O futebol é um hoje, outro amanhã e outro depois de amanhã no Brasil.

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O nosso futebol é “maníaco-depressivo”. Quando um time vence duas, três partidas seguidas é um máximo, se perde um clássico ou duas, três partidas é horrível.

Numa semana a torcida canta “o campeão voltou”, na semana seguinte “time sem vergonha”. A imprensa também entra nessa. Isso é um pouco 7x1. Antes de ele acontecer se tinha uma ideia exagerada da boa qualidade da seleção, depois veio o choque de realidade.

Mas os “maníaco-depressivos” do nosso futebol foram influenciados pelos próprios clubes. No Brasil não se pode confiar em um time no inicio do ano. Existe a (grande) possibilidade de o time perder jogadores no meio do caminho, trocar de técnico no primeiro revés e o time pode parar em um lugar inimaginável no inicio do ano.

Vamos usar um exemplo desse ano. O Corinthians venceu o São Paulo por 2x0 e virou crise. Depois o tricolor goleou o Danubio na última quarta- feira, a torcida se acalmou e já teve gente falando de Pato e Michel Bastos na seleção.

No Corinthians Tite queria Lodeiro no seu time, treinou com ele na pré-temporada e antes dos jogos começarem ele foi para o Boca. Jadson “na sorte” entrou em seu lugar e deu certo. E quase que ele foi embora também.

Em Fevereiro o Corinthians foi muito bem na Libertadores, mas será que vai continuar assim em março, abril, maio, junho?

Antes os times mudavam menos, mas não é verdade dizer que jogavam 10 anos sem mudar. O Flamengo campeão brasileiro de 1980 era um time, o campeão brasileiro de 1983 era outro. A base era a mesma com Raul, Marinho, Júnior, Andrade, Adílio e Zico. Mas o técnico era outro e o resto do time titular também.

Era mais ou menos como os grandes times europeus de hoje. O Barcelona campeão da Liga dos Campeões de 2009 foi um, em 2012 já era outro. Valdés, Puyol, Pique, Busquets, Xavi, Iniesta e Messi continuavam no time titular e o técnico (Guardiola) era o mesmo. Mas no de 2009 tinha Henry, Eto'o e Yaya Touré. No de 2012 tinha Mascherano, Fábregas e Sánchez. Fora os que chegaram e saíram no meio desse tempo.

Tanto o Flamengo do Zico, como o Barcelona de Messi e Guardiola jogaram da mesma forma no primeiro time e no último. Mesmo com mudanças nos times.

Mudar uma peça ou outra do time faz parte, é uma renovação na equipe. O que não pode é mudar toda hora, assim você não tem uma forma de jogar. No Brasil quase todo mundo faz isso.


Matéria publicada no jornal O Atibaiense no dia 28/02/2015

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