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Análise tática: Regra de impedimento e estratégia Arrigo Sacchi


A regra de impedimento sempre causou muita confusão pra quem gosta e principalmente para quem não é muito fã de futebol.

Primeiro: o jogador está em impedimento se na hora do passe, tiver menos de dois jogadores adversários antes da linha de fundo e ele após o meio do campo.

Atrás da linha da bola não há impedimento.

Ou seja, para ter condição legal o jogador precisa estar, na hora do passe (não quando dominar a bola), com dois jogadores depois (quase sempre um deles é o goleiro) dele e a linha de fundo.

No lateral não existe impedimento, o lance do "gol da água" de Ronaldinho contra o São Paulo mostra bem isso.



Outro jeito de usar bem essa regra aconteceu com o time de Arrigo Sacchi. Técnico do Milan na década de 80 e 90 e técnico da seleção italiana na Copa de 1994, foi um revolucionário enquanto técnico.

Tinha uma ideia até maluca no impedimento, de mandar todos defensores pra frente em uma jogada em que fosse se aproximando do ataque. O time adversário e os bandeiras ficava, sem saber o que fazer, induziam ao erro os bandeirinhas, que muitas vezes de maneira equivocada, marcavam impedimento.



Em 1991 foi criada a regra de mesma linha, com o ataque ganhando força, assim o jogador fica em condição legal se estiver junto do penúltimo jogador. 


Essa ideia de Sacchi na defesa não chegou a ser usada por outros times, requer muito treinamento com um risco muito grande de dar errado. Com ele o time foi bicampeão da Liga dos Campeões em 1989-90 e 1990-91, último a conseguir o título seguido. 

Mesmo assim os times, como há muito tempo, mantem suas linhas de 4 atrás, ficando atento com bolas paradas para avançar e deixar os rivais impedidos.

Hoje um jogador só está impedido, se ele participa do lance tocando na bola ou disputando-a.

Com às tecnologias hoje, por mais difícil que seja o lance de impedimento, ele é visto no tira teima, deixando o claro.

Mesmo assim não são usados de maneira oficial pelos árbitros como no tênis. E nos lances fáceis ainda contam com erros absurdos de juízes como no clássico Santos x Corinthians em 2012.


A tecnologia bem aplicada só ajudaria o esporte.




Em lances de gol já foi utilizado na Copa do Mundo e em campeonatos da Europa.


BR-15 #27: Corintianos vão almoçar mais felizes e santistas mais tristes que no último domingo


Em Itaquera, no calor infernal na manhã paulistana o clássico Corinthians x Santos com sensação de 38°C, temperatura perto dos 28°C.

Numas de Felipão, o Corinthians foi inteiro de branco, contra um Santos com mais preto, na sua camisa listrada. Uma mudança nas cores para tentar amenizar um pouco o calor aos donos da casa e aumentar para os visitantes.

Jogar de manhã não tem problema quando não há uma alta temperatura, agora, no calorão é desumano.

O calor atrapalha as duas equipes, o juiz e até quem vai ver o jogo, mas interfere mais no jogo do Santos, que gosta da velocidade. O Corinthians mais na compactação e aproximação sente menos.

Também por isso o Timão foi amplamente superior no primeiro tempo. Com Renato Augusto não fugindo a regra, jogando bem de novo e Jadson, importante nos últimos jogos, hoje jogava bem também.

Jadson quase abriu o placar em bola jogada, que foi passando pelos santistas e parou em Vanderlei.

Love como sempre teve chances. Desperdiçou as duas.

Lucas Lima tinha dificuldade para criar, recebia uma marcação forte e Ricardo Oliveira quase não apareceu, ainda levou um cartão amarelo.

Vanderlei precisou trabalhar vária vezes no primeiro tempo, Cássio uma só no final dele, só que bem difícil.

Os jogadores aproveitaram qualquer paradinha para beber uma água e demoraram a voltar no segundo tempo. Segunda etapa, que por sinal caiu o ritmo com o cansaço dos jogadores, o jogo não mudou muito de figura. Ainda era o Corinthians dominando, mas com menos intensidade, todos estavam sentindo o calor.

Em bola parada, Renato Augusto acertou a trave em jogada bem ensaiada do ataque corintiano.

O jogo do Santos não funcionava, o do Timão não resultava em gol e em busca de uma melhora, os dois treinadores colocaram jogadores "inteiros".

No Santos Neto Berola, no Corinthians Lucca entraram em campo.

Na primeira jogada de Lucca, ele jogou a bola na área e Zeca desesperado para tirar a bola de Love o derrubou com um chute. O juiz titubeou, depois do bandeira auxiliar, apitou a marca da cal. Então o apitador expulsou David Braz, que nada tinha a ver com o lance.

Foi pênalti de Zeca em Love? 

Foi. 

Agora expulsar o cara errado? Faça me o favor, né?

David Braz, indignado com sua expulsão saiu reclamando na direção do banco corintiano. Tite não gostou e disse com o dedo em riste "Não fala comigo, estou tomando conta do meu time!" gerando uma grande confusão.

O jogo estava quente, nos dois sentidos.

Depois disso tudo (que demorou uns 6 minutos) Jadson foi para bola e colocou-a no fundo das redes.

Esse gol foi um baque tão grande no já desesperado Santos, que 3 minutos depois tomou o segundo de Jadson, para dar números finais ao clássico. 

Antes do apito final um olé gritado pelos corintianos, felizes da vida, deu a tônica final do jogo.

A vitória é um grande passo do Timão, em um jogo quentíssimo, o time se manteve frio concentrado e matou o rival, que até hoje era pedra no sapato corintiano.

Por jogar desde 2011 (quase) da mesma forma, o time consegue manter seu desempenho nas partidas. Já o Santos, que foi se conhecendo e construindo um time na temporada com Dorival Jr, vive mais de altos e baixos. Não foi nada do time que fez 4x0 no Galo na quarta.

Os santistas saíram de campo cuspindo abelha africana "aqui é sempre pra eles", "desse jeito não dá". Mas a atuação foi fraca do time da Vila, que não perdeu o jogo por causa do apito, mesmo que ele tenha sido ruim, ele não definiu o jogo.

Não podemos colocar tudo na fama corintiana com o apito, cada lance é um lance e hoje não teve ajuda. Já deu falar de arbitragem.

Agora para ter um dia perfeito, os corintianos vão torcer para o Flamengo que enfrenta o Galo no Independência. Caso o Atlético perca, o Timão ficará com 8 pontos de vantagem na liderança.

No último domingo pela anhã o Corinthians venceu e o Santos perdeu. Hoje também, mais um venceu o outro.



Se estava quente em São Paulo, estava pior em Goiânia, com 31°C e pouca umidade, menos de 20%. Mas a sensação chegou a 44°C no campo durante o jogo.

Mais acostumando com o calor e com o Serra Dourada o Goiás meteu 3x0 no Joinville.

As coisas mudam rápido


O último domingo serviu para lembrar do que realmente gostamos, do que faz o futebol. O jogo entre Palmeiras x Corinthians no Allianz Parque fez o coração do torcedor bater forte pelo seu clube, além de ver um bom jogo.
Uma partida de escolas diferentes, como definiu Tite depois do jogo. Um que cruza muito a bola, ataca bastante, com muita movimentação na frente da área e com uma defesa que já não é mais o ponto forte. Palmeiras. O outro que prefere a bola no chão, joga mais no erro do adversário, muito concentrado e com a melhor defesa do campeonato. Corinthians. O momento dos times também. O Corinthians é um time mais pronto com Tite, Marcelo Oliveira busca uma maneira diferente de jogar, mais ofensiva.

Diferentes como quase tudo entre os times, o verde e branco, o preto e branco, que em comum só o branco. Além de uma rivalidade enorme, que andava enfraquecida pelos maus momentos alviverdes. Mas que depois deste grande clássico que ficou em 3x3 voltou forte.
Um jogo que por mais que o Palmeiras tenha ficado três vezes na frente do placar, não saiu desanimado, porque sabe que viu um bom jogo. E da arbitragem, se for procurar chifre em cabeça de cavalo achará algo, fora isso nada.
Um jogo que foi disputado na bola, entre os laterais, Lucas x Arana, entre os goleiros, Prass x Cássio, entre Dudu x Renato Augusto entre tantos outros que entram em campo naquele dia.
E agora, o campeonato que via a má qualidade dos juízes, com o STJD querendo aparecer, está aberto depois da rodada do meio de semana. A diferença do Timão já não é mais de 7 pontos, agora são três. As coisas mudam rápido, ou seja, temos um campeonato!

O Galo terá mais dificuldades que o Corinthians neste final de semana. Um pega o Joinville em sua estreia as 11h da manhã (Corinthians), o outro o rival no Mineirão com cruzeirenses (Atlético). O Grêmio ainda está nesta disputa, jogando muito bem, já tendo vencido o líder uma vez, empatado a outra e vencido o vice-líder. Joga um futebol muito interessante.
Já o G-4, tem tantos times que podem pegar essa 4ª vaga, que o time que tiver a melhor arrancada no final deverá ficar com ela. São Paulo, Santos e Palmeiras disputam ela, mas podem conseguir a sua vaga na Copa do Brasil. Assim como os outros.

Seja como for, o Campeonato Brasileiro está longe de acabar, muitas rodadas ainda até a definição em dezembro. Até lá esperamos mais jogos como o Dérbi no último domingo.


Matéria publicada no jornal O Atibaiense no dia 12/09/2015

Salvem o campeonato


“Com muitos jogos bons é um campeonato que tem entretido, não podemos deixar que uma má arbitragem acabe mudando o foco. Ao mesmo tempo, não podemos fingir que nada acontece quando vemos erros seguidos que mudam o rumo do campeonato. Portanto, a arbitragem precisa ser boa para que não falemos dela. Isso é muito difícil e nunca será perfeita.”

Assim eu terminei a matéria aqui neste espaço no dia 22/08/2015, depois da última rodada do primeiro turno. Mais algumas rodadas e percebemos que continua a mesma coisa. As arbitragens interferindo no campeonato.

Os erros proporcionados ao Corinthians, fazem com que o time abra 7 pontos do Galo e fique com uma vantagem que até hoje nunca foi alcançada nos pontos corridos. O time de Tite é o melhor, mas consistente time do campeonato e que não perde há 14 rodadas. Só que os juízes, assassinos do jogo, fazem com que isso seja apenas um dos fatores.

O pior é que tudo isso, sendo ou não "comprado", -enfatizo, não existe até que se prove o contrário- atrapalha demais o campeonato, mancha, porque o Corinthians foi favorecido diversas vezes pela arbitragem, causado até uma saia justa ao Tite e seus jogados ao falar do assunto. 

Não dá pra dizer que existe algum tipo de complô sem provas, não pode. Duvidar, sempre, principalmente de uma CBF como é, de um país como é. Mas por enquanto não adianta criar teorias da conspiração.

Só que ao mesmo tempo o campeonato perde credibilidade, daqui a pouco as pessoas não vão mais querer assistir os jogos e ir aos estádios. Os juízes estão destruindo o campeonato, não pode mais ficar deste jeito, não dá!

Em 2013 o caso da Portuguesa e Fluminense diante dos tribunais já foi muito ruim para a cedibilidade do campeonato. Ficou uma mancha forte, que demorou para se resolver e ser esquecida. Assim como a máfia do apito em 2005 fez muito mal ao futebol brasileiro.

Com todos esses problemas perdemos o foco que deve ser o jogo, o campo. Então eu espero que nesta próxima rodada e até o fim as coisas melhorem. É coisa de torcer mesmo, pra dar certo, quase como torcer para o Vasco não cair pra Serie B. Está difícil. 

Prato cheio pra quem gosta de criar polêmicas e falar de “juiz ladrão”, seja em qualquer área ligada ao futebol. 

Matéria publicada no jornal O Atibaiense 05/09/2015

Foi ou não foi?


O brasileiro, mesmo aquele que não vê o jogo, pouco conhece do seu time, muito menos o do adversário, gosta de provocar e discutir um lance polêmico sobre o jogo da última quarta ou domingo. Muitas vezes nem sabe sobre exatamente o que se trata, mas entra no assunto como entendedor da coisa. Ele cria teorias de conspiração, “foi pênalti”, “não foi”, fala que fulano é horrível, que outro é gênio e por aí vai. Na maioria das vezes puxando a sardinha para o seu time.

Mas o que esse “entendedor” de futebol gosta mesmo de falar é de arbitragem. Nossa, isso é o prato cheio dele. Ele fala que o juiz é ladrão, que é mal intencionado, que sempre ajuda o rival e tudo mais que faz parte do futebol. Trazendo o esteriótipo do juiz brasileiro, interpretado no filme Boleiros, pelo ator Otávio Augusto que se passa por um árbitro corrupto, que manda o time repetir os pênaltis até que alguém o converta. Pedindo até para trocar o batedor, que não acertava.

No futebol, como em nenhum outro esporte, o juiz tem uma capacidade maior de influenciar no jogo. Por ter um placar muito justo é mais fácil invetar um pênalti ou algo parecido para favorecer tal time. Ao mesmo tempo errar e ajudar um time sem intenção. Isso faz com que esse assunto sempre que o futebol é futebol entre na conversa sobre um jogo e é lembrado mesmo depois de anos e anos.

Nas últimas três rodadas deste final de turno, péssimas arbitragens tomaram as atenções de conversas de bar e programas esportivos. Deixado de lado temas muito mais interessantes e melhores que esse em questão. O Campeonato Brasileiro está bom e não podemos deixar que a arbitragem acabe ofuscando isso.

Por exemplo: O toque de bola do Grêmio de Roger, que joga com a bola não chão, sem chutões e excessivos cruzamentos. O Corinthians que não encanta, ao mesmo tempo, mostra toda a sua compreensão das escolhas no jogo, com Tite tirando o máximo do time. O Palmeiras com uma torcida que entendeu que ir ao estádio não é só quando o time está ganhando, deve ser em todos os domingos como ir a igreja. Um São Paulo que mesmo perdendo alguns jogos, tem um técnico que não tem medo de arriscar e proporciona bons jogos, assim como o Sport.

Com muitos jogos bons é um campeonato que tem entretido, não podemos deixar que uma má arbitragem acabe mudando o foco. Ao mesmo tempo, não podemos fingir que nada acontece quando vemos erros seguidos que mudam o rumo do campeonato. Portanto, a arbitragem precisa ser boa para que não falemos dela. E isso é muito difícil e nunca será perfeita.

Matéria publicada no jornal O Atibaiense no dia 22/08/2015
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