Parar e pensar



Chegamos em 2015 depois de um 2014 com muitos momentos marcantes no futebol. Os momentos vão de Copa do Mundo no Brasil, passa pelos 7x1 e vai até casos de racismo fora de campo.

Todos os momentos do ano têm o seu lado bom, é preciso enxergar isso e tirar lições do que aconteceu.

Os 7x1 foram um choque de realidade que mostra exageradamente o atraso do futebol brasileiro dentro de campo.

O esporte evoluiu nos últimos anos. Hoje ele é mais rápido, mais físico e compacto. O campo tem o mesmo tamanho de antes, mas agora os jogadores ficam mais juntos e assim diminuem a área de campo jogado.

Com menos espaços, é mais difícil de criar jogadas, é preciso mais criatividade e habilidade para furar as defesas. Ao mesmo tempo, essa compactação não significa que o futebol está mais defensivo, pelo contrário. A Copa do Mundo no Brasil bateu recorde em número de gols.

Com um esporte mais físico, não dá mais para “enganar”. Largar de treinar, se preparar para jogar, por melhor que seja o jogador, perderá espaço. Exemplos disso hoje são muitos, principalmente aqui no Brasil.

A seleção brasileira de hoje conta com um número enorme de jogadores de meio campo que tem velocidade e entram bastante na área. Oscar, Coutinho, Willian, Firmino, Lucas... Não são jogadores iguais, mas tem o mesmo estilo de jogo.

Jogadores que param mais a bola e pensam o jogo, são cada vez mais raros no futebol nacional.

O “camisa 10” dos anos 70 e 80 brasileiro era sempre um jogador habilidoso, que parava a bola e pensava o jogo. Jogadores como: Kroos, Xavi, Gerrard, Xabi Alonso, Pirlo, Fábregas, Yaya Toure... São os “camisas 10” atuais, só que com uma diferença, todos eles jogam mais atrás, são volantes de seus times.

Esse ano tem Copa América no Chile e o Brasil tem sua principal esperança em Neymar. Você pode até dizer que o camisa 10 da seleção de Dunga tem alguns defeitos. E ele tem mesmo, não é um primor físico, não é o jogador mais alto do time, cai muitas vezes... Mas quando ele joga, isso parece não importar. A técnica, habilidade, capacidade de definição e capacidade de comandar o time são enormes. Ele é o diferente e os diferentes são aqueles que realmente mudam as coisas.

O futebol brasileiro depende do talento e da qualidade de seus jogadores como sempre dependeu.

A política e a gestão nunca foram o forte do nosso futebol. Isso continua assim, basta ler o noticiário essa semana. A frase do novo ministro do esporte dizendo “Posso não entender de esporte, mas entendo de gente” já diz tudo.

Para 2015 é torcer para que os jogadores que começam a jogar a copinha neste fim de semana tenham muita qualidade e sejam o futuro do nosso futebol.

Vamos ver o que nos espera em 2015.

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