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Champions com os mesmos favoritos


Começa a Liga dos Campeões amanhã, o maior torneio de clubes do mundo, com os melhores jogadores, maior publicidade, organização, cifras e tudo o que envolve grandes eventos.

Favoritos? Os de sempre: Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique. Estes são os últimos quatro campeões, que ganharam seis das últimas 10 ligas.

Na Champions Legue você pensa que o campeão será o trio ou um inglês, porque a última vez que não foi assim foi em 2010 com a Internazionale de Mourinho.

Na Libertadores é mais difícil apontar os favoritos, uma final como Atlético Nacional e Independente dell Vale a poucos meses, não estava nos prognósticos da maioria das pessoas, o que é bom.

Os favoritos serem sempre os mesmos ocorre porque os principais clubes do mundo não alteram tantos os elencos de temporada a temporada - além claro do poder monetário dos três. O Barcelona é o mesmo campeão de 2015, o Bayern  ainda tem oito dos titulares de 2013 e o Real é o mesmo do ano passado.

Apesar de mundo gente dizer que antigamente os jogadores ficavam 10 anos no time e hoje não ficam nem um, as grandes potencias europeias não perdem jogadores toda hora. Isso só vale para o Brasil

Pois afinal, poque diabos Messi sairia do Barcelona para jogar em outro time, onde ganharia tanto quanto ganha? Teria de ser algo muito bom, uma mudança de ares para tentar ganhar títulos em outros campeonatos como gosta de fazer Ibrahimovic.

Se para Messi não é uma boa mudar, imagine para jogadores como Daniel Alves. Ele só saiu da Espanha porque não o queriam mais lá.

Um jogador nestas três potencias só sai se não se adaptar ao clube – aí entra a questão técnica, tática e de ambiente – , se arrumar confusão com alguém ou for aventureiro. Caso contrário fica lá mesmo.

Como um cara que trabalha em uma das principais multinacionais e se dá bem por lá. Ele fica.



No passado os craques brasileiros ficavam mais tempo nos clubes, não vou nem falar de Pelé e Garrincha, mas de Ademir da Guia e Rivellino, craques da década de 70.

Como Ademir não ia para um Real Madrid da vida ele ficava no Palmeiras mesmo. Nenhum outro clube do país poderia oferecer um salário muito melhor, então, como gostava do alviverde, ficava por lá mesmo. Riva só saiu do Corinthians porque não o queriam mais.



Portanto é assim, amanhã começa outra Champions League, os favoritos são os três, correm por fora: Atlético de Madrid por sua defesa, a Juventus pela consistência e investimento, e o Manchester City por Guardiola.

A Champions tem este ponto negativo, mas vale lembrar que os trio nunca se enfrentou na final, portanto a chance de outro clube poder ficar com a taça no último dia pode continuar existindo.

Campeões, vices e mata-matas


Ao longo dos anos os vices sofrem no futebol. Os holandeses perderam três finais, cada uma com um gosto mais amargo: "ah, aquele gol do Müller..." e "ah, aquela bola do Robben...". Como os torcedores do Fluminense naquela final de Libertadores em 2008: " ah, o pênalti do Thiago Neves...". 

Os vices sempre sofrem, sejam eles os que sempre vencem, os que nunca venceram e os que amargam jejuns longos, como o Corinthians viveu, o Palmeiras, o Botafogo e a seleção argentina vive.

As histórias dos vices são sempre cruéis, existem times que ganham apelidos de vices e alguns que vivem com campeonato perdidos na final marcados pelo resto da vida. Como foi com Barbosa em 1950.



O Atlético de Madrid ganhou mais um capítulo para a sua história de vices na Champions. Primeiro sofreu um gol nos minutos finais contra o Bayern em 1974 e no jogo extra perdeu por 4x0. Depois em 2014 vencia até o minutos 93 de jogo e viu Sergio Ramos empatar e na prorrogação levou 4x1. Agora conseguiu empatar contra o mesmo rival em Milão, mas parou nos pênaltis. Tri-vice. nenhum outro time perdeu tantas finais sem ser campeão.

Deve ser difícil ao torcedor colchonero pensar que o rival tem 11 taças e ele nenhuma. 

Como diz Nelson Piquet "o segundo é o primeiro a perder", ele não está longe da verdade, mas é possível sofrer mais perdendo na semifinal, como o Brasil nos ensinou em 2014.



Existem grandes times que acabam morrendo na praia e ficando em segundo, como existem times nem tão grandes que são campeões. Esse Real Madrid é assim.

Quando iniciou a temporada - após, sem motivos aparentes, demitir Carlo Ancelotti do comando técnico - o time sofria com Rafa Benitez. Depois de levar de quatro do Barcelona decidiu mudar os rumos da temporada e colocou Zidane no comando.

O time foi se acertando, com bons jogadores - tem um elenco muito caro, há de ter - foi vencendo e avançando. Pegou a Roma na oitavas e avançou. Enfrentou o Wolfsburg, sofreu uma derrota amarga na Alemanha, mas reagiu na Espanha, e passou das quartas. Na semifinal foi melhor nos dois jogos diante de um Manchester City tímido e chegou a final.

Não anunciou em momento algum que era o time a ser batido, que seria campeão. Chegou na final contra o rival, que bateu as super potencias do jogo de posse de bola - Barcelona nas quartas e Bayern de Munique na semifinal - e sem ser favorito enfrentou os rivais em Milão.

Não fez uma grande partida na final, soube se defender bem é verdade, Kroos e Modric jogaram muita bola, mas não fosse os pênaltis - seja o de Griezmann no tempo normal ou os da decisão - não teria conquistado a "Undécima".


Jornal "torcedor" da Catalunha acredita em injustiça

"Undécima", a 11ª conquista de Champions League do Real Madrid, isso explica muita coisa. Copeiro demais a equipe é de longe a maior vitoriosa da competição - o Milan com sete é o mais próximo. Assim como o Boca Júniors na América do Sul, às vezes mesmo sem ter um grande time o Real avança e na hora agá leva a taça pra casa.

Torneios mata-mata são assim, nem sempre o melhor vence, nem sempre o melhor está na final. Acredito que Bayern de Munique e Barcelona são melhores times que o Real Madrid, mas nenhum deles conseguiu passar pelo Atlético com seu jogo pragmático. Os merenques conseguiram.

O futebol é assim, nem sempre o melhor vence e nem sempre quem vence os melhores é campeão.


Undécima veio nos pênaltis

Tinha tudo para ser uma boa noite de Champions em Milão, na final revanche de 2014. Foi com roteiros repetidos e muitas surpresas.


A jogo do Atlético de Madrid está manjado, todo mundo sabe como o time de Simeone vai jogar e sobretudo defender. Zidane tentou furar a barreira com seus jogadores, C Ronaldo se juntava ao Bale para tentar na técnica, no drible passar pelos colchoneros. Ambos os craques se movimentavam bastante pelas pontas do campo na frente da última linha do Madrid, mas não conseguiam fura-lá.

A saída foi a bola parada. Todo mundo sabe que o Atlético é bom em bola parada, mas o Real com bons jogadores de cabeça e cobradores de falta é tão bom quanto - fez até mais gols de falta que o adversário desta final na competição,

De bola parada aos 6 minutos Oblak fez uma defesaça em desvio de Casemiro. Aos 14 minutos, não teve jeito. A bola cruzada por Kroos desviou em Bale e depois Sergio Ramos empurrou dentro das redes. 

Cruel. Ramos o mesmo jogador que empatara a decisão de 2014 aos 48 do segundo tempo, abrira o placar na nova decisão. Detalhe: o espanhol estava impedido, mas cruel ainda com os colchoneros.



Atrás no placar o "exercito de Simeone" tinha muita dificuldade de chegar ao ataque, Koke e Saúl, responsáveis por acionar rapidamente o ataque depois da retomada de bola não conseguiam atuar bem. Torres nem pegava na bola, só Griezmann participava, a melhor chance do Atlétic foi em chute do francês defendidos por Navas. 

Do outro lado Kroos e Modric dominavam o jogo do meio de campo junto de Casemiro. A diferença do jogo estava aí, assim o Real conseguia se defender bem.

O Atlético ficou devendo futebol no primeiro tempo, na defesa até segurou a maioria das jogadas de bola rolando do Madrid, isso contribuía para um jogo morno.

Para esquentar a disputa o arbitro marcou um pênalti, que não foi, logo com um minuto da etapa final. Griezmann partiu pra bola e nervoso explodiu a cobrança no travessão de Navas - ele perdeu um pênalti na semifinal contra o Bayern e um em outubro foi defendido por Navas. Não podia ser ele a cobrar.



Mesmo com o gol não saindo o Atlético já era melhor em campo, com Carrasco a equipe melhorou, o Real se fechou e esperou mais o rival. Sem ser um time de posse de bola - alterna estilos durante o jogo - deu a bola para o rival e buscava os contra-ataques.

Assim o jogo ficou melhor, o Atlético arriscava e dava espaço ao Real, a partida ficou mais aberta, mais vistosa. Gabi organizava o jogo para os colchoneros, não é muito de fazer isso por causa do estilo de jogo de sua equipe, mas fazia bem.

Zidane então colocou Isco e Lucas Vázquez no lugar de Kroos e Benzema. Com jogadores mais jovens, velozes e inteiros era buscar os contras ainda mais. Não era retrancar.

Aos 32 do segundo tempo, por preciosismo, C Ronaldo e Bale perderam a chance de matar o jogo. Ronaldo sem estar 100% não foi decisivo, nem faltas cobrou, elas ficaram para o galês.

Gol não feito, rival não morto, gol de Carrasco. Juanfran recebeu ótimo passe de Gabi cruzou para Carrasco aparecer com força, alma e vontade do colchoneros e empurrar a bola para o empate.



Ele correu, comemorou e beijou a namorada (miss Bélgica). Que noite do belga em Milão.

Nos dez minutos finais ambos atacaram pouco, com medo da não recuperação por uma falha a decisão foi para a prorrogação. Como em 2014 a partida ficou em 1x1 no tempo normal e foi para o tempo extra.



Na prorrogação as chances foram rareando, o desgaste físico em ambos era muito, por isso o jogo ficou lento.

Filipe Luis saiu de cansaço no Atlético, o Real não podia mais trocar.

O times tentaram pouco, pareciam esperar os pênaltis, a prorrogação se arrastava. Ruim.

Os melhores momentos foram de faltas e substituições, pouco por uma final da Liga dos Campeões. Só nos últimos dois minutos o Real atacou.

Não teve jeito, pênaltis...



Na decisão dos pênaltis de um lado a melhor técnica do Real contra a maior confiança ( ou raça) colchonera.

Na seis primeiras cobranças, três de cada lado, 100% de acerto, Lucas Vázquez, Marcelo e Bale pelo Real, Griezmann (desta vez fez), Gabi e Saúl pelo Atlético.

Depois Sergio Ramos, o super carrasco do Atlétic converteu e Juanfran morreu na trave.

Caiu nos pés de Cristiano Ronaldo a decisão, ele que não participara muito do jogo, perdera uma boa chance antes do gol de empate e sem estar 100% era apenas mais um em campo.

Mas ele ainda é o Ronaldo, confiante, forte e especialista em penais. Com categoria mandou para redes e saiu para comemorar o título, a Undécima.



Depois de um longo tempo para "Lá Decima" a Undécima veio logo, dois anos depois contra a mesma equipe. Agora dirigido por Zidane ele se torna o primeiro francês campeão da Liga - já havia vencido como jogador duas vezes como jogador no mesmo clube.

O jogo de Simeone falhou de novo na hora agá, hoje o Atlético não foi tão efetivo na defesa como é normalmente, mesmo assim foi melhor no ataque na etapa final. Nesta final foi menso "cholismo", mas parou nos penais, tanto no de Griezmann no tempo normal como na decisão.

Ronaldo chega a sua terceira Champions, ganha um crédito grande pela disputa pela Bola de Ouro. A temporada com Liga dos Campeões é sempre boa, mesmo este Real Madrid não ter anunciado desde o começo que venceria, no final foi decisivo e venceu as decisões.

Dá até pra dizer que Barcelona e Bayern de Munique são melhores que o Real, mas só ele foi capaz de passar pelo Atlético.

Agora é festa em Madri para o lado merengue, chegando a sua 11ª taça. Ao Atlético ainda não foi desta vez.


Quem merece vencer a Champions e o que isso significará?

Amanhã (sábado 28), às 15:45h (Brasília) em Milão no estádio San Siro, Real Madrid x Atlético de Madrid iram decidir a Liga dos Campeões.

Todas as informações passadas vamos direto ao ponto. Por que cada time merece vencer e o que isso trará para cada um deles e para o futebol? Abaixo a análise deste ponto.


Real Madrid


Com Zidane no comando - após a saída de Rafa Benitez - o Real cresceu muito na temporada, com seu jogo ligado muito na qualidade de seus craques e poder ofensivo, a equipe tem jogado um bom futebol, sobretudo em casa e comandado por C Ronaldo tem passado pelos adversários. Terminou o Campeonato Espanhol em segundo na cola do Barcelona.

Joga um futebol bonito de se ver, rápido, a equipe alterna posse de bola com contra-ataques. Com jogadores habilidosos como Bale, Kroos, Modric, Marcelo, Benzema, além claro da estrela da companhia: Cristiano, conta com jogadores melhores que do outro lado.

Caso ganhe a competição a Undécima (11ª Liga dos Campeões) do clube, trará um peso forte para o craque português na busca pela Bola de Ouro. Colocará a equipe como favorita para mais um Mundial em dezembro e fará de Zidane o primeiro técnico francês campeão da competição, além da dobradinha jogador + técnico. 

Também haverá toda a festa dos merenques que vão esfregar o troféu na cara dos barcelonistas, vencendo-o em cima do outro rival, assim como fez em 2014.


Atlético de Madrid


Você pode até não gostar do estilo de jogo deles, mas não pode negar que é eficiente. O "cholismo" do Atlético chega a ser irritante em alguns momentos, mas é ridiculamente eficiente. Simeone não tem grandes craques - Griezmann e Godin são os únicos foras de série - e com um jogo perfeito de marcação, diminuição de espaços, bolas paradas e contra-ataques consegue bater Barcelona e Bayern de Munique em sequência. É um jogo pragmático mesmo.

Uma vitória deste estilo de jogo pode significar uma nova moda a seguir, ou a ser considerada certa. É um erro, mas muitas vezes as verdades são ditadas pelos resultados, difícil não lembar 1982. Vencendo, Simeone provará de uma vez por todas sua filosofia.

Por outro lado, é uma equipe plausível para ser derrotada por um sul-americano. Dá até pra dizer que os são-paulinos torcem para fazer uma possível - é bem na futurologia - final de Mundial. O jeito de jogar da equipe faz o time eliminar grandes e perder para times menores que ele.

Ainda virgem na competição - perdeu as final de 1974 e 2014 - o time busca a revanche contra o rival - com 10 "orelhudas".



No sábado o Atlético tem mais chances que em 2014, com o time inteiro e descansado pega um rival mais fraco. O Real de 2014 era mais organizado com Ancelotti, Di Maria era peça fundamental naquele time, melhor na defesa e maduro na execução do jogo. 

Esse Atlético joga muito parecido com aquele e terá o principal jogar na decisão - Griezmann joga, Diego Costa não pôde em 2014. C Ronaldo caso faça dois gols pode bater seu recorde de gols na competição chegando a 18 em uma única campanha.

Acho os colchoneros favoritos, têm uma equipe mais madura, consistente na temporada e preparada para ser campeã. O Real não teve nenhum grande rival pela frente na competição e está com o segundo técnico por começar mal a temporada.

Na primeira final de dois times do mesmo país repetida são muitos nuances para amanhã, tomará seja um bom jogo e vença quem vencer terá seus motivos para ser campeão e comemorar.

Guerra civil


Vivemos agora (talvez mais que antes), em uma era de bom x mal, preto x branco, petralha x coxinha, esquerda x direita. Esse ying yang que apenas um lado presta. Na bola é a era do Guardiola x Simeone (ou Mourinho), na linguagem do campo: posse de bola x contra-ataque. Como se apenas uma dessas maneiras fosse a ideal.

No filme Capitão América 3: Guerra Civil não existem vilões, apenas heróis que com convicções diferentes acabam brigando. Não existe bem contra o mal, é o time do Capitão América contra o do Homem de Ferro, ambos são mocinhos. No futebol na maioria das vezes é assim que funciona. Por mais que você acredite que o seu rival é sempre o mal (normal que assim seja) é uma disputa de forças. E apenas nesse caso, no coração de torcedor, existe bem e mal.

Agora com Barcelona e Bayern de Munique (times da posse de bola) eliminados e o Atlético de Madrid na final da Champions (time do contra-ataque e futebol força) existem os críticos para os dois lados. Aí cabem duas observações: primeiro que não existe apenas duas formas de jogar - o Real Madrid é uma equipe que mescla bem o domínio da bola com velocidade e contra-ataques; e segundo que ambos os jeitos têm suas vantagens e desvantagens.

Particularmente prefiro times que jogam com a bola, como as duas potências acima, o próprio Audax, ou voltado lá atrás com o Brasil de 1982. Mas não consigo ver demérito na bola que joga o Atlético, a equipe sabe cumprir muito bem o trabalho de bolas paradas, diminuição de espaços e contra-ataques. Tudo isso com muita raça e confiança características de Simeone. Há quem goste mais disso do que tabelas intermináveis do trio MSN ou do Bayern. Além de tudo isso, um contra-ataque bem feito também é uma jogada muito bonita de ser ver no futebol, não deve ser deixado de lado.

No fim isso tudo é uma discussão interminável que com o passar dos anos ganha personagens diferentes, mas os resultados são parecidos. O Atlético prova que daqui pra frente, mesmo com a evolução de Guardiola, o futebol dos campeões não será apenas o da posse, e que ele não é imbatível. 

Corinthians

Mais uma vez eliminado em Itaquera – desta vez para o Nacional (URU) –, o Timão não está maduro, tem vários defeitos e não venceu nenhum adversário difícil no ano. Nesta queda o alvinegro foi a campo com a base deste ano, que de quase nada tem a ver com a do ano passado.

Tite até tenta implantar o mesmo jeito de jogar, só que além de levar tempo é preciso encaixar o estilo de jogo. Ainda não conseguiu, a experiência do elenco pesa.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense em 07/05/2016

Futebol jiu-jitsu

Nesta foto não há futebol e nem jiu-jitsu
O jiu-jitsu é uma arte marcial japonesa ( em japonês jiu é suavidade e jitsu arte). Antiga como todas as artes marciais ela sofreu um grande desenvolvimento no Brasil com a família Gracie. Carlos Gracie e Hélio Gracie criaram o "jiu-jitsu brasileiro".

Essa técnica consiste em fazer um lutador "fraco" derrotar um mais forte usando suas técnicas de alavanca, luta de chão, estrangulamentos, imobilizações, triângulos e afins. A ideia com o tempo foi ganhando força e os defensores do jiu-jitsu passaram a desafiar lutadores de outras modalidades para provar a eficiência da arte deles.

Aí criaram o vale-tudo que no início da década de 90 com Rorion Gracie virou o UFC, vencido por Royce Gracie sendo campeão em um troneio eliminatório. Não havia entre os outros participantes nenhum que fosse mais baixo ou mais leve que o brasileiro, o único representante do Jiu-Jitsu.

Com finalização em todas as lutas - foram três, como se iniciasse nas quartas de final - foi campeão sem nem se machucar. Estava mais do que provado a está altura que o estilo de luta dos Gracie funcionava.



Royce Graice
O futebol é um esporte completamente diferente de qualquer luta, os conceitos são outros, são mais participantes, não é para acabar com a integridade do adversário, apenas para vence-lo. Porém o estilo praticado por Simeone lembra muito o do jiu-jitsu.

Não que haja violência em seu jogo, longe disso, em muitos jogo sua equipe chega a fazer menos faltas que o adversário. A semelhança está em fazer com que o mais "fraco" seja capaz de derrubar o mais forte. Conseguir finalizar o adversário e muitas vezes sem levar um golpe (gol) sair vitorioso.


Uma luta vencida com um nocaute, seja ele como for - chutes são mais plásticos -, fazem da luta melhor. Uma finalização pode fazer com que o combate seja sem graça: um cara derruba o outro, fica tentado acertar uma chave até acerta-la e acabar com a luta. Vencer um jogo por 1x0 se defendendo até o fim, fazendo o tento da vitória de bola parada ou contra-ataque é parecido.

Contra o Bayern o Atlético de Madrid finalizou 35 vezes a menos que o adversário e, em média, esteve com a bola por 31,5% do tempo. Mas avançou no estilo anti-herói como explica Victor Canedo no globoesporte.com (aqui).

Anderson Silva, José Aldo, Bruce Lee, Chuck Norris, Daniel Larusso e Liu Kang são lutadores capazes de proporcionarem lutas melhores de se assistir que qualquer Gracie. Isso não que dizer que o jiu-jitsu perderá deles.


Barcelona, Bayern de Munique, Holanda de 74, Brasil de 82, Hungria de 54 e Santos de Pelé têm um futebol mais bonito de se ver que do Atlético de Madrid de Simeone. Porém este time é capaz de vence-los, como venceu os dois primeiros.

Simeone é mais um Gracie do que o senhor Miyagi, é um argentino com um elenco de jogadores comuns e poucos craques - Griezmman e Godín são os foras de série. Na base do futebol jiu-jitsu - fera na execução dele - pode conquistar o campeonato de clubes mais difícil do mundo, a Liga dos Campeões.

O nome para a final poderia ser até de filme de boxe: Real Madrid e Atlético de Madrid, a revanche - repetindo a final vencida pelo Real em 2014.

Um pouco do espirito de Simeone

Bayern fica no quase

Na partida de ida Guardiola quis surpreender Simeone, recuou o time com meio campistas e jogadores de bom passe. Sem Müller e com Xabi Alonso a ideia era ficar o maior tempo possível com a bola. Jogar pelo empate fora de casa.

Não deu certo, o golaço de Saúl e a "superdefesa" do Atlétic fizeram com que a posse de bola maior do Bayern importasse pouco. O jogo ficou 1x0 para a equipe de Madri que poderia jogar pelo empate em Munique.



Hoje, como disse ontem em entrevista, Pep foi para atacar com 10. Na escalação mais ofensiva possível - fora da maluquice. Foi com: (4-3-3) Neuer, Lahm, Javi Martínez, Boateng e Alaba; Xabi Alonso, Müller e Vidal. Douglas Costa, Lewandowski e Ribery.

Com Thomas Müller no meio, o time ganha mais um homem na área. Inteligente, com bom tempo de bola, cabeceio e qualidade enorme de finalização, o ataque ficava bem mais forte - difícil entender porque Pep deixou o no banco na partida de Madri.

Aos 19 minutos o camisa 25 do Bayern recebeu na área e deixou para Lewa finalizar em boa defesa de Oblak.



Ribery em chute de longe levou perigo também.

Com Alaba na lateral esquerda - e não na zaga como na ida - aparecia bastante no ataque e sofreu uma falta perto da área. Xabi Alonso cobrou com força, ela desviou quando passou entre as pernas de Giménez e morreu dentro do gol.


Empate na vantagem.


Em Munique era ataque dos de vermelho contra defesa dos de azul. Não só ficavam com a bola como atacavam, atacavam e atacavam o Atlétic. 

Em um cobrança de escanteio, Martínez foi agarrado, pelo mesmo Giménez que desviou no gol bávaro, e pênalti. 

Müller foi para mudar a vantagem de lado e virar o placar. E não é que ele perdeu? Em ótima defesa Oblak impediu o 2° gol alemão.


Toda a pressão bávara no primeiro tempo resultou em 76% de posse (298 passes), com 16 chutes. Muito mais produtividade, até por ter mais poder ofensivo que na ida.

Para o Atlético estava difícil, as coisas não aconteciam.


O resultado não era bom para o Atlético, não o eliminava, mas levava para os penais. Foi então que o Simeone resolveu colocar Carrasco, adiantar um pouco sua equipe e jogar também. Foram apenas dois chutes na etapa inicial.


E não é que com 8 minutos, em contra-ataque Torres deixou Griezmann cara a cara com Neuer e arrematou em gol. Difícil dizer o quanto a mexida influenciou.

Agora a vantagem era dos espanhóis e com esse gol fora de casa só o 3x1 serviria para os alemães.




Depois do gol o impeto, coragem e confiança alemã já não eram mais os mesmos. Bem menos intenso no ataque tinha muito mais dificuldade de jogar que na epata inicial.


Só que nada como um gol para mudar tudo.


Em cruzamento de Alaba - um dos melhores em campo - Vidal ajeitou para Lewandowski completar para o gol quase de baixo das traves.




Agora o lado emocional era do Bayern de Munique, que passou a arriscar tudo, atacar como nunca.


Os alemães passavam pelos 30 arremates na partida quando uma escapada de Fernando Torres resultou em pênalti mal marcado pelo juiz. Martínez, de fato fez a falta, só que fora da área. 

E não é que Torres desperdiçou a chance de matar o confronto?

Havia jogo em Munique, mas partida ia chegando ao final, as chances apareciam para o Bayern, mas nada da bola entrar. 

Nada de gol.


O Atlético de Madrid está na final, buscará o título inédito.




Foi um grande jogo, Guardiola outra vez foi eliminado na semifinal para um time espanhol pelo Bayern de Munique, só que desta vez foi por pouco, pelo gol fora de casa. A partida em Madri custou a classificação. Pep deixará o Bayern sem Champions.


Todo ano colocamos Real Madrid, Barcelona e Bayern de Munique como favoritos pelo título da Liga dos Campeões. Um deles esteve nas últimas sete finais, mas a final nunca é entre eles, alias, nunca foi.

Com o Atlético de Madrid na final, ainda não é desta vez que os "favoritos" faram uma final.

Diego Simeone e Fernando Diniz, opostos e iguais


A capa da Gazzetta dello Sport com Simeone de Che Guevara, insinua que ele e Fernando Diniz são técnicos opostos em filosofia de jogo, já que o time de Diniz usa o Tiki-taka - é o termo utilizado pelo jornal e como ficou famoso, mas Guardiola odeia essa definição.

Fato, eles são opostos, enquanto o Audax gosta de ficar com a bola, trocar passes e criar a jogadas , sem jogo reativo... Diniz gosta de times com futebol ofensivo, bem jogado.

O Atlético de Madrid é o oposto, não se importa em ter a bola, usa o jogo força, contra-ataques, fecha os seus espaços e busca jogar no deixado pelos adversários - Renato Rodrigues explica bem o jogo defensivo do Atlétic (aqui).



Só que em uma coisa são iguais, são líderes, fazem os jogadores jogarem por eles e dá liberdade para a tomada de decisão. O jeito de treinar deles faz com que os jogadores não tenham medo de arriscar, dá confiança. Seja qual for o jeito de jogar os jogadores seguem, se doam pelo treinador.

Fernando Diniz, segundo Zé Elias e vários outros. é considerado "maluco", um cara que xinga seu jogador de tudo quando é nome, que cobra de verdade. Porém ajuda e abraça o jogador quando precisa, o xingamento é um recurso não uma ofensa - apesar de ser.

Fernando é formado em psicologia, portanto deve entender de pessoas além de em entrevistar ser nítido o carinho dos jogadores pelo treinador.

Não dá pra dizer o mesmo de Simeone porque até agora nunca vi alguém falhar isso sobre ele, mas dentro de campo é inegável o emocional dos jogadores. Confiantes fazem gols como fez Saúl diante do Bayern, assim como Tchê Tchê e Bruno Paulo fizeram no Timão.

Pode não ser como Diniz, mas não diria que a pessoa mais normal do mundo
Diferentes na ideia de jogo, iguais na ideia de grupo, tão importante quanto.

Saúl faz golaço e Bayern para na parede de Simeone

Antes desta semifinal da Champions League no Vicente Calderón já estava na cara que seria um confronto de estilos. 

E foi...

O estilo de jogo do Atléti mandou no .... . Ele não está somente ligado na força defensiva, marcação pressão, alta, sem dar espaços e jogando no espaços dos rivais. Acima de tudo Simeone cria um time corajoso, confiante, capaz de fazer gols em belas jogadas.



Assim, na confiança, Saúl fez uma jogada individual perfeita, foi fazendo fila na defesa bávara e só acabou depois de guardar a bola na rede em belo chute colocado. Golaço!

Essa confiança Fernando Diniz também passa à seus jogadores, por isso fazem gols de fora da área como fizeram contra o Corinthians. Detalhe: a filosofia de jogo dos treinadores é oposta.

Sem Müller e com Xabi Alonso a ideia de Guardiola era de melhorar a defesa e ficar o maior tempo possível com a bola. Passou a ideia de jogar pelo empate fora de casa. Ribery também não começou jogando e sim Coman.

Conseguiu ter posse por muito tempo superior a 65%, mas não tinha chances claras de gol. Parava na barreira colchonera. Não funcionava o jogo do Bayern.



No segundo tempo os alemães foram subindo a equipe e empurrando o Atlético em seu campo. Alaba era o jogador que organizava a maioria das jogadas, o que tinha mais posse de bola no pé entre todos os jogadores em campo. 

Cansado de tentar furar a barreira de Madri arriscou um chute de fora da área e acertou o travessão de Oblak. Foi a melhor chance bávara que sinalizava que o jogo mudara.

Depois Lewandowski quase marcou de cabeça. Boa defesa do goleiro. Vidal também arriscou um chute de fora da área (duas vezes) e Oblak salvou outra vez.

Se o Barcelona não conseguiu furar a defesa do Atléti, o Bayern conseguia através de chutes de longe e bola aérea. Tem um reportório de jogadas maior.


Só que quem fica na frente, no ataque, da espaço para contra-ataques. Coisa que o Atlétic adora. Griezmann junto de Fernando Torres puxaram o contra e depois de belo drible Torres mandou na trave.

Esse gol poderia ter encaminhar a classificação.

Guardiola foi mudando a equipe: colocou Ribery no lugar de Coman Müller no de Thiago e por fim Benatia no de Bernat. Sem arriscar muito Pep não queria levar o segundo e complicar-se de vez. Fosse jogo único, mexeria diferente, não há duvida.

Mesmo tendo chegado mais perto do gol no Vicente Calderón do que o Barcelona não conseguiu marcar também. 

O Atlético de Madrid mereceu a vitória, mas um empate alemão não seria absurdo.


O resultado é bom para os colchoneros, venceram e sem sofrer gol em casa. Na Alemanha vão poder se fechar e buscar contra-ataques. Se não sofrer gol avança, se fizer um pode sofrer até dois gols.

Ao Bayern caberá atacar, atacar e atacar em Munique. Sabe fazer isso, mas contra a equipe que melhor se defende tem tudo para ser um grande jogo. O de hoje foi melhor que o de ontem.
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