogo vitorioso, mas com alguns problemas.

Pogba, com o dedo em riste e cara de vai acabar com o companheiro
- parecendo Samuel L. Jackson em Pulp Fiction

A França teve o pesadelo dos anfitriões de perder a competição em casa, como favorita. Viu-se um Griezmann em alto nível e bom futebol coletivo da equipe. Mas faltou companheirismo e futebol de Pogba. Na hora H faltou mostrar que é de fato uma seleção vitoriosa. Pode crescer até 2016.

Até lá a Espanha já terá outro treinador, o ciclo de Vicente Del Bosque acabou. A partida Espanha 3x0 Turquia fez com que relembrássemos o futebol de posse de bola característico espanhol, que por anos foi o melhor, com uma atuação primorosa de Iniesta, em um de seus dias de maestro. Falta à eles o mesmo que a Alemanha, um bom atacante para resolver o jogo.


Essas coisas mostram um pouco sobre a nova ordem do futebol, os jogos de um time que ataca e outro que defende foram muito visíveis, de um futebol cada vez mais estratégico.

O jogo jogado foi pior que o da Copa 2014, as 24 seleções deixaram a primeira fase com empates demais. 

No frigir das bolas, dos gols e das histórias ela foi interessante. Uma página fascinante do futebol. 

SELEÇÃO DA EURO 2016

Messi como Senna


Segunda-feira pós rodada de BR-16, que contou com o clássico San-São vencido pelo Santos e o Fla-Flu pelo Fluminense, mas o principal assunto de futebol era Lionel Messi, o craque argentino que perdia, na hora agá, com sua seleção – há 23 anos sem conquistas – e depois de tanto sofrer anunciava que abandonava o escrete nacional.

O Chile campeão da Copa América Centenário pela segunda vez seguida, com seu futebol coletivo funcionando muito bem e a geração forte – marrenta também – conquistando mais um troféu, era segundo plano. O fato principal era Messi.

“La Pulga” é um ídolo com um lado “obscuro”, melancólico. Não é um jogador de sorriso fácil, alegre como Neymar e Ronadinho Gaúcho são. Também no é do estilo marrento de Romário, Renato Gaúcho e C Ronaldo, também não é o estilo “exemplo” como Kaká, nem do estilo boa praça de Marcos, não é o líder nato como Lugano, Fernandão era, é um estilo que lembra Ayrton Senna.

Senna sempre foi obcecado em ser o melhor, em evoluir a cada corrida, isto o deixava sempre inquieto e todo o sacrifício que fazia era (também) para deixar as pessoas felizes com seus feitos. Ele mesmo, muitas vezes, não aproveitava tanto as conquistas e dificilmente relaxava. Era constante vê-lo sério, sem esboçar um sorriso, antes de corridas decisivas.

Messi lembra muito Ayrton, Lionel sabe que precisa vencer pela seleção, entende a cobrança sobre ele, tanto que chegou concentrado e preocupado a final. Não se viu um sorriso, uma graça dele durante a partida, nada. Compenetrado ao máximo. Quando perdeu o pênalti, o mundo acabou para ele. Sofreu, como sofrem os seres humanos, mesmo ele parecendo ser um extraterrestre às vezes.

Com a perda do título e anuncio da saída dele na seleção, pode se ver como é adorado no mundo. A campanha #NoTeVayas roda o planeta clamando para que volte, mude de ideia e faça das pessoas alegres novamente em vê-lo jogando pelas corres azul e branca. Lionel nem sempre foi unanimidade na Argentina, o fato de nunca ter jogado por um clube de lá e ter crescido na Espanha, indo para a base do Barcelona aos 13 anos, contribuiu para isso.

Agora está mais do que provado que Messi superou isso, mais maduro, menos tímido –até com novo visual –, têm crescido como jogador e pessoa. Tomara mude de ideia, como Pelé mudou de ideia em 1966 após perder na Inglaterra e foi para o México vencer o Tri.


Messi é gênio - é menor que Maradona para os argentinos, e acredito que sempre será, mas é melhor que ele-, pode ser que falte uma conquista pela seleção, o que não fará dele menos craque como não fez Zico.

Ao mesmo tempo não deixará de ser algo que ele irá lamentar pelo resto da vida e não conseguirá provar algo aos céticos de seu futebol. Messi já disse preferir ganhar uma Copa do Mundo a uma Bola de Ouro. Ele ainda pode conseguir em um roteiro ainda mais dramático que seria o desta Copa América, para isso terá de mudar de ideia.


Messi é um ídolo, com poucas palavras, um lado meio “sombrio” e com muita alegria para dar as pessoas. Amado como Senna. Que também seja eterno.

Matéria publicada em O Atibaiense em 02/07/2016

Epilogo de Messi

  

Messi andou do centro do campo até a marca da cal. Aqueles metros que nunca são tranquilos em uma decisão de pênaltis. Pegou a bola das mãos de Heber Roberto Lopes que o esperara, colocou a bola no chão olhou para o gol e começou a dar passos para trás.

A melhor versão de Lionel Messi na seleção argentina, recém ultrapassado Batistuta na artilharia pelo país (55) e feito aniversário de 29 anos (24). Diferente muito além da perceptível aparência com barba e tatuagens, mudou em estilo de jogo. Além de ser um excelente atacante, é também um excelente meio campista, é a flecha e o arco. Faz gols, dá assistências e cobra faltas com total perfeição.

“La pulga” é um sul-americano com escola europeia, gosta do jogo coletivo. Durante a carreira foi evoluindo como jogador e como pessoa, menos tímido e mais experiente, entende melhor seu papel como jogador de futebol.


Messi deu seus passos e olhou para Bravo, companheiro de Barcelona, onde cansou de ser campeão, com ele e antes dele chegar. Clube pelo qual cresceu na base e ganhou a Champions por quatro vezes, mundial por três, vários espanhóis e cinco bola de ouro.

Mas que pela Argentina não consegue vencer, está na fila de 23 anos com seus companheiros e perdeu a final da Copa do Mundo e Copa América.


Correu para a bola e bateu, bateu pra longe, pra fora nas nuvens, onde Baggio mandou, como Zico já perdeu, como Sócrates, como ele mesmo (Chelsea 2012), nunca foi o melhor de todos em pênaltis.

Na hora da decisão Messi falhou novamente, a Argentina perdeu outra vez e chorará nova perda de Copa América, novamente para o Chile.

A fila pesa, os chilenos estavam nitidamente mais tranquilos e liquidaram o jogo nas cobranças de penais. Os argentinos são melhores, têm melhores jogadores, e estavam jogando melhor, na melhor versão argentina dos últimos anos, bem coletivamente.

Mas o filme se repetiu: Di Maria não conseguiu jogar a final por causa da condição física – está até esteve em campo, mas fez pouco –, Higuaín desperdiçou outra grande chance, Messi tentou e não conseguiu trazer a taça.


Lionel sabe que precisa vencer pela seleção, entende a cobrança sobre ele, tanto que chegou concentrado e preocupado ao jogo. Não se viu um sorriso, uma graça dele durante a partida, nada. Compenetrado sabia da importância daquela partida.

Chamou jogo, arrancou, caiu uma, duas, três, várias vezes. Arrematou em gol, passou, cobrou faltas, mandou o pênalti para longe e chorou.

Ficara sem dormir por dias e o lance do pênalti nunca mais será esquecido pelo mundo do futebol.

Nos barres pelo mundo, servira para comparar com Maradona, jogadores de tempos diferentes, com feitos diferentes. Acredito que Dios, será sempre maior que Messi para os argentinos, mas no par ou impar vou de Lionel, mais completo, melhor tecnicamente e mais constante na carreira.


A Argentina vai a Copa da Rússia com três vices em sequência e ainda na fila. Pelo que vinha jogando, a expectativa que se criou a queda é maior ainda.

Buenos Aires chora enquanto Santiago sorri, como no ano passado. Em dois anos está geração conseguiu mais que todas as outras juntas.

A fila Argentina um dia irá acabar como acabou a corintiana e palmeirense. O futebol é assim, têm coisas que acontecem e seguem acontecendo. Você sabe que um time tem qualidade para vencer algo, mas na hora agá nunca dá certo.

Temos a Holanda tri-vice, o Brasil em Olimpíadas, a Ponte Preta em qualquer campeonato. Como já foi o Corinthians com Libertadores.


Messi é gênio, pode ser que falte uma conquista pela seleção, o que não fará dele menos craque como não fez Zico. Ao mesmo tempo não deixará de ser algo que ele irá lamentar pelo resto da vida e não conseguirá provar algo para os céticos de seu futebol.

Até por isso, disse após o apito final, que a seleção não é pra ele. Ou seja, em primeira análise ele abandona o escrete argentino pelo qual fracassou novamente - espero que mude de ideia.

Pela Argentina foi expulso em seu primeiro jogo, sofreu pressão para jogar tanto quanto no Barcelona, teve o peso de ser campeão, bateu na trave três vezes e no melhor momento pelo escrete decidiu parar após o último fracasso.

Ele não aguenta mais tudo isso, por isso pede para sair. 

A derrota da Copa América poderá ser muito maior do que o imaginado.


A fila anda, Chile campeão


Você sabe, final é diferente, mais nervosa, muito mais coisa em jogo. Ainda mais em uma final como esta, em que Argentina não vence uma competição, de gente grande, há 23 anos.

A fila estava na cabeça de cada jogador argentino, e pesou.

No início a Argentina, adiantada, conseguia ficar com a bola e assustou com 30 segundos, em chute de Banega.

Não foi assim o tempo todo, a seleção argentina, com muita cautela, tinha dificuldade para chegar. A cautela era reciproca, o Chile também jogava assim.

Messi descolava da ponta para o meio e parava na faltas quando dava arrancadas.

Aos 20 minutos, Medel deu uma bola de presente para Higuaín. Pipita ficou na cara do gol, como ficara na final da Copa do Mundo de 2014, na Copa América passada e o resultado foi o mesmo: para fora. 

Ele conseguiu perder um gol em cada final, como pode?

Então Leo avançou arrancou mais uma vez e foi parado por Díaz. Heber Roberto Lopez nem pensou muito, deu o segundo amarelo e o expulsou.

A expulsão foi de maneira exagerada e deixou o jogo ainda mais nervoso. 

Um pouco depois, Heber expulsou Rojo da Argentina, deixando ambas com 10.

A arbitragem brasileira deixava o jogo à brasileira, não era um bom jogo.



No segundo tempo o Chile começou dominando a partida, com o coletivo funcionando bem e com a posse de bola constante, no pé. Porém sem finalizar, sem levar perigo, a Argentina mais cercava do que adiantava a marcação como fazia no começo do jogo, o fato de Mascherano ir para a zaga contribuía.

Tatá foi logo colocando Kranevitter na equipe e tirando Dí Maria, o azarado argentino, não jogava bem e não estava 100% fisicamente.

O jogo era de muita concentração e de poucas jogadas, que aos poucos foram aparecendo.

Agüero entrou e finalizou depois de receber passe de Messi, Vargas chutava para boa defesa de Romero.

O peleja pedia para que alguém a resolvesse, Messi tentava, chamava o jogo e a cada minuto recebia mais a bola e não conseguia, nada dava certo.

Nos dois últimos minutos um chute de Lionel e uma bola vadia na área argentina quase acabaram em gol. 

Não teve jeito, prorrogação.


Na prorrogação Vargas teve boa chance e Romero agarrou. 

Messi deu outra arrancada e parou no zagueiros chilenos e em Heber Roberto Lopes., todos cairam no chão, falta. Na cobrança desta falta o próprio Leo mandou na cabeça de Agüero e Bravo fez uma defesaça. 

A partida era melhor, as jogadas aconteciam, mas o jogo seguia tenso.

Sánchez não se aguentava em campo e deu lugar a Silva.

Veio o segundo tempo.

Aí saiu Vargas e entrou Castillo, na Argentina, Lamela no lugar de Banega.

Quase sem atacantes, o Chile se fechou, a Argentina tentou, Messi teve uma falta para cobrar e parou na barreira.

A bola não entraria nesta noite em Nova Jersey.

Pênaltis, como no ano passado, a revanche da Copa América seria decidida igual.



A pressão seguia sobre todos, mais nos argentinos precisando encerrar a fila, menos nos chilenos recém campeões.

Vidal começou cobrando pelo Chile, cobrou fraco e Romero pegou.

Então foi a vez de Messi, abrindo pela Argentina. Ele pegou a bola, colocou à na marca da cal, olhou para o gol e tomou distancia. Ele correu, bateu e isolou. Como Baggio, Lionel mandou para longe, desperdiçando sua cobrança.

O craque desperdiçara no momento decisivo. Irritado, desconsolado agarrou a camisa e puxou com força, não acreditava no que acontecera.



Tinha mais pênaltis, Castillo e Mascherano acertaram. 1x1.

Aránguiz e Agüero também. 2x2.

Beausejour fez e Biglia, o pior argentino em campo, perdeu.

Estava nos pés de Silva, que bateu e deu o bicampeonato ao Chile, ganhado em dois anos seguidos.

Chile campeão.



O futebol têm dessas coisas, a fila, o craque em branco pela seleção.

Messi estava na melhor fase dele pela seleção, que bem coletivamente, vinha sendo o melhor escrete pelo mundo, seja na Copa América ou Euro.

Só que na hora da final o filme se repetiu, Higuaín teve a chance dele o no final a Argentina fica com o vice.

A fila durará até 2018, Messi ainda deve isso, o pênalti perdido de hoje não sumira da sua história, mas pegar no pé dele por isso é covardia.

O Chile, mesmo com Pizzi ainda é forte e consegue bater as grandes seleções. Respeite os chilenos.

O futebol é assim, hoje escreveu mais uma parte na história de cada um que esteve em campo. 

Para o bem e para o mal.

Tá lá


A cobrança de falta de Lionel Messi foi de uma precisão incrível, do lado esquerdo do gol, onde gosta de bater, no canto do goleiro. As bolas de falta do argentino normalmente entram do lado esquerdo do gol, não importando de onde é cobrada a falta.

Àquela altura (31') tinha certeza de que a Argentina passaria pelo EUA em Houston e iria a final. Comandada por Messi, os Hermanos já venciam por 1x0 quando o jogador do Barcelona marcou de falta. Em passe de Lionel, após cobrança de escanteio, Lavezzi completamente livre, abriu o placar com três minutos de jogo.

Lavezzi saiu correndo após o gol e gritou para a câmera, lembrando o que fez Maradona, também nos EUA diante a Copa de 1994. Pode significar a mudança de ares



A melhor versão de Messi na seleção argentina comandava as ações da equipe, o gol marcado foi o de 55° pela seleção, artilheiro isolado na história da Argentina passando Batistuta. Nenhum outro argentino tem mais gols pelo país que ele.

Os EUA tentavam jogar, mas a única coisam que fizeram no primeiro tempo foi falta. 

A Argentina, quando tinha a bola, trocava passes com tranquilidade - deve muito isso a Banega. O meia tem jogado muito bem, marca e organiza as jogadas, o maior diferencial da seleção em relação a da Copa de 2014 e da última Copa América-, quando perdia, pressionava e logo recuperava, marcação no campo ofensivo muito eficiente.

No segundo tempo, os louros ficaram com Higuain.



Com a Argentina tirando o pé do acelerador e jogando no erro do adversário, Higuain fez o terceiro, aos 41', Messi pegou um passe errado e deu assistência para Pipita fechar a conta.

4x0, a única baixa do jogo foi a lesão de Lavezzi - titular, jogou muita bola, a persistência de Tatá no jogador de resultado -, ele pulou na beirada do campo e acabou esbarrando de costas na placa de publicidade, caiu e deve ter quebrado algum osso do braço.

"Houston, temos um problema" : os americanos, não conseguiram finalizar sequer uma vez a gol.



A Argentina fará a final, é favorita, está em busca do fim da fila. Será que teremos uma final repetida contra o Chile?

Veremos, amanhã eles enfrentam os colombianos.
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