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Ser técnico é entender o jogo e tornar a vitória mais plausível


Pep Guardiola ficou muito incomodado após perder por 4x0 para o Barcelona e escrevi neste espaço que até os gênios tem seus dias de estúpidos no futebol. Em duas semanas tudo mudou em Manchester.

Quem acompanha Pep minimamente, sabe o quanto o treinador é obstinado pela vitória e por superar seus desafios, não fosse provavelmente ainda seria técnico do Barcelona. Ele deve ter visto muitas vezes o tape do jogo no Camp Nou, rabiscado em seu caderninho as possibilidades de encontrar a maneira certa para derrotar o adversário.

Em busca de novidade não se contentou em passar um vídeo motivacional, dizer para ralar o traseiro no chão, comer grama ou usar os familiares chorando – isso por mais patético que possa parecer, muitas vezes funciona.  Ele mudou completamente a maneira do time jogar. Primeiro começou com Agüero de centroavante, De Bruyne jogou aberto pelo lado esquerdo no 4-1-4-1. Segundo, foi mais reativo, teve menos posse de bola (40% x 60%), roubou a bola no ataque, asfixiou a defesa do Barça com muita gente pressionando. Deixou de lado as preferencias dele, adaptou-se ao jogo, entendeu a superioridade técnica do rival e fez com que o trio MSN (Messi, Suárez e Neymar) participasse o mínimo do jogo. Venceu.

Técnico bom é aquele que entende a necessidade de cada jogo, que é capaz de encontrar alternativas, mudar a maneira de a equipe jogar para fazê-la jogar bem e vencer. Guardiola é isso, estuda e traz novidades as equipes, nem sempre consegue o resultado, mas quase sempre joga bem.

Marcelo Oliveira é, claramente, copeiro. Chega a sua quinta final de Copa do Brasil em seis anos, venceu a do ano passado e ainda dois Campeonato Brasileiros. Mas não diria que é um dos melhores técnicos brasileiros e não gostaria de tê-lo no meu time. Não o acho má pessoa, pelo contrário, até acredito que isso seja o diferencial dele, a maioria dos jogadores gosta dele, consegue pilhar o elenco em jogos grandes. Porém não encontra alternativas, não mostra evoluções táticas ou técnicas.

Ano passado virou o ano com o título da Copa do Brasil e a missão de fazer o time trabalharem melhorar a bola e jogar melhor. Não consegui, mostrou pouco repertório e foi parar no Galo. Lá trabalha com um elenco formidável, Robinho e Pratto colocaram o Atlético na final da Copa do Brasil, mas não encontra alternativas para compactar mais a equipe e faze-la tomar menos gols.

Já acompanhei alguns treinos do Marcelo Oliveira, era algo bem simples com um coletivo no final em que aparecia para dar instruções. Pedia para o time tocar mais a bola, mas não explicava exatamente como, nem passava exercício deste tipo, os treinos de Luxemburgo eram parecidos. Por nunca mudar a equipe não fechava os treinos, não precisava, adivinhar a escalação do Palmeiras era muito fácil, hoje é um pouco mais difícil porque o elenco do Galo tem “brigas” maiores por posição.

Isso tudo mostra que nem sempre o técnico que vence é o melhor, muitas vezes ele tá no lugar certo com o time certo. Outras vezes ele faz o time ser o certo. Esta é a diferença.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense em 05/11/2016

No futebol até os gênios tem dia de estúpidos


Todo o técnico tem as preferencias dele por jogadores, esquemas e ideias de jogo, uns são mais radicais, outros mais pragmáticos, alguns inventivos e por aí vai. Cabe a eles armarem uma escalação para cada jogo, com 11 jogadores, um esquema e uma ideia de jogo. Na noite de quarta-feira no Camp Nou, Guardiola foi mal em todos estes quesitos.

Visto como o melhor treinador do mundo – acho o mais diferente, talvez não seja o mais vitorioso, está entre os três melhores – viu sua preferencias e ideias caírem por terra e seu time tomar um sonoro 4x0 em Barcelona.

Pensou em: 4-1-4-1, De Bruyne de falso nove, Gündogan para melhorar o passe e ajudar Fernandinho na saída de bola, pressionar a defesa adversária com bastante amplitude no ataque e compactação na defesa.

Nos primeiros 16 minutos de jogo o Manchester City conseguia jogar, tinha a bola e tentava alguma coisa. Foi aí que Messi fez a diagonal da direita para o meio, Fernandinho (queridinho de Pep) caiu e deixou espaço para o argentino abrir o placar.

Ainda havia jogo, até Bravo errar uma saída de jogo e precisar botar a mão na bola fora da área e ser expulso. O goleiro que Guardiola trouxe e fez Hart ir para no Torino entregou de vez o jogo para o adversário. Messi fez o segundo, cortando e chutando e, depois de erro de passe de Gündogan na defesa, o argentino completou o hat-trick. Neymar ainda perdeu um pênalti e fechou o placar de 4x0.

Guardiola sempre arriscou e vai continuar arriscando, em alguns momentos dá muito errado como no Camp Nou e vira um estupido. No fim a verdade é que Messi ainda é a pedra no sapato de Pep pós Barcelona, ele acabou com a equipe dele duas vezes e os times que treinou sentem a falta de um craque para decidir o jogo a qualquer momento – De Bruyne pode ser um dia.

Já Celso Roth acertou em cheio contra o Santos no mesmo dia. Escalou o time reserva, atacou no inicio e fez 1x0, depois se fechou e no contra-ataque matou o jogo. Ninguém que conhece futebol prefere Roth a Guardiola, mas os acertos nas escolhas foram opostos.

Os craques ainda decidem e por vezes o gênio vira o estupido, o futebol é feito de escolhas e um dia você pode errar todas.


Conquistar um Brasil de cada vez

Como é difícil um time ganhar duas competições com fase de definição próximas no Brasil. É impressionante! Desde o Cruzeiro em 2003 nunca o campeão do Campeonato Brasileiro é o mesmo da Copa do Brasil.

Em 2003 a Raposa conseguiu vencer, mas com a Copa do Brasil acabando em junho e o Brasileiro em novembro. Desde que há a Copa do Brasil, 1989, há também apenas o Cruzeiro de 2014 que chegou a final - vice do Atlético-MG.
Este ano só acontecerá se o Galo disparar no BR-16 alcançar o Palmeiras, e, ainda, ir bem no mata-mata final da Copa do Brasil. Improvável.

Quando se fala de títulos importantes em sequencia se lembra do Flamengo de Zico em 1981, campeão Carioca, da Libertadores e Mundial em menos de um mês.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense em 22/10/2016

Tudo azul


Era nítido a divisão de filosofia de jogo e a rivalidade que se estabeleceu em Manchester no lado vermelho x azul.

Hoje pelo clássico da cidade no Old Trafford na Premier League se viu um estilo contra o outro, José Mourinho x Pep Guardiola.

Pep armou o time no 4-1-4-1, com mudança entre os laterais que vinha usando, foi de Kolarov na esquerda e Sagna na direita. No ataque o time ficava com os extremos (Nolito e Sterling) abrindo espaço nas laterais, Silva e De Bruyne na criação e Ihenacho enfiado entre os zagueiros. Fernandinho tinha o papel importante de fechar a linha de passe em direção a Rooney.

Mourinho fez mais alterações do que o imaginado, Lingard foi titular no lugar de Martial, além de Mkhitarian no lugar de Mata. O desajeitado e maldoso Fellaini além de Pogba na volancia.



Em campo o que se viu foi o City muito melhor em campo, trocando passes, com vantagem numérica e levando perigo a zaga vermelha. Bravo dava mais passes que Rooney. Era o jogo de posição levando ampla vantagem.

Os blues saíram na frente, mas em uma jogada diferente da característica guardiolista. Chutão de Kolarov, casquinha de Ihenacho deixando De Bruyne, após falha de Blind, cara a cara com De Gea para abrir o placar.

Em pleno Old Trafford o City mandava, Guardiola fazia graça com a bola após ela sair de campo e Rooney não gostava.

O domínio dos visitantes levou ao segundo gol. Troca de passe do goleiro até De Bruyne finalizar sem angulo na trave e no rebote Ihenacho fazer 2x0.

Estava fácil, só dava blues, porém uma falha de Bravo mudou o jogo. Cruzamento na área, rebatida do goleiro e Ibrahimovic aproveitou para fazer 2x1.

O United voltava ao jogo.



Isso já era no final do primeiro tempo e para a segunda etapa Mourinho mexeu bem na equipe. Colocou Herrera na volancia e passou Pogba para o meio de campo, mandando Rooney para a direita. Entrou tambem Rashford no lugar de Lingard.

O Manchester City sentiu a pressão de Old Trafford e errou alguns passes na defesa, deu margem para o vermelhos empatarem.

Pep reagiu colocando Fernando no lugar de Ihenacho. Assim De Bruyne virou o centroavante.



O jogo voltou a ficar mais para o City que chegou a acertar a trave com o Zico loiro, De Bruyne, melhor em campo.

No final o abafa no Fergie Time não resultou em gol, e ainda se viu ,pasmem, uma caneta de Fernandinho em Pogba.




O lado azul levou a melhor no primeiro clássico de Manchester, Mourinho levou a pior outra vez e o primeiro tempo do City foi algo de sensacional, jogo eficiente além do conceito do jogo de posição.

Não foi só no papel, nem só no jogo de posição, o primeiro gol foi mais ao estilo Galo doido de Cuca.



Prancheta #2: jogo de xadrez de Manchester


"Garry Kasparov balançou a cabeça enquanto terminava o prato de salada. Usou as mesmas palavras pela terceira vez: “É impossível”. Já falava com um tom de irritação na voz. Pep Guardiola insistia em lhe perguntar as razões pelas quais considerava ser impossível competir com o jovem mestre Magnus Carlsen, o mais promissor enxadrista do momento."

Assim começa o livro Pep confidencial de Martí Perarnau, traduzido pelo editora Grande área para o Brasil. Um papo entre um dos maiores treinadores do mundo com um dos maiores enxadristas (jogador de xadrez) que já existiu.

Neste sábado Manchester United e Manchester City fazem o clássico da cidade pela Premier League, e o ingrediente principal do confronto é o duelo José Mourinho x Pep Guardiola. Este início do livro tudo a ver com o jogo e com o que os treinadores se tornaram no meio do futebol. 

O termo jogo de xadrez para uma partida de futebol nem é algo tão novo, mas o conceito de treinadores estrelas sim. Dos antigos há os Rinus Michels da vida, os Telês Santanas e entre outros. Há também os Cruyfs e Beckenbauers, mas este foram grandes jogadores, então são ídolos de antes de dirigir os clubes.


Com Pep Guardiola e José Mourinho é diferente, são estrelas, tem os nomes cantados pelas torcidas, cachecóis, camisas, antes mesmo de ganharam um único título pelo clube, já assumiram as equipes com estrelas. 

O diferencial é que eles representam uma ideologia, um estilo de jogo com que cada um se identifica e torna algo como um politica de estado, quase como se um fizesse ser time ser de esquerda ou de direita. O de Guardiola mais ofensivo, complexo, com longa troca de passes, o jogo de posição. O de Mourinho mais defensivo, simples, o jogo reativo. Não há certo nem errado, apenas conceitos de jogo.

O estilo de Mou é mais pragmático, requer menos tempo de trabalho porém é muito eficiente. O maior problema do português é por vezes desgastar muito seus jogadores e perder o time - aconteceu há pouco no Chelsea. Pep também tem alguns problemas de relacionamento com jogadores do clube dele, Yaya Toure e a prova disso, é um personagem mais "legal" do que o mal-humorado Mourinho.

Já fizeram vários duelos memoráveis entre Barcelona x Real Madrid, além do Barça e Internazionale de 2010. Agora são rivais da mesma cidade.
Ainda há coisas no time de Pep para evoluir em seu estilo de jogo, menos no de Mourinho
Além da rivalidade dos treinadores existe a longa rivalidade dos clubes na cidade, o United que sempre batia no rival enfraquecido viu-o crescer e bater de frente, ganhar campeonato e até fazer 6x1 no Old Trafford. 

Um jogo com muitas estrelas, Ibrahimovic, Pogba e Rooney de um lado, Bravo, de Bruyne e Silva do outro.

Na Premier League ambos tem 100 % de aproveitamento e são dois dos favoritos ao título.

Amanhã não há favoritos, o United tem a vantagem de jogar em casa e de contar com todos os jogadores, o City não pode escalar Agüero, machucado. No maior campeonato do mundo no momento - mais rico também - , o clássico com a maior ansiedade na atualidade.

Tem tudo para ser um grande jogo, ingredientes não faltam.


Manchester United x Manchester City

Sábado, 10/09/2016, 8:30
Premier League, 4° rodada, Old Trafford

Manchester United: (4-2-3-1) De Gea, Valencia, Bailly, Blind e Shaw; Fellaini e Pogba; Mata, Rooney e Martial; Ibrahimovic. José Mourinho.

Manchester City: (4-1-4-1) Bravo, Zabaleta, Stones, Otamendi e Clichy; Fernadinho; Sterling, De Bruyne, Silva e Nolito; Ihenacho. Pep Guardiola.


Da Inglaterra à Alemanha, futebol interligado


O Liverpool de Jürgen Kloop vai ficando cada vez mais com a cara de seu treinador e forte. Depois dos 4x0 no Barcelona na pré-temporada, venceu o Arsenal no Emirates por 4x3. 

Com intensidade, velocidade e sufoco nas últimas linhas adversárias, a qualidade do quarteto ofensivo no um contra um aparece.


Firmino, Coutinho, Mané e Lallana dão a qualidade ao ataque, ninguém é centroavante, mas Coutinho parece para fazer um gol de nove. Ele também é cada dia melhor ao bater na bola, fez um golaço de falta hoje. 


O esquema ofensivo dos Reds lembra o Brasil Olímpico.




O Arsenal pão duro, que não contrata, sofre pela falta de qualidade e excesso de juventude. A defesa do Liverpool sofreu três gols, precisa melhorar.




No ex-clube de Kloop, o Borussia Dortmund, ainda joga de uma maneira parecida. Mas agora dirigido por Tuchel fica mais com a bola o pé do que com Jürgen.

Na disputa da Supercopa da Alemanha contra o Bayern, em casa, no Signal Iduna Park, o Dortmund ficou com 51% de posse de bola e finalizou 20 vezes. Porém o time sem Mkhitaryan, Gündogan e Hummels - agora do outro lado - não mandou na partida - Schürle e Götze ficaram no banco.

Ramos e Dembélé erraram muitas finalizações e as boas pararam em Neuer.



Do outro lado viu-se um Bayern de Munique diferente com Carlo Ancelotti, mais simples e objetivo - talvez até mais alemão. O técnico italiano está entre Guardiola - ex-técnico dos bávaros - e Mourinho, trabalha este Bayern já com traços do último trabalho dele no Real Madrid.

Vidal foi o Di Maria do melhor Real Madrid dos últimos anos, o de 2013-14, meia pelo centro no ataque e ponta pelo direita na hora de defender, o 4-3-3 vira 4-4-2 na hora de defender. 

O chileno é muito bom jogador, abriu o placar chegando como elemento surpresa e foi bem na defesa, peça fundamental neste novo esquema.


Vidal abre na direita, Müller fecha e fica na frente das linhas de quatro

A partida ficou 2x0 para os bávaros, Müller fez o segundo em bola parada.

Os jogadores que entraram em campo do Bayern estão mais acostumados em jogar junto do que os do Dortmund - apenas Hummels era novidade.

Com o tempo, o Borussia vai se encaixar e ameaçar mais o rival.

O técnico mudou em Munique, mas a simplicidade dele, como descreveu Ribery, até cutucando Pep, pode fazer o time rapidamente se adaptar e seguir forte na Alemanha.




Ah, Mourinho já começou a trabalhar no United, e por enquanto joga desta maneira. Onde Pogba entra neste esquema?



Pep começa a dar nova cara ao City


Guardiola chama atenção por tudo o que faz no futebol.

No prólogo da era Pep, estreia da Premier League contra o Sunderland, mostrou muitas mudanças na equipe.

Pep usou o 4-1-4-1, que só sem matinha este desenho no momento defensivo
Começando pelo goleiro, Hart, criticado na seleção inglesa, sendo acusado de falhar em um dos gols da Islândia, ficou no banco. Caballero mais experiente e melhor com a bola no pé foi o preferido.

Na zaga, o jovem e recém contratado Stones, e a surpresa do lateral-esquerdo Kolarov no lugar de Otamendi. Laterais Sagna e Clichy, no momento ofensivo fechavam pelo meio, viravam quase que volantes, deixavam as laterais do campo para os pontas. Lahm e Alaba faziam semelhante no Bayern.

Pep não gostou de Luiz Gustavo ao chegar no Bayern - o brasileiro foi para o Wolfsburg - já ao chegar no City gostou de Fernandinho. Hoje foi o único volante volante no 4-1-4-1. Na frente do brasileiro, De Bruyne e SIlva foram os meias.

Nolito estreou na ponta esquerda e Sterling ficou do outro lado. Agüero foi o centroavante. 


No momento ofensivo Clichy virava quase que um volante
pela esquerda, Fernandinho dava segurança na defesa.

Jogando em casa, com boa posse de bola, linhas altas o Manchester City mandou em todo o primeiro tempo, abriu o placar com Agüero batendo pênalti sofrido por Sterling. Poderia ter feito mais tendo em vista o pouco poder ofensivo do outro lado.

No segundo tempo o Sunderland cresceu na partida e empatou com Defoe (aquele), aproveitando a defesa atrapalhado com Kolarov e Cia.

O City ainda conseguiu arrancar a vitória, quando Navas, que entrou no segundo tempo, cruzou e McNair fez contra.

A partida era fácil, jogo para ganhar os três pontos. Está missão o City cumpriu, mas a de encantar ainda não.

É muito, muito cedo para qualquer, qualquer prognostico. A partida serviu para mostrar como algumas ideias não funcionaram muito bem.

Pep Guardiola deverá quebrar um pouco a cabeça, a defesa precisa ser mais solida, o meio mais participativo e o ataque perigoso. Com o tempo é normal que melhore.

Era Guardiola chega ao fim


A imagem acima mostra como Pep Guardiola é respeitado pelos jogadores do Bayern, ou pelo menos a maioria. Lahm - um dos jogadores que mais gosta de Pep e mais evoluiu com ele, o oposto é reciproco - o entrega a taça da Copa da Alemanha para que erga a sobre sua cabeça em seu último ato como treinador em Munique. De saída para o Manchester City o treinador deixou um bom legado ao clube.

Claro que sempre quando lembrarem de Guardiola no Bayern de Munique dirão "mas ele não ganhou a Champions...". Sim é verdade, perdeu as três edições que disputou na semifinal para times espanhóis - Real Madrid campeão em 2014, Barcelona campeão em 2015 e Atlético de Madrid em 2016. Mas na avaliação não vale só os títulos - e se valer ele foi tricampeão Alemão, bicampeão da Copa da Alemanha, um Mundial de Clubes e uma Supercopa da UEFA.

Só que não há jeito, muitos vão o criticar pelo taça continental não conquistada - de fato o principal objetivo do clube e ficou devendo - e dizer que o tri alemão era obrigação com o elenco que tinha. Mas falar em fracasso é balela, o tri fecha um tetra até então inédito na Alemanha.

O treinador chegou na Alemanha - país do futebol tático - para mudar, não só ser campeão. O futebol mescla o tangível e o intangível, gols, títulos, vitórias tem valores diferentes, assim como as derrotas e rebaixamentos. O Bayern já consolidado como clube, em todos os sentidos, buscavam um selo de identidade, conseguiu.



Durante toda a passagem de Pep na Alemanha o time não foi só de Robben, Lahm, Neuer, Ribery, Lewandowski e Douglas Costa, foi o time de seu treinador, revolucionário e com uma ideia de jogo bem definida. Além de muito popular.

O tiki-taka está impregnado em seu nome - mesmo ele não gostando do termo - e fez com que os bávaros jogassem assim. Não funcionou de primeira, mas com o tempo o time passou a jogar ao seu estilo. Sem deixar de lado o deles.

Com ele o Bayern tem uma boa saída de bola, mas não deixa de lançar a bola na área, gosta de sair jogando, mas também faz ligação direta, troca passes até achar o espaço e dá contra-ataques. O time é muito completo joga com mistura de ideias de seu técnico e jogadores. Tem contra-ataques, ligação direta e joga bonito.


Claro que em sumo é um time de posse de bola, que alterna em alguns momentos como nas oitavas de final da Champions contra a Juve e vence quase no "Muricybol " quando a coisa aperta.

Joga contra o Manchester City em 2013, domínio e posse de bola impressionantes

Com os jogadores teve seus problemas. Mandzukic e Pep nunca se deram muito bem, mas a qualidade do croata o fez titular em 2013/14 - depois deixou o clube. Robben e Ribery não foram os mesmos com ele, sentiram muitas lesões e por causa disso Guardiola arrumou confusão com os médicos do clube, que saíram. Gotze nunca encaixou.

Lahm atuou muitas vezes de volante, e em outras como na própria final da Copa da Alemanha se deslocou para o meio depois de passar da metade do campo. Javi Martinez virou zagueiro, Alaba zagueiro/lateral e evoluiu demais, Boateng também. Douglas Costa esse ano saiu do ostracismo e virou um dos queridinho do treinador jogando muita bola.


Bayern chegou a jogar sem zagueiro de origem nesta temporada

Não acho que tenha chegado ao patamar de excelência do Barcelona de 2011, quando além de um jogo coletivo perfeito contava com um gênio: Messi. Talvez nunca mais consiga.

A passagem de Pep Guardiola deixou legado em Munique e pode ser melhor percebida com o passar do anos. Foi uma fase interessante de um grande time de futebol. Passou. Fim da Era Guardiola.

O bom no futebol é que passando essa página vem a do Manchester City, novos desafios, vida nova. Bom também que deixa para traz alguns desgastes que acabou provocando no ex-clube, faz parte. Além de se desentender com os médicos, teve problema com a diretória na questão de compra de jogadores e seu ego também atrapalhou em alguns momentos.

Agora vai para um clube rico, que sonha subir de patamar e chegar ao título da Champions.

Opa, de novo a mesma história? Terá de vencer a Liga dos Campeões de novo? Sim, ele paga pelo próprio sucesso.


Guerra civil


Vivemos agora (talvez mais que antes), em uma era de bom x mal, preto x branco, petralha x coxinha, esquerda x direita. Esse ying yang que apenas um lado presta. Na bola é a era do Guardiola x Simeone (ou Mourinho), na linguagem do campo: posse de bola x contra-ataque. Como se apenas uma dessas maneiras fosse a ideal.

No filme Capitão América 3: Guerra Civil não existem vilões, apenas heróis que com convicções diferentes acabam brigando. Não existe bem contra o mal, é o time do Capitão América contra o do Homem de Ferro, ambos são mocinhos. No futebol na maioria das vezes é assim que funciona. Por mais que você acredite que o seu rival é sempre o mal (normal que assim seja) é uma disputa de forças. E apenas nesse caso, no coração de torcedor, existe bem e mal.

Agora com Barcelona e Bayern de Munique (times da posse de bola) eliminados e o Atlético de Madrid na final da Champions (time do contra-ataque e futebol força) existem os críticos para os dois lados. Aí cabem duas observações: primeiro que não existe apenas duas formas de jogar - o Real Madrid é uma equipe que mescla bem o domínio da bola com velocidade e contra-ataques; e segundo que ambos os jeitos têm suas vantagens e desvantagens.

Particularmente prefiro times que jogam com a bola, como as duas potências acima, o próprio Audax, ou voltado lá atrás com o Brasil de 1982. Mas não consigo ver demérito na bola que joga o Atlético, a equipe sabe cumprir muito bem o trabalho de bolas paradas, diminuição de espaços e contra-ataques. Tudo isso com muita raça e confiança características de Simeone. Há quem goste mais disso do que tabelas intermináveis do trio MSN ou do Bayern. Além de tudo isso, um contra-ataque bem feito também é uma jogada muito bonita de ser ver no futebol, não deve ser deixado de lado.

No fim isso tudo é uma discussão interminável que com o passar dos anos ganha personagens diferentes, mas os resultados são parecidos. O Atlético prova que daqui pra frente, mesmo com a evolução de Guardiola, o futebol dos campeões não será apenas o da posse, e que ele não é imbatível. 

Corinthians

Mais uma vez eliminado em Itaquera – desta vez para o Nacional (URU) –, o Timão não está maduro, tem vários defeitos e não venceu nenhum adversário difícil no ano. Nesta queda o alvinegro foi a campo com a base deste ano, que de quase nada tem a ver com a do ano passado.

Tite até tenta implantar o mesmo jeito de jogar, só que além de levar tempo é preciso encaixar o estilo de jogo. Ainda não conseguiu, a experiência do elenco pesa.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense em 07/05/2016

Bayern fica no quase

Na partida de ida Guardiola quis surpreender Simeone, recuou o time com meio campistas e jogadores de bom passe. Sem Müller e com Xabi Alonso a ideia era ficar o maior tempo possível com a bola. Jogar pelo empate fora de casa.

Não deu certo, o golaço de Saúl e a "superdefesa" do Atlétic fizeram com que a posse de bola maior do Bayern importasse pouco. O jogo ficou 1x0 para a equipe de Madri que poderia jogar pelo empate em Munique.



Hoje, como disse ontem em entrevista, Pep foi para atacar com 10. Na escalação mais ofensiva possível - fora da maluquice. Foi com: (4-3-3) Neuer, Lahm, Javi Martínez, Boateng e Alaba; Xabi Alonso, Müller e Vidal. Douglas Costa, Lewandowski e Ribery.

Com Thomas Müller no meio, o time ganha mais um homem na área. Inteligente, com bom tempo de bola, cabeceio e qualidade enorme de finalização, o ataque ficava bem mais forte - difícil entender porque Pep deixou o no banco na partida de Madri.

Aos 19 minutos o camisa 25 do Bayern recebeu na área e deixou para Lewa finalizar em boa defesa de Oblak.



Ribery em chute de longe levou perigo também.

Com Alaba na lateral esquerda - e não na zaga como na ida - aparecia bastante no ataque e sofreu uma falta perto da área. Xabi Alonso cobrou com força, ela desviou quando passou entre as pernas de Giménez e morreu dentro do gol.


Empate na vantagem.


Em Munique era ataque dos de vermelho contra defesa dos de azul. Não só ficavam com a bola como atacavam, atacavam e atacavam o Atlétic. 

Em um cobrança de escanteio, Martínez foi agarrado, pelo mesmo Giménez que desviou no gol bávaro, e pênalti. 

Müller foi para mudar a vantagem de lado e virar o placar. E não é que ele perdeu? Em ótima defesa Oblak impediu o 2° gol alemão.


Toda a pressão bávara no primeiro tempo resultou em 76% de posse (298 passes), com 16 chutes. Muito mais produtividade, até por ter mais poder ofensivo que na ida.

Para o Atlético estava difícil, as coisas não aconteciam.


O resultado não era bom para o Atlético, não o eliminava, mas levava para os penais. Foi então que o Simeone resolveu colocar Carrasco, adiantar um pouco sua equipe e jogar também. Foram apenas dois chutes na etapa inicial.


E não é que com 8 minutos, em contra-ataque Torres deixou Griezmann cara a cara com Neuer e arrematou em gol. Difícil dizer o quanto a mexida influenciou.

Agora a vantagem era dos espanhóis e com esse gol fora de casa só o 3x1 serviria para os alemães.




Depois do gol o impeto, coragem e confiança alemã já não eram mais os mesmos. Bem menos intenso no ataque tinha muito mais dificuldade de jogar que na epata inicial.


Só que nada como um gol para mudar tudo.


Em cruzamento de Alaba - um dos melhores em campo - Vidal ajeitou para Lewandowski completar para o gol quase de baixo das traves.




Agora o lado emocional era do Bayern de Munique, que passou a arriscar tudo, atacar como nunca.


Os alemães passavam pelos 30 arremates na partida quando uma escapada de Fernando Torres resultou em pênalti mal marcado pelo juiz. Martínez, de fato fez a falta, só que fora da área. 

E não é que Torres desperdiçou a chance de matar o confronto?

Havia jogo em Munique, mas partida ia chegando ao final, as chances apareciam para o Bayern, mas nada da bola entrar. 

Nada de gol.


O Atlético de Madrid está na final, buscará o título inédito.




Foi um grande jogo, Guardiola outra vez foi eliminado na semifinal para um time espanhol pelo Bayern de Munique, só que desta vez foi por pouco, pelo gol fora de casa. A partida em Madri custou a classificação. Pep deixará o Bayern sem Champions.


Todo ano colocamos Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique como favoritos pelo título da Liga dos Campeões. Um deles esteve nas últimas sete finais, mas a final nunca é entre eles, alias, nunca foi.

Com o Atlético de Madrid na final, ainda não é desta vez que os "favoritos" faram uma final.
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