A fila argentina
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O Chile enfim foi campeão, o jogo coletivo da melhor geração
chilena comandado pelo argentino Jorge Sampoli, bateu a Argentina que segue na
fila.
Enquanto os chilenos vão às ruas de Santiago e de todo o
Chile comemorar, os argentinos amarguram mais um pesadelo, mais um título
perdido.
Mas afinal, qual o problema da Argentina?
A geração não é capaz de ser campeã?
Messi não resolve?
Isso é sempre complicado. Corinthians e Palmeiras passaram
por isso e sabem que é difícil sair da fila.
Às vezes parece que esta fazendo tudo certo, que será
campeão, então vem uma Inter de Limeira, até então nunca campeã, e te derruba.
A Argentina não vence um título desde a Copa América de
1993.
A geração de Messi, Agüero, Di María, Tevez, Mascherano, que
tem também Zabaleta, Garay... Não ganhou nada até agora. Mas a geração de Bielsa
e de Pekerman, que se junta a atual, tinha Sórin, Samuel, Zanetti, Aimar,
Riquelme, Crespo e Verón. E também não ganhou nada.
A atual ainda pode vencer. A Alemanha mesmo ganhou a última
Copa, mas antes fracassou na Eurocopa de 2012, Copa do Mundo de 2010, Eurocopa
de 2008, Copa de 2006 na Alemanha...
Nessas derrotas o time foi ganhando casca, que foi
importante, e fez o time campeão da última Copa.
A geração da Argentina tem bons jogadores, mas não é um supertime,
na origem da palavra mesmo. Não é uma equipe que funciona em todos os quesitos,
defesa, meio e ataque. Têm suas falhas, técnicas e de conjunto.
Se Tatá Martino arrumar o conjunto da seleção, ela pode
render mais. E essa seleção pode muito bem vencer a Copa da Rússia em 2018,
tendo muitos dos jogadores que foram vice dessa Copa América e da Copa do
Mundo.
Ela não vai enfrentar o de Brasil 82, nem a Holanda 74 (não
foram campeões também, apesar de terem sido supertimes) vai enfrentar as
seleções de hoje. E enfrentando as seleções atuais quase foi campeã do mundo no
ano passado.
Messi poderia resolver aquela final e essa. Mas continua
devendo.
Ontem, novamente tentou organizar, criar e isso é pouco para
o gênio que é. Não teve a capacidade de chamar o jogo pra ele e em uma jogada
marcar o gol do título. Como Maradona fez pela Argentina - Desculpa, mas não
dava para não falar do Dieguito.
O Messi é um jogador sul-americano, com escola europeia. Na base
do Barcelona aprendeu a jogar coletivamente, a tabelar a buscar o gol com o
seus companheiros de time. Ele ainda tem a ginga tradicionalmente sul-americana
de tirar um ou outro da jogada, mas tem muito pouco a de chamar o jogo para si
e decidir.
Neymar tem mais isso, e mesmo jogando em uma seleção
brasileira, que é mais fraca que a Argentina, consegue fazer mais a diferença
que Messi pela Argentina. Basta ver o número de gols de cada pela seleção. Neymar
começou a jogar pelo Brasil em 2010 depois da Copa e está com 44 gols, Messi
está desde 2005, tem 46 gols em 98 jogos. Só dois a mais que Neymar.
Contra o Paraguai, no segundo tempo a Argentina teve espaço,
o time tocou a bola e Messi conseguiu dar três assistências. Fazendo uma ótima
jogada para o gol de Di María.
A Argentina tem muitos problemas fora de campo e no seu
futebol de clubes. Problemas que nos conhecemos bem aqui no Brasil, com a CBF.
A AFA não é muito diferente, isso atrapalha a seleção que assim como o Brasil
vê seus melhores jogadores serem de clubes de fora.
Hoje a Argentina está melhor que o Brasil porque tem mais
jogadores “muito bons” e técnicos melhores. Só por isso.
E também não adianta sacanear os argentinos por continuar na
fila para tentar afogar as magoas do 7x1. Isso até faz parte do futebol, mas
não irá fazer o Brasil ser melhor.
Enfim, a fila Argentina um dia irá acabar, como a chilena
acabou, pode ser com essa ou com outra geração.
Pode ser que falte uma conquista pela seleção para Messi, o que não fará
dele menos craque como não fez a Zico. Ao mesmo tempo não deixará de ser algo
que ele irá lamentar pelo resto da vida.
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| Jornal Olé lamenta a tortura e o pesadelo de seguir na fila |
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| O Mundo Deportivo de Barcelona lamenta por Messi |
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| Enquanto isso, os chilenos comemoram nas ruas |
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