Mudamos de lado, hoje somos a Itália
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Desde
que o Brasil tomou a sova que tomou da Alemanha na Copa, os
brasileiros tentam entender o porquê do 7x1. Já escrevi aqui na
época bastante sobre isso e um pouco durante o restante do um pouco
mais de um ano do acontecido. Todo mundo tenta entender o que afinal
aconteceu naquele 8 de julho de 2014. Mas neste espaço de hoje não
vou
explicar
o 7x1, vou falar sobre como o futebol evoluiu nos outros países,
aliando técnica mais habilidade, tática e físico aos
resultados positivos.
Para
começar vamos lá atrás, em 1982 quando o Brasil parou na Itália
no Sárria. Essa derrota também é difícil de engolir para muita
gente até hoje, a
seleção brasileira era muito melhor mais caiu para o ”ferrolho”
italiano. Na década de 1980 quase que todos os jogadores habilidosos
vinham da América do Sul. Era Maradona, Zico, Sócrates… Os
jogadores que poderiam resolver o jogo em uma só jogada, com dribles
desconcertantes, jogadas imprevisíveis, coisa
que os europeus não tinham. Então
criaram uma maneira
de jogar deles,
que era
se defender da melhor forma que conseguir e com um bom finalizador na
frente (se tiver), no caso da Itália Paolo Rossi, resolver o jogo em
cruzamentos, ligações diretas e contra-ataques. Da maneira como
gostamos de dizer “feia”.
Com
o passar dos anos, o mundo foi mudado —se
“antes
mundo era pequeno porque
Terra era grande,
hoje
mundo é muito grande,
porque
Terra é pequena”
como
já diria Gilberto Gil—
assim
os sul-americanos passaram a jogar em terras europeias no final da
década de 80 e depois com os anos 90 e 2000 ficaram por lá de vez.
Quando
eles chegaram por lá, coube aos
europeus
estudar
fazer o “know-how” sobre os jogadores. Resultado disso: hoje os
sul-americanos
ainda
mandam no quesito habilidoso/decisivo/imprevisível, mas hoje você
tem C Ronaldo, Ibrahimovic, Robben,
Bale,
Griezmann, Götze,
Müller, Reus e outros.
Com
este intercambio, os europeus entenderam que era possível “fazer”
jogadores talentosos, os
“sul-americanos”.
Na
parte tática a ideia
de Pep Guardiola mudou
muita coisa.
Ela
está
diretamente relacionada com ter sempre mais qualidade técnica e de
passe em seus times. Tirando os "zagueiros zagueiros" e
sempre apostando em jogadores bons de bola. O futebol menos
pragmático possível, futebol "bailarino" ao máximo. Faz
com que chutões virem lindos lançamentos e jogadas de contra-ataque
sejam o jogo, não o antijogo.
Ele
é totalmente o oposto da maioria dos técnicos brasileiros.
Exitem
diferentes maneiras de se viver, fazer dieta, investir e jogar bola.
Para conseguir resultados positivos você pode usar várias delas,
mas não todas ao mesmo tempo e algumas delas não vão funcionar por
uma série de fatores. Ganhar
no estilo Guardiola é difícil. Quando você se propõe
a jogar com defesa alta, jogadores com mais qualidade, menos força
você corre seus riscos.
Hoje
nos criamos uma maneira para jogar contra os
times que trocam passes, tem jogadores habilidosos, são rápidos e
ofensivos. Parece que vamos ser o Rocky Balboa, sofrer e vencer na
persistência.
Parece que não temos mais jogadores habilidosos, quando na verdade
temos vários, eles vão além do Neymar. Parece
que estamos no lado oposto de 82, que somos a Itália e não o
Brasil. Estilo que chamamos de “era Dunga”.
O
que precisamos fazer é voltar com o jogo que fazíamos e nos aliar
às
novas ideias táticas e coletivas. Não precisam ser iguais as
europeias, precisam ser eficientes,
a ideia
é evoluir.
Matéria publicada no jornal O Atibaiense no dia 10/10/2015
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