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BR-16 #32: aproveitamento de Barcelona


Cuca disse após o final da partida contra o Sport que o aproveitamento no segundo turno é absurdo: "Isso acontece lá com o Real Madrid, com o Barcelona, com o Bayern, com a Juventus. Aqui tem 12 times iguais. Essa produção que estamos tendo nos dá a certeza de estar no caminho certo."

Os 79,49 % de aproveitamento verde - 31 pontos em 13 jogos, nove vitórias e quatro empates. Ele está certo, o Barcelona, campeão espanhol de 2015/16 teve 79,9% de aproveitamento, o Real Madrid em segundo, com um ponto a menos, fez 78%. A Juventus na Itália bateu campeã com os mesmos 79%. Na França o PSG teve 84, na Alemanha o Bayern ficou com incríveis 86% e o Benfica conseguiu 87% em Portugal - o melhor da última temporada. No mesmo ano, o Leicester precisou de 71% para garantir o título inédito, o Celtic na Escócia do mesmo aproveitamento e o Corinthians também para ser campeão Brasileiro em 2015.

A verdade é que o primeiro turno de 64% de aproveitamento Palmeirense foi de uma equipe mais solta, veloz, com um jogo até mais bonito, de Róger Guedes, Gabriel Jesus jogando muita bola e Tchê Tchê aparecendo em todos os lugares. Isso fez do alviverde campeão do primeiro turno.

O segundo turno alviverde é mais pragmático, o time amadureceu, ganhou casca, não perdeu mais, passou a ser mais preciso nas bolas paradas e muito eficiente fora de casa - problema no início do BR-16.

No total o alviverde tem aproveitamento 69%, não seria campeão em nenhum campeonato europeu que mencionei, mas no Brasil em oito das dez edições de pontos corridos com 20 clubes sim.



Faltando seis rodadas para o fim, com seis pontos de vantagem, o Palmeiras só perde o campeonato se fizer muita besteira. Está a pelo menos quatro vitórias de garantir a taça que não vem desde 1994.

O Flamengo tentou o que pôde, agora parece ser prudente ficar de olho com o 3° lugar, já que vê Santos e Atlético-MG se aproximando. 

A próxima rodada o alviverde encara o Peixe na Vila, o Flamengo o Galo em BH. Em caso de vitória dos mandantes o Flamengo será ultrapassado por Atlético e Santos.

Nesta rodada ainda tivemos boa média de público: 24.464 torcedores por jogo.

O América deixou a lanterna, o Cruzeiro e São Paulo deixaram o Z-4 distante. Ao Inter ainda há do que fugir, mas os pênaltis perdidos pelo Vitória podem afundar o baiano.

Tudo azul


Era nítido a divisão de filosofia de jogo e a rivalidade que se estabeleceu em Manchester no lado vermelho x azul.

Hoje pelo clássico da cidade no Old Trafford na Premier League se viu um estilo contra o outro, José Mourinho x Pep Guardiola.

Pep armou o time no 4-1-4-1, com mudança entre os laterais que vinha usando, foi de Kolarov na esquerda e Sagna na direita. No ataque o time ficava com os extremos (Nolito e Sterling) abrindo espaço nas laterais, Silva e De Bruyne na criação e Ihenacho enfiado entre os zagueiros. Fernandinho tinha o papel importante de fechar a linha de passe em direção a Rooney.

Mourinho fez mais alterações do que o imaginado, Lingard foi titular no lugar de Martial, além de Mkhitarian no lugar de Mata. O desajeitado e maldoso Fellaini além de Pogba na volancia.



Em campo o que se viu foi o City muito melhor em campo, trocando passes, com vantagem numérica e levando perigo a zaga vermelha. Bravo dava mais passes que Rooney. Era o jogo de posição levando ampla vantagem.

Os blues saíram na frente, mas em uma jogada diferente da característica guardiolista. Chutão de Kolarov, casquinha de Ihenacho deixando De Bruyne, após falha de Blind, cara a cara com De Gea para abrir o placar.

Em pleno Old Trafford o City mandava, Guardiola fazia graça com a bola após ela sair de campo e Rooney não gostava.

O domínio dos visitantes levou ao segundo gol. Troca de passe do goleiro até De Bruyne finalizar sem angulo na trave e no rebote Ihenacho fazer 2x0.

Estava fácil, só dava blues, porém uma falha de Bravo mudou o jogo. Cruzamento na área, rebatida do goleiro e Ibrahimovic aproveitou para fazer 2x1.

O United voltava ao jogo.



Isso já era no final do primeiro tempo e para a segunda etapa Mourinho mexeu bem na equipe. Colocou Herrera na volancia e passou Pogba para o meio de campo, mandando Rooney para a direita. Entrou tambem Rashford no lugar de Lingard.

O Manchester City sentiu a pressão de Old Trafford e errou alguns passes na defesa, deu margem para o vermelhos empatarem.

Pep reagiu colocando Fernando no lugar de Ihenacho. Assim De Bruyne virou o centroavante.



O jogo voltou a ficar mais para o City que chegou a acertar a trave com o Zico loiro, De Bruyne, melhor em campo.

No final o abafa no Fergie Time não resultou em gol, e ainda se viu ,pasmem, uma caneta de Fernandinho em Pogba.




O lado azul levou a melhor no primeiro clássico de Manchester, Mourinho levou a pior outra vez e o primeiro tempo do City foi algo de sensacional, jogo eficiente além do conceito do jogo de posição.

Não foi só no papel, nem só no jogo de posição, o primeiro gol foi mais ao estilo Galo doido de Cuca.



Prancheta #2: jogo de xadrez de Manchester


"Garry Kasparov balançou a cabeça enquanto terminava o prato de salada. Usou as mesmas palavras pela terceira vez: “É impossível”. Já falava com um tom de irritação na voz. Pep Guardiola insistia em lhe perguntar as razões pelas quais considerava ser impossível competir com o jovem mestre Magnus Carlsen, o mais promissor enxadrista do momento."

Assim começa o livro Pep confidencial de Martí Perarnau, traduzido pelo editora Grande área para o Brasil. Um papo entre um dos maiores treinadores do mundo com um dos maiores enxadristas (jogador de xadrez) que já existiu.

Neste sábado Manchester United e Manchester City fazem o clássico da cidade pela Premier League, e o ingrediente principal do confronto é o duelo José Mourinho x Pep Guardiola. Este início do livro tudo a ver com o jogo e com o que os treinadores se tornaram no meio do futebol. 

O termo jogo de xadrez para uma partida de futebol nem é algo tão novo, mas o conceito de treinadores estrelas sim. Dos antigos há os Rinus Michels da vida, os Telês Santanas e entre outros. Há também os Cruyfs e Beckenbauers, mas este foram grandes jogadores, então são ídolos de antes de dirigir os clubes.


Com Pep Guardiola e José Mourinho é diferente, são estrelas, tem os nomes cantados pelas torcidas, cachecóis, camisas, antes mesmo de ganharam um único título pelo clube, já assumiram as equipes com estrelas. 

O diferencial é que eles representam uma ideologia, um estilo de jogo com que cada um se identifica e torna algo como um politica de estado, quase como se um fizesse ser time ser de esquerda ou de direita. O de Guardiola mais ofensivo, complexo, com longa troca de passes, o jogo de posição. O de Mourinho mais defensivo, simples, o jogo reativo. Não há certo nem errado, apenas conceitos de jogo.

O estilo de Mou é mais pragmático, requer menos tempo de trabalho porém é muito eficiente. O maior problema do português é por vezes desgastar muito seus jogadores e perder o time - aconteceu há pouco no Chelsea. Pep também tem alguns problemas de relacionamento com jogadores do clube dele, Yaya Toure e a prova disso, é um personagem mais "legal" do que o mal-humorado Mourinho.

Já fizeram vários duelos memoráveis entre Barcelona x Real Madrid, além do Barça e Internazionale de 2010. Agora são rivais da mesma cidade.
Ainda há coisas no time de Pep para evoluir em seu estilo de jogo, menos no de Mourinho
Além da rivalidade dos treinadores existe a longa rivalidade dos clubes na cidade, o United que sempre batia no rival enfraquecido viu-o crescer e bater de frente, ganhar campeonato e até fazer 6x1 no Old Trafford. 

Um jogo com muitas estrelas, Ibrahimovic, Pogba e Rooney de um lado, Bravo, de Bruyne e Silva do outro.

Na Premier League ambos tem 100 % de aproveitamento e são dois dos favoritos ao título.

Amanhã não há favoritos, o United tem a vantagem de jogar em casa e de contar com todos os jogadores, o City não pode escalar Agüero, machucado. No maior campeonato do mundo no momento - mais rico também - , o clássico com a maior ansiedade na atualidade.

Tem tudo para ser um grande jogo, ingredientes não faltam.


Manchester United x Manchester City

Sábado, 10/09/2016, 8:30
Premier League, 4° rodada, Old Trafford

Manchester United: (4-2-3-1) De Gea, Valencia, Bailly, Blind e Shaw; Fellaini e Pogba; Mata, Rooney e Martial; Ibrahimovic. José Mourinho.

Manchester City: (4-1-4-1) Bravo, Zabaleta, Stones, Otamendi e Clichy; Fernadinho; Sterling, De Bruyne, Silva e Nolito; Ihenacho. Pep Guardiola.


Da Inglaterra à Alemanha, futebol interligado


O Liverpool de Jürgen Kloop vai ficando cada vez mais com a cara de seu treinador e forte. Depois dos 4x0 no Barcelona na pré-temporada, venceu o Arsenal no Emirates por 4x3. 

Com intensidade, velocidade e sufoco nas últimas linhas adversárias, a qualidade do quarteto ofensivo no um contra um aparece.


Firmino, Coutinho, Mané e Lallana dão a qualidade ao ataque, ninguém é centroavante, mas Coutinho parece para fazer um gol de nove. Ele também é cada dia melhor ao bater na bola, fez um golaço de falta hoje. 


O esquema ofensivo dos Reds lembra o Brasil Olímpico.




O Arsenal pão duro, que não contrata, sofre pela falta de qualidade e excesso de juventude. A defesa do Liverpool sofreu três gols, precisa melhorar.




No ex-clube de Kloop, o Borussia Dortmund, ainda joga de uma maneira parecida. Mas agora dirigido por Tuchel fica mais com a bola o pé do que com Jürgen.

Na disputa da Supercopa da Alemanha contra o Bayern, em casa, no Signal Iduna Park, o Dortmund ficou com 51% de posse de bola e finalizou 20 vezes. Porém o time sem Mkhitaryan, Gündogan e Hummels - agora do outro lado - não mandou na partida - Schürle e Götze ficaram no banco.

Ramos e Dembélé erraram muitas finalizações e as boas pararam em Neuer.



Do outro lado viu-se um Bayern de Munique diferente com Carlo Ancelotti, mais simples e objetivo - talvez até mais alemão. O técnico italiano está entre Guardiola - ex-técnico dos bávaros - e Mourinho, trabalha este Bayern já com traços do último trabalho dele no Real Madrid.

Vidal foi o Di Maria do melhor Real Madrid dos últimos anos, o de 2013-14, meia pelo centro no ataque e ponta pelo direita na hora de defender, o 4-3-3 vira 4-4-2 na hora de defender. 

O chileno é muito bom jogador, abriu o placar chegando como elemento surpresa e foi bem na defesa, peça fundamental neste novo esquema.


Vidal abre na direita, Müller fecha e fica na frente das linhas de quatro

A partida ficou 2x0 para os bávaros, Müller fez o segundo em bola parada.

Os jogadores que entraram em campo do Bayern estão mais acostumados em jogar junto do que os do Dortmund - apenas Hummels era novidade.

Com o tempo, o Borussia vai se encaixar e ameaçar mais o rival.

O técnico mudou em Munique, mas a simplicidade dele, como descreveu Ribery, até cutucando Pep, pode fazer o time rapidamente se adaptar e seguir forte na Alemanha.




Ah, Mourinho já começou a trabalhar no United, e por enquanto joga desta maneira. Onde Pogba entra neste esquema?



Pep começa a dar nova cara ao City


Guardiola chama atenção por tudo o que faz no futebol.

No prólogo da era Pep, estreia da Premier League contra o Sunderland, mostrou muitas mudanças na equipe.

Pep usou o 4-1-4-1, que só sem matinha este desenho no momento defensivo
Começando pelo goleiro, Hart, criticado na seleção inglesa, sendo acusado de falhar em um dos gols da Islândia, ficou no banco. Caballero mais experiente e melhor com a bola no pé foi o preferido.

Na zaga, o jovem e recém contratado Stones, e a surpresa do lateral-esquerdo Kolarov no lugar de Otamendi. Laterais Sagna e Clichy, no momento ofensivo fechavam pelo meio, viravam quase que volantes, deixavam as laterais do campo para os pontas. Lahm e Alaba faziam semelhante no Bayern.

Pep não gostou de Luiz Gustavo ao chegar no Bayern - o brasileiro foi para o Wolfsburg - já ao chegar no City gostou de Fernandinho. Hoje foi o único volante volante no 4-1-4-1. Na frente do brasileiro, De Bruyne e SIlva foram os meias.

Nolito estreou na ponta esquerda e Sterling ficou do outro lado. Agüero foi o centroavante. 


No momento ofensivo Clichy virava quase que um volante
pela esquerda, Fernandinho dava segurança na defesa.

Jogando em casa, com boa posse de bola, linhas altas o Manchester City mandou em todo o primeiro tempo, abriu o placar com Agüero batendo pênalti sofrido por Sterling. Poderia ter feito mais tendo em vista o pouco poder ofensivo do outro lado.

No segundo tempo o Sunderland cresceu na partida e empatou com Defoe (aquele), aproveitando a defesa atrapalhado com Kolarov e Cia.

O City ainda conseguiu arrancar a vitória, quando Navas, que entrou no segundo tempo, cruzou e McNair fez contra.

A partida era fácil, jogo para ganhar os três pontos. Está missão o City cumpriu, mas a de encantar ainda não.

É muito, muito cedo para qualquer, qualquer prognostico. A partida serviu para mostrar como algumas ideias não funcionaram muito bem.

Pep Guardiola deverá quebrar um pouco a cabeça, a defesa precisa ser mais solida, o meio mais participativo e o ataque perigoso. Com o tempo é normal que melhore.

Ir ao estádio não é rotina no Brasil

Outra vez começa o Campeonato Brasileiro e o baixo público é sentido na maioria dos jogos.

Os motivos são vários, medo da violência, ingressos altos, acessibilidade ruim, pay-per-view em conta – principalmente de for gato -, calendário mal feito, além de pouca atratividade com muitos jogos ruins.
Não há mais a desculpa de estádios ruins agora que a maioria dos estádios virou arena, mas a pessoas continuam não indo, e analisando os últimos anos comparando com outra ligas no mundo. Não há cultura de ir ao estádio toda final de semana como ir a igreja no Brasil. 
Palmeiras e Corinthians tem conseguido levar melhor seus torcedores, mesmo assim não lotam os estádios sempre e o ingresso alto afasta uma parte considerável da cancha.
No Brasil a média gira em torno de 15 mil por campeonato, na última rodada foi de 10.677 enquanto na Inglaterra a Premier League, com 36.600 por jogo e a Bundesliga, recordista no planeta com 42 mil torcedores, levam muito mais gente ao campo.

Mas tão importante quanto a média é a lotação. Assim 21 mil no Morumbi (31% de lotação) é um público pequeno e esse mesmo número é grande no Independência (91% de lotação).
Na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, média foi de 12.585 espectadores, enquanto isso na Alemanha, Bayern estreia contra ao Hamburgo e lota 100% de seu estádio, assim como o Borussia Dortmund diante do xará de Monchengladbach - 75 mil e 81 mil torcedores na Allianz Arena e no Westfalenstadion respectivamente.
Na Inglaterra tanto o primeiro público como o último tem boas taxas de ocupação do estádio. Na primeira rodada da Premier League 2015/16 o Old Trafford recebeu 75.261 (99,5% de lotação) para ver o Manchester United e no Dean Court o Bournemouth jogou só para 11.155, porque não cabia mais que isso já que o estádio comporta 11.464, ou seja, 97% de lotação. A média de toda rodada foi de 38.722.

O Brasil tem há anos estádios grandes com cadeiras vazias, é só ver gols do Ronaldo começando no Cruzeiro no Mineirão cheio de espaços. Por aqui jogos importantes valem mais do que ídolos, Neymar não encheu estádio, assim como Seedorf, Ronaldinho, Kaká e outros.
O Brasil precisa trazer o torcedor para o estádio, com muita gente vibrando e torcendo até um jogo menor pode chamar mais atenção.Existe muito a ser feito para isso, as condições de hoje não são boas. 

Públicos e médias do Campeonato Brasileiro na primeira rodada de 2016

1º - Palmeiras 4x0 Sport - Allianz Parque (capacidade 43.713) 33.629 - 77%
2º - Corinthians 0x0 Grêmio – Itaquera (capacidade 45.000) 31.553 - 70%
3º - Santa Cruz 4x1 Vitória– Arruda (capacidade 64.044) 20.038 – 31%
4º - Internacional 0x0 Chapecoense – Beira-Rio (capacidade 51.300) 10.314: 20%
5º - Flamengo 1x0 Sport - Volta Redonda (capacidade 18.230) 7.863: 43%
6º - Coritiba 1x0 Cruzeiro - Couto Pereira (capacidade 40.310 ) 6.028: 14%
7º - Figueirense 0x0 Ponte Preta - Orlando Scarpelli (capacidade 19.584) 5.458: 27%
8º - Atlético-MG 1x0 Santos – Independência (capacidade 23.018) 5.403: 23%
9º - Botafogo 0x1 São Paulo - Volta Redonda (capacidade 18.230) 3.660: 20%
10º - América-MG 0x1 Fluminense – Independência (capacidade 23.018) 1.955: 8,4%

Média de 33% de lotação.

Todos são Leicester

De tudo o que já aconteceu neste século XXI do Neo-futebol – criticado por muitos – o Leicester pode ser a melhor história de todas. Não a mais importante, divertida, demostração de bom futebol, de grandes estrelas ou de revolução na ideia de jogo. 


Longe de ser um Dream Team, de um clube famoso, rico, conhecido no mundo todo com torcedores de todas as partes do planeta e mexendo com corações de todos. Bem, está última parte mudou com está atual temporada.

Desde que Ranieri tirou o time da lama na última colocação da Premier League passada e impulsionou o time para a liderança, com sete pontos na frente do Tottenham a cinco rodadas do fim, a relação de torcida para os Foxes mudou bastante.

Se a está altura do ano passado poucos conheciam a time, os feitos do mesmo elenco, que quase caiu, mexeram com os milhares de loucos por futebol de todo o mundo que são cada dia mais Leicester desde criancinha.

Não chega a ser a torcida de um incha – como são chamados os torcedores na Argentina-, nem "modinha", mas a cada gol de Vardy, drible de Mahrez, desarme de Kanté, defesa de Schmeichel a vontade de ver o time vencer aumenta.

Gary Lineker sempre foi incha (mesmo) do clube por onde chegou a jogar. E escreveu ao The Guardian:“nunca desejei tanto uma coisa no esporte como este título do Leicester” (texto na integra no final). Não é exatamente a mesma sensação de todos, os times de cada um ainda veem primeiro, mas é parecido.

Mesmo sem ser exemplo de jogo bonito é exemplo de coletividade, consciência de suas qualidades e eficiência. Com Claudio Raniere não inventa, faz o simples e acredita nisto.

Nem todos os jogos do Leicester são bonitos de se ver, às vezes a bola fica de um lado a outro, com chutões, rebatidas, faltas e pouco “futebol arte". A zagueirada não saindo jogando – nem Schmeichel – ligação direta, uma atrás da outra, para Jamie Vardy ganhar a primeira bola, ou segunda.

Caso ganhe a inédita Premier League, os ingleses, pioneiros do futebol e da crítica dele também vão dizer: “campeonato nivelado por baixo”. Como é dito no Brasil desde 1985 com o título do Coritiba sobre o Bangu. É uma vontade de tentar explicar, mas não é a verdade.


Porém isso tudo pouco importa na hora de torcer, a superação, trajetória inacreditável, o técnico, vontade de Vardy ao dominar uma bola e ir em direção ao gol, o coração da equipe. Tudo isso, e a raridade do fato, tornam a história sensacional, um conto de fadas exótico, como nunca antes visto na história do futebol. Heróis improváveis, jogadas simples, alguns pernas de pau e (quem sabe?) um final feliz. Roteiro de filme esportivo de Sessão da Tarde.

Não há como não torcer para eles, só se você torce para os Spurs e mesmo assim, acho que preferem o Leicester vencendo-os do que qualquer outro.


Confira o relato de Lineker completo aqui
Eu sou Gary Lineker. Disputei duas copas do mundo. Sou o maior artilheiro inglês em mundiais. Joguei e levantei troféu no Barcelona, mas eu nunca quis nada no esporte em toda a minha vida como quero que este time de Claudio Ranieri ganhe a Premier League.
Uma coisa extraordinária está acontecendo no mundo do futebol. Algo que desafia a lógica. Algo verdadeiramente mágico. Quase me sufoca de emoção, porque está acontecendo com meu time. O time para qual torço desde sempre.
Chorei todo o caminho de volta para casa quando tinha 8 anos e vi ao lado de meu pai e de meu avô o Leicester perder a final da Copa da Inglaterra de 1969. Fui campeão da segundona nos 8 anos que joguei no Leicester. Depois, com amigos e torcedores, eu até ajudei a salvar o clube da falência. Mas nada, nada se compara a isso. Essas coisas não acontecem com clubes como o meu.
Após a vitória contra o Newcastle com direito a gol de bicicleta, o Leicester está no topo da Premier League, com 5 pontos de vantagem. Não estamos em setembro, estamos em março e faltam só 8 jogos para o fim.
E este, com uma ou outra contratação, é o mesmo time que há um ano estava em último lugar, condenado ao rebaixamento. Milagrosamente nos salvamos da degola e ficamos tristes com saída do técnico Nigel Pearson. Na época achei Claudio Ranieri uma escolha sem inspiração. O ex-técnico da Grécia perdeu até para as Ilhas Faroe. Admito que critiquei a escolha publicamente. Ah, como eu estava errado. Maravilhosamente errado.
As casas de aposta concordavam comigo. O Leicester era favorito para ser rebaixado nessa temporada. Quem poderia imaginar o que iria suceder? O que estamos testemunhando, se o Leicester realmente for campeão, é talvez o triunfo mais improvável da história do esporte. Um grupo de indivíduos que há um ano não conseguia vencer um jogo de futebol de nenhuma forma virou uma força invencível. Um time com espírito e união que esse jogo raras vezes viu.
Bem, vamos para as verdadeiras razões. Os jogadores que tiveram dificuldades em sua primeira temporada na primeira divisão começaram a se encontrar, incentivados, é claro, pelo clímax impressionante para essa campanha. Jamie Vardy começou a marcar os gols que a velocidade incrível de seu pé e esforço monstruoso prometiam que ele poderia.
Riyad Mahrez, ágil e esbelto, prepara suas mágicas constantemente. A adição do onipresente N’Golo Kanté ao lado de um certeiro Danny Drinkwater forneceu uma dupla de meio-campo inigualável para qualquer um na Premier League nesta temporada. Em outro lugar há uma energia estranha para o time fornecida pelos talentos de Marc Albrighton, Shinji Okazaki e Jeffrey Schlupp.
Kasper Schmeichel tem sido excepcional no gol, além de possuir óbvias qualidades de liderança que ele pode ter herdado. Então, e este é o aspecto mais surpreendente deste time, há um conjunto de defensores eficientes que se juntaram para formar uma zaga e que estão unidos com uma mentalidade de “tu não passarás” que parecia além do alcance deles no início da temporada. Nessa linha de quatro, porém, há experiência e cabeças calmas.
Tudo orquestrado pelo engenhoso, sagaz e inspirado Claudio Ranieri. É difícil entender o incompreensível. Alguns falam de superstições. A realidade é que temos jogadores que descobriram a forma na hora certa. Encorajados cada vez mais pelo sucesso inesperado. Um time perfeitamente organizado e competitivo. Não almeja ter a posse de bola, apenas se aproveita da perda da posse dos rivais, em contra-ataques elétricos e brilhantes. Um time excepcional. Desta vez, se vão até o fim, será que este sonho surreal vai acabar? Voltaremos a miserável realidade? Espero que não. O Leicester está a beira de conquistar a imortalidade esportiva. Mesmo com toda pressão, não demonstra medo.
É absolutamente prazeroso observar a alegria que os meus três meninos torcedores do Leicester estão sentindo. Até o meu mais velho, George, um fã de toda vida do Manchester United (ele sempre foi contra), está entusiasmado com a campanha dos “Foxes”.
Quanto a meu pai, bem, ele recentemente twittou: “Eu esperei mais de 70 anos por isso. Brilhante”. Eu também tenho a sensação de que os fãs de futebol de todo o mundo se sentem da mesma maneira. A pressão vai aumentar a cada semana que passa. Com a expectativa vem o perigo. Eles não têm, no entanto, mostrado nenhum medo, até agora. Nenhum sinal de hesitação sob a magnitude do que eles podem alcançar. Eles estão à beira da imortalidade desportiva.
Não tenha medo, meu time. Conquiste.
Eu sou Gary Lineker. Venci a FA Cup com o Tottenham. Em 1986 me tornei o único inglês a ganhar a chuteira de ouro em uma copa do mundo.
Mas eu nunca quis nada tanto em toda a minha vida no esporte como quero que este Leicester seja campeão.

Quem segura o Leicester?


O jogo não foi bom, bola de uma lado a outro, com chutões, rebatidas, faltas e pouco futebol "arte". A zagueirada do Leicester não sai jogando, nem Schmeichel, ligação direta, uma atrás da outra, para Jamie Vardy ganhar a primeira bola, ou segunda.

Jogando contra o Crystal Palace na casa deles, os Foxes abriram o placar com os caras do time, Vardy assistiu Mahrez que estufou a rede - 16° gol do argelino, com 11 assistências nesta Premier League.

Os dois já participaram de 52 gols, somando assistência e gol, dos 54 marcados pelo time. Além do duplo duplo de Maherz, Vardy tem 19 gols (artilheiro) e seis passes para gol..

Sem ser exemplo de jogo bonito é exemplo de coletividade, consciência de suas qualidades e eficiência. Com Raniere não inventa, faz o simples e acredita nisto.

Com as coisas conspirando a favor da equipe, a sorte também tem mantido o clube na liderança. Levou os três pontos, com um chute no último minuto batendo no travessão de Schmeichel e não entrando.

Faltam 7 jogos para o Leicester, 66 pontos, oito na frente do Tottenham que joga amanhã. No inicio a campanha era novidade, agora é realidade, o torcedor já acredita que pode realmente vencer.

Acontecendo o título será este conto de fadas exótico, como nunca antes visto na história do futebol. Heróis improváveis, jogadas simples, alguns pernas de pau e um final feliz. 

Não é toda hora que isso acontece.

City perde para Spurs e fica fora da disputa pela Premier League


Leicester e Arsenal vão disputar o título, junto do Tottenham. O Manchester City perdeu sua segunda partida seguida em casa, justamente para o Leicester e os Spurs.

Na tarde/noite em Manchester os donos da casa, sem De Bruyne, contavam com Yaya no meio do trio de frente do 4-2-3-1, e os Fernandos brasileiros de volantes.

O meio de campo dos Spurs conseguia ficar mais com a bola durante a partida. A equipe de Pochettino com Eriksen, Alli e Dier ditava o ritmo do jogo.

Foi uma partida pouco produtiva no primeiro tempo, as chances, raras, foram em lances de disparos de fora da área e bolas paradas.

Com 6 minutos do segundo tempo, Rose cruzou a bola na área, e o juiz marcou bola na mão, quando na verdade ela bateu nas costas de Sterling.

Harry Kane cobrou, como Vardy mais cedo, com força, firme e correu pra comemorar.

Pellegrini mudou o time, Iheanacho entrou e assim como Walcott mais cedo, marcou. Em boa jogada pela esquerda, a bola veio rolando para o jovem nigeriano chutar e empatar o jogo.

Em casa, o City empatara e com uma bola na trave de Yaya, anterior ao gol,aparentara à sua torcida que venceria o jogo.

Perto do fim, Yaya perdeu a bola, Lamela que entrou no segundo tempo, lançou Eriksen, para no dia do aniversário, marcar o gol da vitória.

Agora os Spurs tem o mesmo número de pontos do Arsenal, três atrás do líder. 
A Premier League ficara com um dos três primeiros: um é zebra, o outro costuma falhar na hora agá e o terceiro não é de levantar muitos troféus. Neste ano, um deles vencerá.

O Manchester tem bons jogadores, em todos os setores, mas não é um time confiável. Diante das dificuldades costuma sofrer e não sair com os três pontos. Mesmo com 19 chutes, acertou apenas quatro no gol e só fez um. Com a derrota o time sinalizou, está fora da disputa.

Arsenal vira com Welbeck e aproxima-se do Leicester


O Arsenal tinha de vencer o Leicester, com cinco pontos a menos na tabela da Premier League não podia nem imaginar em uma derrota e ver o adversário disparar para oito de diferença. Mesmo jogando no Emirates, para os gunners pararem a sensação do campeonato seria muito complicado. 

Arsene Wenger sempre gostou de um time com toque de bola, o Arsenal é assim faz tempo, quase todo final de campeonato é o time que mais troca passes e tem a bola nas partidas na Inglaterra. É o oposto do Leicester, que tem como estilo o jogo reativo, jogar a partir do erro rival. Nesta liga o líder de passes certos e o vermelho, o último, o azul.

Ozil organizava o jogo para o lado vermelho, movimentava pelo campo mais não entrava na área nem corria a linha de fundo. Fazia passes de criação, finalização de jogadas e cruzamentos. A marcação de seu time era acirrada, após perder a bola, vários pressionavam para recuperar logo a pelota.


Os foxes, o oposto, faziam marcação a partir do meio de campo. Kanté, a peça chave no meio, roubava as bolas e inciava rapidamente a maioria das jogadas ofensivas. Vardy saía correndo assim que o time pegava a bola, Maherz também, só que o argelino voltava para marcar em seu corredor.


Em uma jogada já manjada deste Leicester, Kanté roubou a bola, deu para Albrighton cruzar na segunda trave para Jamie Vardy. Cech precisou fazer uma defesaça, o camisa 9 do lado azul levou muito perigo de cabeça.


Com o primeiro tempo chegando ao fim, a impressão era de um Arsenal melhor, dominando mais as jogadas. Mas o Leicester não é de brincadeira, no minuto final, Vardy caiu por cima de Monreal e cavou pênalti. Ele mesmo cobrou e deixou os foxes na frente.

O restante da partida poderia ser como na semana passada, City 0x3 Leicester, só que a expulsão de Simpson mudou todo o panorama do jogo.

Claudio Ranieri sacou Mahrez e colocou Chilwell para fechar a lateral-direita. Assim ficou com Okazaki pelo lado. Wenger optou por tiram Coquellin e colocar Theo Walcott. Com um a mais o time passou a atacar com Sánchez, Giroud, Chamberlain e Walcott, com Ozil vindo de trás.

No duelo de xadrez AW foi melhor. Com oito minutos em campo Theo pegou uma sobra na área e empatou o duelo.

Era ataque contra defesa, Welbeck que não jogara desde abril passado, entrou para infernizar a vida do Leicester e tentar a virada.

Schmeichel fechava o gol, fazia uma boa defesa atrás da outra. Sem Mahrez, só Vardy atacava pelos foxes e não adiantava, pois a bola mal chegava, Kanté no segundo tempo cansou de correr por um a mais e não rendeu como no primeiro. O time não conseguia fazer o seu jogo, como fez contra o City. 

A pressão vermelha foi grande e dos pés de Ozil saiu o passe, que bateu na cabeça de Welbeck, nos acréscimos, para dar a vitória ao Arsenal.

Um gol que premia o melhor time em campo, vivo na disputa pela Premier League com 51 pontos, a dois do Leicester.

O jogo foi decidido nos detalhes, o campeonato também será.

Daqui a pouco tem Manchester City x Tottenham, 3ª e 4ª respectivamente.


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