Messi como Senna
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Segunda-feira pós rodada de BR-16, que contou com o clássico
San-São vencido pelo Santos e o Fla-Flu pelo Fluminense, mas o principal
assunto de futebol era Lionel Messi, o craque argentino que perdia, na hora agá,
com sua seleção – há 23 anos sem conquistas – e depois de tanto sofrer
anunciava que abandonava o escrete nacional.
O Chile campeão da Copa América Centenário pela segunda vez
seguida, com seu futebol coletivo funcionando muito bem e a geração forte – marrenta
também – conquistando mais um troféu, era segundo plano. O fato principal era
Messi.
“La Pulga” é um ídolo com um lado “obscuro”, melancólico.
Não é um jogador de sorriso fácil, alegre como Neymar e Ronadinho Gaúcho são.
Também no é do estilo marrento de Romário, Renato Gaúcho e C Ronaldo, também
não é o estilo “exemplo” como Kaká, nem do estilo boa praça de Marcos, não é o
líder nato como Lugano, Fernandão era, é um estilo que lembra Ayrton Senna.
Senna sempre foi obcecado em ser o melhor, em evoluir a cada
corrida, isto o deixava sempre inquieto e todo o sacrifício que fazia era
(também) para deixar as pessoas felizes com seus feitos. Ele mesmo, muitas
vezes, não aproveitava tanto as conquistas e dificilmente relaxava. Era
constante vê-lo sério, sem esboçar um sorriso, antes de corridas decisivas.
Messi lembra muito Ayrton, Lionel sabe que precisa vencer
pela seleção, entende a cobrança sobre ele, tanto que chegou concentrado e
preocupado a final. Não se viu um sorriso, uma graça dele durante a partida,
nada. Compenetrado ao máximo. Quando perdeu o pênalti, o mundo acabou para ele.
Sofreu, como sofrem os seres humanos, mesmo ele parecendo ser um extraterrestre
às vezes.
Com a perda do título e anuncio da saída dele na seleção,
pode se ver como é adorado no mundo. A campanha #NoTeVayas roda o planeta
clamando para que volte, mude de ideia e faça das pessoas alegres novamente em
vê-lo jogando pelas corres azul e branca. Lionel nem sempre foi unanimidade na
Argentina, o fato de nunca ter jogado por um clube de lá e ter crescido na
Espanha, indo para a base do Barcelona aos 13 anos, contribuiu para isso.
Agora está mais do que provado que Messi superou isso, mais
maduro, menos tímido –até com novo visual –, têm crescido como jogador e
pessoa. Tomara mude de ideia, como Pelé mudou de ideia em 1966 após perder na
Inglaterra e foi para o México vencer o Tri.
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Messi é gênio - é menor que Maradona para os argentinos, e
acredito que sempre será, mas é melhor que ele-, pode ser que falte uma
conquista pela seleção, o que não fará dele menos craque como não fez Zico.
Ao mesmo tempo não deixará de ser algo que ele irá lamentar
pelo resto da vida e não conseguirá provar algo aos céticos de seu futebol.
Messi já disse preferir ganhar uma Copa do Mundo a uma Bola de Ouro. Ele ainda
pode conseguir em um roteiro ainda mais dramático que seria o desta Copa
América, para isso terá de mudar de ideia.
Messi é um ídolo, com poucas palavras, um lado meio
“sombrio” e com muita alegria para dar as pessoas. Amado como Senna. Que também
seja eterno.
Matéria publicada em O Atibaiense em 02/07/2016
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