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Ser técnico é entender o jogo e tornar a vitória mais plausível


Pep Guardiola ficou muito incomodado após perder por 4x0 para o Barcelona e escrevi neste espaço que até os gênios tem seus dias de estúpidos no futebol. Em duas semanas tudo mudou em Manchester.

Quem acompanha Pep minimamente, sabe o quanto o treinador é obstinado pela vitória e por superar seus desafios, não fosse provavelmente ainda seria técnico do Barcelona. Ele deve ter visto muitas vezes o tape do jogo no Camp Nou, rabiscado em seu caderninho as possibilidades de encontrar a maneira certa para derrotar o adversário.

Em busca de novidade não se contentou em passar um vídeo motivacional, dizer para ralar o traseiro no chão, comer grama ou usar os familiares chorando – isso por mais patético que possa parecer, muitas vezes funciona.  Ele mudou completamente a maneira do time jogar. Primeiro começou com Agüero de centroavante, De Bruyne jogou aberto pelo lado esquerdo no 4-1-4-1. Segundo, foi mais reativo, teve menos posse de bola (40% x 60%), roubou a bola no ataque, asfixiou a defesa do Barça com muita gente pressionando. Deixou de lado as preferencias dele, adaptou-se ao jogo, entendeu a superioridade técnica do rival e fez com que o trio MSN (Messi, Suárez e Neymar) participasse o mínimo do jogo. Venceu.

Técnico bom é aquele que entende a necessidade de cada jogo, que é capaz de encontrar alternativas, mudar a maneira de a equipe jogar para fazê-la jogar bem e vencer. Guardiola é isso, estuda e traz novidades as equipes, nem sempre consegue o resultado, mas quase sempre joga bem.

Marcelo Oliveira é, claramente, copeiro. Chega a sua quinta final de Copa do Brasil em seis anos, venceu a do ano passado e ainda dois Campeonato Brasileiros. Mas não diria que é um dos melhores técnicos brasileiros e não gostaria de tê-lo no meu time. Não o acho má pessoa, pelo contrário, até acredito que isso seja o diferencial dele, a maioria dos jogadores gosta dele, consegue pilhar o elenco em jogos grandes. Porém não encontra alternativas, não mostra evoluções táticas ou técnicas.

Ano passado virou o ano com o título da Copa do Brasil e a missão de fazer o time trabalharem melhorar a bola e jogar melhor. Não consegui, mostrou pouco repertório e foi parar no Galo. Lá trabalha com um elenco formidável, Robinho e Pratto colocaram o Atlético na final da Copa do Brasil, mas não encontra alternativas para compactar mais a equipe e faze-la tomar menos gols.

Já acompanhei alguns treinos do Marcelo Oliveira, era algo bem simples com um coletivo no final em que aparecia para dar instruções. Pedia para o time tocar mais a bola, mas não explicava exatamente como, nem passava exercício deste tipo, os treinos de Luxemburgo eram parecidos. Por nunca mudar a equipe não fechava os treinos, não precisava, adivinhar a escalação do Palmeiras era muito fácil, hoje é um pouco mais difícil porque o elenco do Galo tem “brigas” maiores por posição.

Isso tudo mostra que nem sempre o técnico que vence é o melhor, muitas vezes ele tá no lugar certo com o time certo. Outras vezes ele faz o time ser o certo. Esta é a diferença.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense em 05/11/2016

Ficou fácil


A partida começou com a Argentina dominando a bola no Mineirão, o Brasil não esperava o time de Bauza assim então demorou um pouco para entender a partida.

Messi dominava o meio campo e Fernandinho na cola dele sofria para para-lo. Usava o recurso da falta, levou cartão com poucos minutos.

Parecia que seria um jogo muito complicado e difícil para o Brasil. E não é que acabou virando fácil? 

3x0.


Neymar achou Coutinho aos 24 do primeiro tempo, ele acertou um chutaço de fora da área e marcou um golaço.

O jogo não mudou, a Argentina persistiu com a bola, mas não tinha chances claras, a seleção brasileira fechava bem os espaços.

Coutinho acionou Neymar, bola na trave.

As duplas no espaço da Argentina funcionavam. Gabriel Jesus achou Neymar na esquerda, para, no último minuto da primeira etapa, fazer 2x0.

Desespero entre os argentinos, a seleção até tinha a bola 53% no primeiro tempo (chegou a ser 57%), mais volume de jogo, finalizou sete vezes e perdia.

O Brasil, em quatro chutes havia feito dois gols  e acertado a trave. É do futebol. O time de Tite estava mais tranquilo, vencia porque tinha bons jogadores e confiança.


Bauza fez uma mudança até pertinente, mas que não rolou. Perez por Agüero resultou no time com um marcador a menos e não ganhou um atacante.

A Argentina deu mais espaço, o Brasil aproveitou. Paulinho perdeu um gol após driblar Romero em contra-ataque, mas não olhar para o gol na hora do arremate. Depois em nova oportunidade fez o 3x0. Tite correu para comemorar com a equipe na bandeirinha de escanteio.

Acabou o jogo, a Argentina desistiu, o Brasil passou a brincar com a bola e buscar o 4° gol. Neymar fez graça, driblou, perdeu gol, Gabriel Jesus deu chapéu dentro da área, Firmino perdeu um gol feito.

O jogo não ficou 4x0 por detalhe e por a seleção brasileira entender que o jogo estava morto. Valeu para Douglas Costas estrear com Tite.

Messi deu uma arrancada no final, mas ficou sem a bola. Bauza pensa que um time com atacantes é ofensivo, mas não funciona assim. Correa entrou e juntou ao trio que estava em campo. Não seu em nada.



O 3x0 sinaliza um jogo de dois times forte tecnicamente, mas muito distantes no quesito equipe. O Brasil em pouco tempo encaixou com Tite, é confiante, coletivo e tranquilo com as ideias de jogo, a Argentina não. Mesmo dominando mais a bola não conseguiu transforma-la em gol, com muito menos a seleção fez 3x0.

A geração brasileira é boa.

O Brasil é o primeira nas eliminatórias, a Argentina está em 6°.

O palco de 7x1 agora é o palco do 3x0, nada de zica de estádio, só coincidência.

E falando do Mineirão, o mosaico planejado pela CBF não funcionou, porque faltou gente, ingresso muito caro, não há o que fazer.


A seleção está forte, é impressão a cada jogo.


Mosaico furado

Seleção brasileira pronta para a revanche?

 

No boxe, não precisa nem valer o cinturão, basta um lutador não ter o resultado esperado e ele que uma revanche.

O Brasil sofreu um enorme nocaute diante da Alemanha no Mineirão, os 7x1 que traz um sentimento de revanche ainda não concluído – a seleção olímpica não conta. Com a chegada de Tite o Brasil melhorou: quatro jogos, 100% de aproveitamento, 12 gols marcados, um sofrido. Mas ainda não está pronto.

A Alemanha vem com Joachim Löw desde 2006 no comando técnico, de lá pra cá a renovação foi constante. Schweinsteiger é o novo aposentado, Kimmich, Hector, Draxler e Götze – de volta ao Dortmund, para evoluir novamente – fazem parte da nova turma, podem estar no time titular em 2018. Em três jogos nas Eliminatórias tem 100% de aproveitamento, oito gols marcados, nenhum sofrido, diante da Irlanda do Norte tiveram 70% de posse de bola e finalizaram 22 vezes, Khedira fez o primeiro gol depois dos 7x1. Madura, está na frente do Brasil.

A evolução da seleção brasileira desde a saída de Dunga é evidente, Tite melhorou o ambiente, achou um jeito e esquema de jogar, com um trabalho incansável de obter informações e evoluir a cada dia. Porém não é só ele – se Dunga tivesse Gabriel Jesus no time, o desempenho seria bem melhor -, o time ainda está verde e há coisas para acertar.
Alisson precisa ser mais testado, não me passa tanta confiança como Diego Alves – meu escolhido -, a zaga pode melhorar com Thiago Silva, Paulinho pode ser trocado por um jogador mais técnico e preparado para grandes jogos, assim como o oposto de Neymar no 4-1-4-1 ainda pode ser Douglas Costa. Estas são alterações que irão ocorrer ao longo do tempo.

Já se passaram 830 dias dos 7x1, no dia 10 de novembro a seleção volta a jogar no Mineirão, a Argentina de Edgardo Bauza é o adversário. O treinador sofre para acertar a seleção sem Messi, Di Maria, Dybala, Agüero e Higuain, quase quatro atacantes, não deram em nada. Com Gaitan no lugar de Dybala foi ainda pior, perdeu para o Paraguai em casa.

Messi é fundamental para o desempenho da seleção argentina, deve jogar contra o Brasil no maior teste de Tite pela seleção brasileira. A vez da revanche ainda não chegou e talvez nem chegue, futebol é diferente, o momento é de crescer como equipe para a Copa, o Brasil pode conquista-la sem precisar bater a Alemanha, estará de bom tamanho.

Matéria publicado no jornal O Atibaiense em 15/10/2016

Qualquer um tem chance com Tite


A lista de Tite trouxe outras novidades: Alex Muralha (Flamengo), Thiago Silva, Fernandinho, Oscar, Douglas Costa e Firmino. 
Thiago Silva já estava determinado que voltaria, só recuperava de lesão, assim como Douglas Costa. Fernandinho vinha jogando bem pelo City é natural a volta, assim como Firmino no Liverpool.
Oscar foi convocado e Tite explicou ter conversando com Conte sobre o jogador, o fato de atuar no meio do 4-1-4-1 ajudou - mesma posição de Paulinho.
Surpresa mesmo é convocação de Muralha, Grohe ficou de fora e Diego Alves, voltando de lesão, jogou o último jogo não foi convocado.
Gil, Paulinho, Giuliano seguem, Taison está fora, Rodrigo Caio, Rafael Carioca e Gabigol também. A maior surpresa dos jogadores fora é o recém contratado pela Internazionale. Luan ainda fora.
O treinador da seleção prioriza o estudo do jogos, a conversa com os jogadores e os técnicos. Disse na entrevista que conversou com Marcelo e Thiago Silva logo quando assumiu o comando da seleção.
O senso de equipe é algo que ele prioriza, trocaria algumas coisas desta lista dele, Giuliano e Paulinho ainda não me convencem, mas é melhor que a última.
Tite já convocou Taison, agora traz Muralha, ele pode trazer qualquer outra surpresa daqui pra frente. Pode estar errado pelo menos pensa fora da caixinha - e estuda bastante.
São 24 jogadores, Paulinho está suspenso então Tite convoca ele e mais um, porém terá de cortar alguém para o segundo jogo.
O Brasil jogo com a Bolívia no dia 6 de outubro, em Natal, depois contra a Venezuela, em Mérida, no dia 10.
Goleiros: 
Alisson
Muralha
Weverton
Zagueiros:
Gil
Marquinhos
Miranda
Thiago Silva

Laterais:
Daniel Alves
Fagner
Filipe Luís
Marcelo

Meio-campistas:
Casemiro
Fernandinho
Giuliano
Lucas Lima
Oscar
Paulinho
Philippe Coutinho
Renato Augusto
Willian

Atacantes:
Douglas Costa
Firmino
Gabriel Jesus
Neymar

Salta à vista


Futebol às vezes é obvio como é obvio que a seleção brasileira jogou bem nos dois primeiros jogos de Tite, que ele é o cara certo para comandar a equipe, que Neymar voltou a atuar bem, que a geração não é ruim, que o Brasil vai para a Copa de 2018 e que o torcedor da seleção é bipolar. As altas críticas viraram elogios, por a seleção ser de todos e de ninguém, todos batem nela quando perde e aplaudem quando vence, muitas vezes há o exagero.

Tite é nitidamente melhor do que Dunga, um treinador com capacidade de ganhar o grupo, armar bem a equipe e ainda falar bem. Com certa simplicidade, colocou os jogadores nas posições que atuam em seus clubes, com ideais e poucos treinamentos fez os atletas jogarem bem. O trabalho dele para por aí, ele é um treinador que erra e acerta, uma hora vai perder, é preciso ter os pés no chão.

O que se viu dos dois primeiros jogos foi bem positivo, parece que o 4-1-4-1 vai mesmo ser o esquema e os jogadores vão encaixando nas posições. O jogo “apoiado” dito pelo treinador e algumas pessoas da imprensa não é nada revolucionário, é apenas a boa troca de passes, tabelas, triangulações e opções de passe. Tite pensa em jogar assim.

Os jogadores com destaque positivo nesta primeira sequência da Era Tite são: Marcelo, Casemiro, Coutinho, Neymar e Gabriel Jesus. O melhor lateral-esquerdo do mundo, titular a muito tempo no Real Madrid só não jogava por teimosia de Dunga; o companheiro dele é um ótimo volante para desarmar e sabe sair jogando; Coutinho é habilidoso e tem ótima visão de jogo; O camisa 10 tem feito a função do Barcelona, participando bastante do jogo e na perna esquerda sendo decisivo; Jesus vai bem de frente para o gol na velocidade e de costas no pivô, pode se tornar o grande centroavante do Brasil. 

Paulinho já não foi lá estas coisas, atrasado nas jogadas fez um gol de mão sem sentido contra a Colômbia. Willian também ficou devendo, mas merece crédito para outras tentativas.

Tite pensa em um time intenso, com troca de passes até o último terço, chegando lá o talento resolvendo com criatividade e habilidade no um contra um. Este jeito de pensar lembra Guardiola, que no City, enfrenta Mourinho no primeiro clássico de Manchester entre os dois treinadores hoje. 

Porém na defesa o treinador do escrete nacional lembra mais Mourinho, é um misto dos dois, não que dizer que seja melhor que eles, acredito até que não.

A CBF demorou a fazer o óbvio, Tite era para ter chegado em 2014, perdeu-se tempo. O Brasil parece seguir no caminho certo, enfrenta a Bolívia e Venezuela nas duas próximas rodadas das eliminatórias. Parecem vitórias certas, por isso é preciso manter os pés no chão e não empolgar com o óbvio.


Matéria publicada no jornal O Atibaiense em 10/09/2016

Brasil passa também pela Colômbia


Tite treinou bastante as jogadas de bola parada. Um minuto de jogo, Miranda sobe e abre o placar em jogada de escanteio. No primeiro ataque do jogo o Brasil já vencia a Col^mbia em Manaus pelas Eliminatórias da Copa 2018.

O esquema e jogadores da canarinho foram os mesmos, porém algumas funções em campo foram um pouco diferentes. Neymar caiu um pouco mais no meio, deixou o corredor para a subida de Marcelo muitas vezes. Jesus não trocou muito de posição com ele e hoje fez mais o pivô do que correu de encontro a bola.



A Colômbia foi praticamente a mesma que enfrentou a Venezuela na rodada passada. Só Barrios foi novidade. A ideia dos colombianos era dar a bola para o Brasil e usar as bolas paradas e contra-ataques. Cuadrado tivesse inteiro provavelmente seria titular - entrou durante o jogo.



Os brasileiros tinham a bola no pé, chegaram com dois gols bem anulados e um chute perigoso de Renato Augusto de fora da área. Em um destes lances, Paulinho foi o elemento surpresa, empurrou a bola no gol, só que com a mão - recebeu amarelo.

Os colombianos apareciam pouco em campo, mas em bola parada conseguiram empatar. Marquinhos desviou contra em cruzamento de James.



A seleção brasileira é nitidamente mais criativa com Tite, ainda mais quando entraram Coutinho e Giuliano, no lugar de Willian e Paulinho. A defesa colombiana tinha mais gente do que a equatoriana, propostas diferentes. 

Três minutos após a entrada dos jogadores do banco e em uma jogada com participação dos dois, Coutinho deu o passe para Neymar finalizar cruzado e recolocar o Brasil na frente, com um chute de esquerda perfeito.

A Colômbia avançou, deu mais espaço e cansou. Os minutos finais foram do Brasil segurando a bola é um adversário cansado, 2x1.



O Brasil completou a primeira sequência de Tite com 100% de aproveitamento. O espirito, treinamento e cara de equipe foram as principais diferenças com o novo treinador.

Além dos jogadores como Marcelo de volta, jogando muito, e Neymar participando bem do jogo coletivo e sendo decisivo. Gabriel Jesus foi melhor no primeiro jogo pelas características do adversário, Coutinho foi bem nos dois jogos que entrou. Willian parece a peça que se encaixa melhor na posição do extremo direito, mas o jogador do Liverpool rendeu melhor, ele tem mais habilidade e visão de jogo. Paulinho é um jogador a se pensar, não fez grandes coisas.

No geral o prólogo de Tite foi muito positivo, tanto Equador como Colômbia fizeram partidas abaixo do que normalmente rendem, não pode ser coincidência.

O caminho da seleção parece ser o certo, com o óbvio de Tite no comando.

Prancheta: a Colômbia de James


O Brasil é enorme, repleto de regiões e com estádios bonitos (alguns elefantes brancos por causa da Copa) em todos elas. Porém a CBF escolheu Manaus, o lugar do país onde os colombianos mais se sentem em casa. Proximidade e condições climáticas são muito parecidas, a Amazônia faz parte dos dois territórios.

A seleção brasileira vai enfrentar problemas bem maiores. Diante de uma seleção com um jogo definido a seis anos e técnico a quatro (Pekerman), o entrosamento e conceito de time é maior na Colômbia.

A geração colombiana é talentosa, puxada por James Rodrigues - joga bem mais na seleção do que no Real -, há também Cuadrado, Ospina, Sanchez e Bacca. Versátil, o elenco convocado dá diversas maneiras para Pekerman colocar o time em campo.



Este deve ser o time que joga hoje contra o Brasil, mas ninguém tem certeza, nem aqui nem na Colômbia.

Com 13 pontos os colombianos estão em terceiro na tabela das Eliminatórias - são 11 gols (todos dentro da área) e oito sofridos.

Apesar da fama de ser um time violento - e o fato de que deverá mesmo bater em Neymar, até por não gostarem do jogo dele - é o time que mais recebeu faltas na eliminatória, 131. É também o time que mais desarma.

Tecnicamente a Colômbia é melhor do que o Equador, é a terceira colocada do ranking da FIFA - mesmo ele sendo discutível é algo relevante.

O Brasil deverá ser o mesmo da vitória por 3x0 na última partida. Tite pediu paciência a torcida, para encontrar espaços na troca de passes o time vai diminuir o ritmo do jogo em alguns momentos. E pediu que a equipe mantenha o padrão de atuação.


O empate é bom resultado para os colombianos, afinal, o Brasil nunca perdeu em casa nas eliminatórias.



Estatisticas: Footstats

Despertar da força?


Pelé não foi o melhor jogador da Copa de 1958, foi Didi, em 1970 Jairzinho fez gols em todos os jogos e o Rei desta vez foi o melhor. Em 1986 Maradona precisou de ajuda, não fosse Burruchaga fazer o terceiro depois da Alemanha empatar em 2x2 a final no México haveria prorrogação. Futebol sempre foi jogo coletivo, poucas vezes se vencia por causa de um jogador mandando na equipe, hoje é cada vez mais difícil.

Gabriel Jesus pode ser o parceiro que Neymar precisava. Tabelaram, revezaram na posição no 4-1-4-1, ora na ponta esquerda ora no centro. Jesus é veloz, talentoso, com boa finalização, cabeça boa e uma incrível característica de ficar na cara do gol. A dupla é de camisa 10 e camisa 9, nenhum deles é um típico jogador do número, nem precisa ser. A seleção olímpica já jogou assim, a ideia é ter vários jogadores criando e chegando à área na condição de centroavante. O Barcelona cansou de fazer isso e o Liverpool joga assim hoje.

Em tese o armador da seleção é Renato Augusto, o único jogador que coloca o pé na bola e diminui o ritmo do jogo. Jogar na China gera um preconceito, mesmo assim ele consegue fazer o que é preciso para o meio de campo brasileiro.

Tite foi o treinador brasileiro nos últimos aos que mais conseguiu tirar o máximo de seus jogadores, mesmo por vezes sendo limitados, ele entende bem as qualidades de cada futebolista. Tem o dedo dele também no segundo gol contra o Equador, escanteio curto cobrado com apenas Gabriel Jesus na área. A bola chega para Marcelo assistir Jesus, ampliando de letra.

A seleção Olímpica deu confiança a alguns jogadores, Jesus, Marquinhos e Renato Augusto jogaram muito a vontade, não fosse o ouro no peito seria diferente, tirou-se um peso das costas.

Todo cuidado deve ser tomado com a seleção, o passado está sempre aí para provar. Mas levando em conta tudo o que aconteceu, era um jogo difícil com o Equador, o novo astral e uma partida bem jogada a esperança de uma Seleção Brasileira para brigar por tudo o que disputar daqui pra frente existe.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense em 03/09/2016 

A lista de Dunga era melhor


Antes de xingar leia. 

Tite convocou pela primeira vez hoje, na verdade a lista estava pronta e faltava apenas a divulgação.

A convocação é para os jogos contra Equador e Colômbia pelas eliminatórias do Copa de 2018, onde o Brasil é sexto.

Tite enfatizou que a escolha foi só para estes jogos em especial, porém tem nomes mais contestáveis do que nos tempos de Dunga.

Gil, Giuliano, Fagner, Paulinho, Rafael Carioca e Taison são surpresas e a maioria treinou com ele, seriam os jogadores de confiança. Perguntado sobre isso respondeu que faz diferença já ter trabalhado, e citou o exemplo de Elias não ser escolhido para isto não ser um privilégio.

De todos a maior surpresa é mesmo Taison. O atacante fez 110 jogos desde 2013 no Shakhtar e marcou apenas 13 gols. Luan ou Firmino parecem ser jogadores mais aptos para a seleção.

Gil, Giuliano e Paulino também há uma série de questionamentos sobre eles.

A forma física foi levada em conta, talvez por isso Douglas Costa e Thiago Silva ficaram de fora da lista. Tite ainda enfatizou que é preciso que os jogadores se mantenham em forma para poderem ser convocados.

No restante da lista os olímpicos, alguns esperados como os Gabriéis, e outros nem tanto como Wéverton e Rodrigo Caio.

O time titular ainda é uma incógnita, mas Tite deu pistas ao dizer que gosta de ver os jogadores atuando onde jogam em seus times, assim Neymar jogaria pela esquerda e não onde jogou com Micale. Isso vale para os Gabriéis também.

Tite já mostrou competência e a principio deve fazer o time jogar mais do que na era Dunga. O que não quer dizer que hoje, minha seleção (convocada) seria mais parecida com a do ex-treinador e não do atual. Também não quer dizer que a convocação foi ruim.

Convocação

Goleiros: Alisson (Roma), Wéverton (Atlético-PR), Marcelo Grohe (Grêmio)

Zagueiros: Gil (Shandong Luneng), Marquinhos (PSG), Miranda (Atlético de Madrid) e Rodrigo Caio (São Paulo).

Laterais: Dani Alves (Juventus), Fagner (Corinthians), Filipe Luis (Atlético de Madrid), Marcelo (Real Madrid).

Meio-campo: Casemiro (Real Madrid), Giuliano (Zenit), Lucas Lima (Santos), Paulinho (Guangzhou), Coutinho (Liverpool), Rafael Carioca (Atlético-MG), R.Augusto (Beijing Guoan), Willian (Chelsea).

Atacante: Gabigol (Santos), Gabriel Jesus (Palmeiras), Neymar (Barcelona), Taison (Shakhtar Donetsk).

Zerou os títulos, ouro do Brasil!


O primeiro tempo mostrou bem como atuam as equipes. A posse de bola era bem dividida, os alemães quando tinham a bola trocavam mais passes e usavam a velocidade dos atacantes. É um time mais coletivo, com um posicionamento melhor que o brasileiro, usava bem isso e o Brasil corria para fechar os espaços. Conseguia por ter uma defesa rápida.

O Brasil, mais técnico, quando tinha a bola partia pra cima, por vezes muito individualista tinha dificuldade para chutar em gol.

Os esquemas das equipes era o mesmo de jogos passados, desta vez com Gabriel Jesus trocando de lado com Gabigol em alguns momentos, e precisando marcar mais. Micale apostava no que funcionou.




O Maracanã lotado para ver a decisão da medalha de ouro estava confiante no inédito ouro. Porém com medo do fantasma alemão do 7x1 e do ineditismo.

O jogo era equilibrado e a trave mudou a partida. Com 10 minutos, Brandt acertou o travessão brasileiro e assustou todo mundo. A partir deste lance o nervosismo brasileiro passou e a seleção brasileira cresceu. A Alemanha parava as jogadas de habilidade com falta.

Com 26 minutos, baixou um Zico no camisa 10 da seleção brasileira em pleno Maracanã, Neymar bateu uma falta pela esquerda no ângulo direito do gol de Horn. A bola bateu caprichosamente no travessão antes de entrar. Golaço!



Depois deste lance o jogo voltou a ficar equilibrado e os alemães foram mais perigosos. Aos 30 e aos 34 a bola bateu outras duas vezes no travessão brasileiro e foi para fora.

O jogo era difícil, mas era do Brasil, as traves do Maraca também.

Neymar mandava no jogo, dava carretilha/lambreta e chamava o jogo.



Veio o segundo tempo, o jogo tinha um ritmo mais lento e a Alemanha iniciou melhor.

Com a bola os alemães procuravam espaço, que havia na costas de Douglas Santos e de Wallace. Aos 58 minutos, Toljan apareceu nas costas do Douglas e cruzou para Meyer chegar finalizando e empatando a partida.



O capitão da Alemanha era o melhor alemão em campo, o 4-2-4 do Brasil tinha dificuldade em marca-lo, principalmente Wallace, não encaixava a marcação.

Renato Augusto começou a aparecer no meio de campo do Brasil e deu um bom passe para Jesus finalizar. Passou perto.

Na frente, Gabigol destoava, previsível cortava sempre para a esquerda e acabava perdendo a bola, a jogada estava manjada e Süle sabia bem.

Com 25 minutos, Felipe Anderson entrou no lugar de Gabriel.

O Brasil buscava o gol, a Alemanha trabalhava mais a bola, apostava em contra ataques.

O jogo ficava tenso, Anderson entrou bem, Jesus virou centroavante e o Brasil tinha as chances de gol.

Aos 40 minutos, Alemanha deu contra-ataque e Meyer chutou fraco.

O jogo já era mais coração que cabeça, era mais de Brasil, mas sem a menor facilidade. 

Não teve gol, teve prorrogação, a Alemanha não ia entregar o ouro.



No tempo extra, Luan chegou perto, no contra-ataque a Alemanha também. Petersen na seleção alemã ganhava os chutões no ataque, era importante no jogo alemão de segurar o Brasil.

No segundo tempo da prorrogação, um Neymar cansado e mancando deu ótimo passe, Felipe Anderson parou em Horn.

A peleja ficava cada vez mais e mais tensa, o gol não saiu, quem fizesse fatalmente levaria o ouro, seria o gol de ouro.

O futebol jogado no Marara era bom.

O Brasil parava pelo ouro, era uma mini Copa do Mundo na Rio 2016.

Pênaltis...



Ah, o Prass... 

Na meta brasileira Wéverton (28), goleiro do Atlético-PR, pouco conhecido dos brasileiro. 

Na cobrança a pressão estava maior sobre os brasileiros, com o peso do inédito. Os alemães estavam mais tranquilos.

Ginter abriu com gol pela Alemanha, Renato Augusto empatou pelo Brasil, 1x1;

Gnabry e Marquinhos também acertaram, 2x2;

Brandt e Rafinha seguiram marcando,3x3;

Süle e Luan não fizeram diferente, 4x4.

Petersen, o maior velho da Alemanha, 27, ficou para fechar a primeira sequência. E foi justo ele que bateu para a defesa de Wéverton.

O Brasil estava a um pênalti da medalha dourada, estava nos pés de Neymar. O camisa 10, o capitão, o mais famoso, o melhor jogador, o centralizador, coube por fechar. Se Marta e Messi perderam, ele não, correu bateu e fez o gol de ouro.




O dia especial chegou, o dia dourado da medalha de ouro, a obsessão acabou. Agora não falta mais nada ao futebol brasileiro, tudo que é possível se vencer o Brasil venceu, zerou os títulos.

Este foi o 6° ouro brasileiro na Rio 2016,  já é a maior Olimpíada da história do Brasil em medalhas.

O maior evento desta Olimpíadas, mais lembrado, será o ouro do futebol masculino, porque nos somos filhos do futebol, não há jeito.

Brasil deslancha e avança


O Brasil precisava jogar o que jogou, precisava vencer como venceu, não só pela tabela, mas pela autoconfiança, pelo apoio da torcida.

A partida na Fonte Nova diante da Dinamarca foi tudo que a seleção brasileira precisava nesta olimpíada.


Antes de começar a competição se esperava um Brasil forte, envolvente, com um ataque potente, bom no um contra um e com técnica suficiente para bater os adversários – sem muita tradição - da primeira fase.

Mas se viu nos dois primeiros jogos algo muito diferente, a seleção dos 0x0s nas primeiras partidas era algo fraco, sem criatividade, preso no individualismo, sem marcar gol e vaiada.

O escrete fazia a torcida gritar por Marta e cantar Iraque para provocar o pouco futebol.

Parece que agora a ficha caiu, os jogadores entraram no prumo e a equipe encaixou. A entrada de Luan na equipe foi fundamental, unindo o meio de campo com o ataque, participando das jogadas mostrando toda sua visão tática do jogo.

Houve também a mudança de esquema e de Neymar com Jesus. Agora no 4-2-3-1 (ou 4-2-4), o palmeirense ficou mais pela esquerda fechando no meio e Neymar fazendo o contrário, de falso nove. Gabigol continuou jogando pela direita.


Com o meio e ataque se entendendo as jogadas fluíram muito melhor, Rodrigo Caio ficou próximo de abrir o placar e Jesus também.

A Dinamarca se defendia como se defenderam África do Sul e Iraque, duas linhas de quatro próximas fechando os espaços. Com 69% de posse de bola, o lado verde e amarelo comandava a partida.

O gol enfim veio, com Gabigol, cruzamento em profundidade rasteiro pegando o santista na segunda trave, desviando com o bico do pé esquerdo.

200 minutos para fazer um gol, ninguém esperava por isso.

Logo após o gol, uma jogada de contra-ataque, com o quarteto funcionando bola de pé em pé, quase terminou em um golaço.

O Brasil estava mais tranquilo, fazia seu melhor jogo e tirava um peso enorme das costas.

O segundo gol não demorou a sair, tabela de Gabigol com Luan e cruzamento para Gabriel Jesus chegar chutando e fazendo o seu gol. O primeiro dele pela seleção, depois de perder tantos gols.

No segundo tempo o ritmo diminuiu, normal, mesmo assim seguiu senhor da partida e quando apertou marcou.

Luan fez o terceiro, na ultrapassagem de Douglas Santos - uma jogada que deu muito certo durante o jogo – que assistiu o gremista.

Depois Gabigol fez o quarto, quando a defesa dinamarquesa já estava desorganizada e sem motivação.

Houve chances para o terceiro, mas quatro estava mais do que bom.


Futebol tem dessas coisas, o Brasil que não fazia gol, fez quatro, porque mudou, encontrou um jeito de jogar coletivamente. O espírito foi outro.

A partida além da classificação, eleva o moral da equipe e a confiança da torcida.

A Colômbia encara o Brasil na quartas de final em Itaquera.

O futebol de hoje é plausível de medalha.

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